Na passada segunda-feira, ao visitar a MenteMovimento – Associação Pró-Saúde Mental de Entre Douro e Vouga, o Bloco de Esquerda (BE), através do deputado à Assembleia da República e coordenador do seu Grupo Parlamentar para a área da saúde,Moisés Ferreira, quis dar visibilidade à questão da saúde mental, chamando à atenção, em simultâneo, para a necessidade de se reforçarem as respostas para apoiar e acompanhar as pessoas com doença mental ou que já tiveram experiência de doença mental.

Recorde-se que a MenteMovimento, com sede em S. João da Madeira, desenvolve atividades na área da saúde mental e da reabilitação psicossocial para pessoas com experiência de doença mental e para os seus cuidadores, acompanhando várias dezenas de utentes que são referenciados por profissionais de saúde e desenvolve com eles atividades de apoio psicossocial e oficinas socio-ocupacionais

Para os bloquistas – conforme defendem em comunicado enviado ao labor depois da visita – “a saúde mental tem mesmo de ser uma prioridade política”, o que “passa por reforçar as respostas existentes em contexto hospitalar, mas também por desenvolver respostas nos cuidados de saúde primários e, acima de tudo, respostas na comunidade”, como esta que é dada pela MenteMovimento.

A propósito, o BE já requereu a presença no Parlamento do Diretor do Programa Nacional para a Saúde Mental para que expusesse a realidade do país nesta área e para que se discutissem medidas para melhorar a resposta pública e comunitária. Além disso, “irá apresentar propostas para o financiamento e para o desenvolvimento de respostas na área da saúde mental, seja a criação de programas de ansiedade e de depressão nos cuidados de saúde primários, o reforço da resposta hospitalar e o desenvolvimento de equipas de saúde mental na comunidade e de cuidados continuados para pessoas com doença mental”, como adianta a nota de imprensa recebida pelo nosso semanário.

Portugal é um dos países da União Europeia com maior prevalência de perturbações psiquiátricas…

Na área da saúde mental, ainda de acordo com o texto remetido pelo Bloco à nossa redação, “Portugal é um dos países da União Europeia com maior prevalência de perturbações psiquiátricas”, apresentando “dos valores mais altos nas perturbações da ansiedade, com 16,5%, e nas perturbações depressivas com 7,9%”. Os dados sobre a prevalência de perturbações psiquiátricas, com base no Estudo Epidemiológico Nacional de Saúde Mental, mostram que mais de um quinto das pessoas entrevistadas (22.9 % da amostra) apresentou uma perturbação psiquiátrica nos 12 meses anteriores ao estudo.

… e o terceiro país com mais venda de antidepressores

Segundo os bloquistas, todo este quadro combinado com uma baixa resposta pública na área da saúde mental resulta num elevado consumo de psicofármacos. Como lembrou o Observatório Português dos Sistemas de Saúde no Relatório de Primavera de 2019, Portugal era, em 2017, o país da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico)com mais vendas de ansiolíticos em ambulatório (correspondente a 2% de todos os fármacos vendidos em território nacional), o terceiro país com mais venda de antidepressores (com um volume de vendas em ambulatório de 3,8%) e o sétimo país da OCDE com maior consumo de hipnóticos e sedativos. Esta realidade, ainda como diz o mesmo relatório, é particularmente impressiva junto dos indivíduos mais velhos, com 139 idosos em cada 1.000 a tomar benzodiazepinas.

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