Fugir, fugirmos de nós, da masmorra que nos teve,

Retidos por tanto tempo, sem dar conta por um momento;

O banal do preconceito que há muito nos conteve;

Um dia, sem mais nem menos, perderá o assentimento…

Fugir e logo sentir outra leveza da mente,

De que algo foi de partida, um algo encarcerado,

Que se tornara obsessão, uma coisa de demente,

Que nos queimava por dentro, como ferro abrasado.

E ao fugirmos passamos a solitários do espaço,

Vagabundos entre as nuvens, asas de vento vadio.

Num turbilhão de procela, derrota de passo a passo,

A libertar-nos da angústia de um preconceito doentio.

Andar-se assim perdido, nos torvelinhos das ideias,

Fustigados pelas dúvidas de que a vida é ficção,

De mil percursos sem tino, entre lobos de alcateias,

Que ao perseguirem as presas o fazem por intuição…

O homem, o perseguidor, também andará acossado,

Faz-se andar por preconceito, será vítima natural,

Por muito que queira ser, nunca estará preparado,

Pois é dono e servidor no seu reino animal.

Os preconceitos transformam-no num escravo subserviente

Sacam-lhe a vontade própria, o ferrete, das manias;

Perseguido intemporal! Tentando que sua mente

Volte ao que era de início sem donos nem tiranias.

Foto de Arquivo Labor

Dr. Flores Santos Leite

 

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