Um caso de amnésia coletiva: a oposição e um orçamento com 10 anos de atraso

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O estranho caso de amnésia coletiva da coligação PSD/CDS-PP em S. João da Madeira merece a nossa reflexão e denúncia, por representar na sua génese uma temerária corrente populista análoga à que prospera noutros espetros políticos pelo Mundo fora.

Há um ano, Santana Pereira, investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, disse a uma reportagem do Público sobre esta temática que o populismo se concretiza por “uma excessiva simplificação do discurso, uma grande agressividade na polarização da sociedade e o aperfeiçoamento de mecanismos de comunicação”. É uma síntese extraordinária, precisa e com o distanciamento necessário para entendermos este fenómeno que por cá também vai conquistando seguidores.

Exemplo disso é a “excessiva simplificação do discurso” na pseudoanálise que esta coligação negativa faz ao Orçamento e Grandes Opções do Plano para 2020, que é fiel aos compromissos que o Partido Socialista assumiu há dois anos com os sanjoanenses e que resultou numa esclarecedora vontade coletiva de mudar o rumo que estava a ser seguido.

Mas é sem retirarem as devidas ilações da retumbante rejeição dos sanjoanenses nas eleições autárquicas de 2017 que PSD/CDS-PP recorrem agora, desesperadamente, ao “aperfeiçoamento de mecanismos de comunicação”, massacrando os sanjoanenses com conferências de imprensa desprovidas de argumentos, artigos de opinião tecnocratas e empoladas carpideiras facebookianaspara anunciarem a sua rejeição a um orçamento onde, dizem, “falta muita coisa importante que precisa de ser feita” e que “chega dois anos atrasado”.

Ora, que há muito para fazer é um facto que todos reconhecemos. Mas será que no ziguezaguear sinuoso desta coligação não há ninguém com discernimento para escapar da amnésia coletiva e recordar os seus companheiros de que estes partidos, juntos, são responsáveis pela governação da cidade nas últimas quatro décadas? Ninguém lhes diz que, para o bem e para o mal, os atuais protagonistas da oposição já tiveram responsabilidades executivas em áreas como o desporto e a habitação social onde tanto ficou por fazer? Será que não entendem que a memória dos sanjoanenses não se apaga em dois anos e que o nosso povo é sério para se deixar levar por estas mal ensaiadas e avulsas narrativas seletivamente amnésicas?

É que o orçamento para 2020 não chega atrasado dois, mas sim, pelo menos, 10 anos! Porque é há mais de uma década que a cidade anseia, por exemplo, por um Mercado Municipal mais moderno e higiénico; por obras na Escola Secundária Serafim Leite; pelo retirar do amianto nas escolas básicas; por uma rede de ciclovias que dignifique a cidade; por obras no espaço público e nas habitações dos bairros sociais; mas também pela requalificação do Pavilhão das Travessas, nomeadamente ao nível da cobertura que tem infiltrações; ou por uma real requalificação e revivificação social da Praça Luís Ribeiro, onde foram gastos milhões de euros em meras operações de cosmética, e que finalmente se irá tornar num local cosmopolita, mais verde, aprazível e familiar. Com diferentes níveis de maturação e decorridos os procedimentos legais da contratação pública, estas são algumas das intervenções prioritárias e mais emblemáticas inscritas no orçamento para 2020 e que, com uma boa utilização dos fundos comunitários, serão brevemente uma realidade na nossa cidade que há muito por isso anseia.

Se o ano de 2019 ficou marcado pelo regresso de um orçamento ambicioso do ponto de vista do investimento público e da sensibilidade social e ambiental, o ano de 2020, apesar de transitados em julgado processos judiciais herdados de mandatos anteriores e que oneram o município, ficará indelevelmente marcado pelo arrancar para o terreno de uma série de intervenções estruturais de requalificação e reabilitação do espaço e do edificado público, que se conjugam numa harmoniosa visão de futuro para o desenvolvimento homogéneo e sustentável do nosso concelho.

Como disse – e bem – o presidente da câmara municipal, Jorge Sequeira, o Partido Socialista está a fazer “aquilo que devia ter sido feito há muito tempo”. E assim continuaremos, sem distrações, por S. João da Madeira e pelos sanjoanenses.

Leonardo Silva Martins,

Deputado Municipal eleito pelo Partido Socialista

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