Aos 61 anos, e quase 30 dedicados ao triatlo, esta foi uma das melhores épocas para o atleta Luís Lima. A prestação regular, com três subidas ao pódio, conseguida ao longo das sete provas, em que participou entre março e outubro de 2019, acabou por permitir que o triatleta sanjoanense alcançasse o segundo lugar na classificação final, na categoria de veteranos 60-64, no Campeonato Norte de Triatlo, competição que engloba o Campeonato Centro Norte – onde Luís Lima conquistou o primeiro lugar na sua classe – e o Campeonato Douro Norte. “Para mim são dois resultados memoráveis e que são desconhecidos aqui na terra”, sublinha o atleta, garantindo que os lugares de pódio são “resultado de muita perseverança e sacrifício”. “Passar despercebido a algumas individualidades aqui de S. João da Madeira custa a engolir”, confessa o triatleta, que hoje mantém o mesmo entusiasmo e vontade com que começou na modalidade no início da década de 90. E quase 30 anos depois Luís Lima conta com alguns números impressionantes e um percurso marcado por alguns altos e baixos e momentos memoráveis. Ao todo são 166 as provas em que participou ao longo das quase três décadas, mas foi com a presença, em 2005, no Ironman, em Idanha-a-Nova, que o triatleta cumpriu um sonho ao competir numa das mais difíceis e desgastantes provas de triatlo do mundo, composta por 3,8 quilómetros de natação, 180 de ciclismo e 42,2 de corrida. Luís Lima foi o último a cortar a linha da meta e precisou de quase 18 horas para completar a prova, mas foi um dos 24, entre 40 participantes naquela edição, a terminar os três segmentos conseguindo chegar ao final de uma competição para a qual treinou durante oito meses. “Começar às 7h00 da manha e terminar quase à 1h00 da madrugada demonstra a exigência da prova”, recorda o atleta, satisfeito por fazer parte dos cerca de 300 portugueses que já participaram naquela competição que teve como palco uma vila que também faz parte das memórias de Luís Lima, mas por motivos bem diferentes. “Foi uma prova que também me marcou porque foi nessa zona que em 1980, quando estava nos paraquedistas, num salto, sete dos meus colegas caíram numa lagoa dos quais dois acabaram por falecer. Durante o segmento de corrida parei um bocado no local onde isso aconteceu para rezar em memória deles”, lembra o triatleta, que ao longo dos vários anos dedicado ao triatlo também se deparou com alguns contratempos que teve que ultrapassar, como várias lesões ou um AVC, em 2012, que o forçou a uma paragem prolongada na competição. Mas nem isso o dissuadiu e prestes a completar 30 anos de carreira, que começou com a participação no Triatlo de Terras de Santa Maria, com a linha da meta instalada precisamente em S. João da Madeira, Luís Lima confessa que o seu percurso na modalidade tem sido “positivo e de evolução”, mas sem grande preocupação com os lugares de pódio. Aliás, ainda que a prestação nas provas tenha sido quase sempre de alguma regularidade, a presença entre os medalhados só começou, segundo o atleta, após chegar o escalão de veteranos. “O meu objetivo é a longevidade e acho que o meu percurso tem sido positivo, principalmente por todo o historial que tenho na modalidade”, refere o triatleta, que aos 61 anos ambiciona agora voltar a marcar presença num “Half Ironman”. “São precisos treinos longos e não tenho tido muito tempo”, explica, admitindo, no entanto, que “três ou quatro treinos de cinco horas” deveriam ser suficientes para uma preparação mínima para conseguir participar numa competição cujas distâncias dos três segmentos são metade da prova principal (Ironman). “A minha ambição não é o lugar, mas terminar a prova”, justifica.

No triatlo, após ter passado por alguns clubes e de várias épocas a competir a título individual, o atleta veste, atualmente, a camisola da Associação Estamos Juntos (AEJ), cuja secção foi criada há cerca de um ano e da qual foi um dos impulsionadores. “A atual direção da AEJ sabia do meu interesse em ter na cidade um clube com triatlo e, a certa altura, abordaram-me sobre a possibilidade de criar uma secção. Reunimos e depois de apresentar e explicar o que era a modalidade a alguns pais, a secção avançou e, desde então, tem vindo a crescer lentamente, mas de forma sustentada”, conta Luís Lima, que faz também parte dos Kágados, coletividade que ajudou a fundar e que representa em provas oficiais da modalidade de atletismo, tendo, esta época, já participado num total de 12. “Sou casado e, com tudo isto, tenho sido um marido ausente”, desabafa o atleta, que faz ainda parte da Associação de Paraquedistas “Terras de Santa Maria” e da Associação de Atividades Subaquáticas SJM SUB.

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