Passei na Praça, chovia, agora mesmo se viu;

Num gesto simples, afável, o Alberto de mãos tamanhas,

Que no largo acendia o forno que Deus lhe deu,

Estende o braço amável com um cartucho de castanhas.

 

Castanhas quentes, quentinhas da nossa mãe natureza,

Leve-as com Deus, que o acompanhe, são o fruto de muitos sois,

E agora com o sal da vida, veja a beleza,

Leve-as senhor aos seus queridos, que as provem e digam depois!

 

Obrigado, amigo Alberto pela oferta que me faz,

E Deus esteja consigo, com os seus e sua esposa,

Lembrar-me-ei desta tarde chuvosa e serei capaz

De lembrar a sua oferta tão simples como bondosa…

 

Eu jamais esquecerei que haverá neste mundo,

Mais alguém, e algo sublime, tão simples como esta oferta;

De uma mão cheia de um pouco, mas que virá lá do fundo,

De alma simples e tão chã, não cerrada, sempre aberta.

 

Vá com deus, que o castanheiro soltará, sempre que queira,

Os seus braços sobre o lar e os frutos sobre a mesa,

Seja em magusto ou qualquer outro tipo de maneira,

E fá-lo-ei com todo o amor, com toda a estima e beleza

 

Tirei a delgada casca, saboreei as castanhas,

Repensei o ato há pouco, cismei logo de seguida;

Há poesia na vida simples de estrofes tamanhas

Tão grandes como os universos lá longe em longas corridas.

 

Dr. Flores Santos Leite

 

 

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