O apartamento de tipologia quatro cedido pelo Município à Santa Casa da Misericórdia de S. João da Madeira, tendo em vista a reintegração social de pessoas sem-abrigo, em quarto de pensão ou em habitação precária, abriu portas aos dois primeiros moradores, no dia 3 de junho, no Bairro do Orreiro.
Passados seis meses, “o terceiro elemento está preparado para ingressar e fá-lo-á no curso do mês de dezembro”, confirmou Vítor Gonçalves ao labor.
“A normatização de comportamentos e a integração social implicam uma aprendizagem que requer tempo”, por isso “avaliar o processo esgotados apenas cinco meses do início do projeto é responder ao ´tempo jornalístico´ e não ao ´tempo social´”, considerou o diretor de serviços da Misericórdia.
Todavia, Vítor Gonçalves adiantou que “o apartamento de autonomização está a cumprir plenamente o seu objetivo maior” que é “dar condições de dignidade habitacional a pessoas que se alojavam em situação de grande precariedade” e, ao mesmo tempo, “possibilitar um espaço de intervenção técnica que fomente outras competências nos residentes, de foro comportamental, social e profissional”.
Assim sendo, no espaço de meio ano três pessoas encontraram um novo “lar” que receberá ainda uma quarta ao longo do próximo ano.
Relembramos que a ideia é que os moradores continuem a usufruir das refeições da cantina social e da lavandaria social da Santa Casa nos primeiros meses e que depois consigam autonomia ao nível das refeições e do tratamento da roupa. Quem tiver algum tipo de rendimento terá de contribuir com uma percentagem para as despesas do apartamento, sendo as de água, luz e gás asseguradas pela Misericórdia. Entre os objetivos deste espaço pioneiro no concelho, destaque para a inserção destas pessoas na comunidade de diversas formas e para a sua autonomia ao fim de um ano. Contudo, este prazo não é rigoroso no sentido em que caso algum dos moradores precise de mais tempo não será despejado, e será dada continuidade ao seu processo de autonomização. Atualmente, o Trilho acompanha “mais de 20 pessoas”, “muitos sem-abrigo e muitos em quarto de pensão, onde não podem cozinhar nem têm as condições de uma casa, ou em habitações precárias”, adiantou Branca Correia, na altura da inauguração do espaço, aos jornalistas. Cada um dos moradores do apartamento de autonomização terá “um plano individual de inserção” através do qual “vamos tentar cumprir os objetivos até ao fim de um ano”, explicou a diretora técnica do Trilho, indicando entre eles a formação, o emprego ou o obter o direito de ter acesso à reforma.

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