Em janeiro de 2018 assumiu funções como Vereadora do Desporto e Juventude. Como foi este primeiro ano de mandato, nomeadamente ao nível desportivo?

Foi um ano de muita responsabilidade e que pode ser dividido em duas fases, onde que procurei fazer um diagnóstico para perceber quais as necessidades. O primeiro meio ano foi dedicado inteiramente ao desporto, uma área onde tinha algum conhecimento, não só pela minha formação e por viver na cidade, mas também porque tinha ligações ao associativismo. Basicamente, esse diagnóstico permitiu criar uma linha estratégica que veio, de certa forma, consolidar todo o programa que é necessário implementar, mas com conhecimento da realidade. Já no segundo meio ano foi feito um diagnóstico à juventude para perceber o que era necessário fazer ao nível de políticas para a juventude para a cidade.

O primeiro meio ano não foi, então, de implementação de tarefas ou de trabalho de fundo.

Implementaram-se algumas coisas ao mesmo tempo que fomos verificando quais as carências com a realização do diagnóstico. Temos, por exemplo, o programa sénior, que já existia, mas de forma isolada e, atualmente, estamos a trabalhar para que o programa desportivo possa integrar o programa ativo, que está sob a responsabilidade da ação social.

Depois deste primeiro ano, 2020 será, então, de trabalho no que diz respeito ao pelouro do desporto?

Exatamente, porque o diagnóstico já foi feito e, agora, os programas já fazem mais sentido. Quando cheguei aqui, em janeiro, achava que havia algumas pontas soltas e agora vamos trabalhar para ir ao encontro das necessidades. As atividades que já existiam mantêm-se, mas temos de as aprofundar e interligar.

“As atividades que já existiam mantêm-se, mas temos de as aprofundar e interligar”

E quais foram as conclusões do diagnóstico realizado ao nível do desporto?

Temos várias vertentes que são importantes, como o desporto federado, e a autarquia tem de olhar para as associações como um parceiro e vice-versa. A comunicação é um aspeto que tinha que ser melhorado e temos trabalhado nesse sentido, mas há, ainda, um longo trabalho pela frente. Nesse sentido, tem sido evidente uma maior aproximação entre a câmara municipal e as coletividades e o facto de eu estar mais próxima, no terreno, veio consciencializar a autarquia para o que é necessário mudar. E começámos logo pelas nossas infraestruturas que têm patologias e que são fundamentais para o desenvolvimento desportivo. Temos condições para a prática de desporto, mas é necessário melhorá-las. A cobertura do Pavilhão Paulo Pinto, por exemplo, era um problema e que muitas vezes obrigava a cancelar jogos. A iluminação do mesmo recinto não estava prevista, mas era uma necessidade. Ou o relvado das piscinas exteriores que carecia de intervenção. O Pavilhão das Travessas que sofre de várias patologias e que neste momento estamos a trabalhar no sentido de as resolver.

Há uma série de medidas que temos que tomar para ir ao encontro das necessidades das coletividades e dos atletas, porque depois o trabalho no terreno é das associações.

Qual o balanço deste primeiro ano de vereação?

Acima de tudo, penso que foi um ano positivo. De repente saltei do terreno para o outro lado para fazer algo que não tinha pensado fazer, mas penso que, dentro das minhas competências consegui alcançar os propósitos para os quais me desafiei neste papel, como a proximidade com as associações.

Ao nível dos eventos conseguimos, dentro do orçamento, concretizar tudo o que planeamos e ainda acrescentar valor e iniciativas. O nosso compromisso é não inviabilizar nenhuma atividade que venha de uma associação da cidade. Se fizer sentido vamos apoiar e se conseguirmos acrescentar valor vamos trabalhar para isso. Foi o que aconteceu com a realização na cidade de uma prova de triatlo, algo que fazia todo o sentido uma vez que temos a modalidade através da AEJ.

A comunicação também tem sido uma aposta forte nossa, com a divulgação das iniciativas pela cidade e a criação de uma página no facebook do desporto de S. João da Madeira, onde publicamos as diversas atividades.

“Para nós não é importante só a bandeira, mas tudo o que ela pode trazer à cidade”

E tem sido uma preocupação da autarquia trazer para a cidade eventos que sejam, não só uma referência, mas também de grande dimensão?

Claro, porque percebemos que trazendo esse tipo de eventos para a cidade conseguimos uma maior dinâmica e desenvolvimento da economia da cidade e do seu comércio. Isso, por sua vez, também vai contribuir para que o comércio apoie o desporto. É com estas dinâmicas que também conseguimos outros parceiros em iniciativas de relevo e que tragam algo de novo. O nosso objetivo é crescer no apoio às marcas da cidade e tudo o que vem das associações é uma marca, algumas já com uma expressão maior, como o Andebolmania, o ADS Cup, o Interassociações de Futsal ou o Congresso da AFA.

Sei que há concelhos que estão a fazer pressão para que alguns eventos saiam de cá pelo impacto que causam na economia.

Quais foram as principais dificuldades com que se deparou ao longo deste primeiro ano de mandato?

Foi tomar conhecimento de tudo e da sua dimensão, de todos os pressupostos implementados no passado e inteirar-me de todos os dossiês. Os eventos desportivos são uma pequena parte, porque depois temos, por exemplo, os contratos de desenvolvimento desportivo, que são um dos aspetos preponderantes e fundamentais para toda a ação desportiva da cidade. Quando entrei em janeiro não tive o tempo necessário para me debruçar sobre os mesmos, porque os valores tinham que ser aprovados para não inviabilizar a ação das associações. Fiz uma análise, mas as alterações foram cirúrgicas. Para a época de 2019/2020 já tenho sustentação porque o diagnóstico foi feito e já conheço o documento que precisa de melhoramentos. Penso que este ano, a esse nível, vai ser diferente. Vamos acrescentar valor e aproximar-nos das realidades e especificidades de cada modalidade.

Num concelho tão pequeno, mas enorme no que diz respeito à atividade desportiva, como é feita a gestão dos espaços para as mais de 20 associações?

Não entramos em rutura com o passado. Se todas revindicam mais tempo de treino, a verdade é que na nossa gestão nada cresceu. Não foi construído um novo pavilhão. Mas a minha filosofia foi de que nenhuma coletividade perdesse nada em relação ao ano anterior. Para solucionarmos o problema montámos dois cenários. O do passado, com 1h30 de treino para cada escalão, e um novo, que implicava uma reorganização passando o tempo para 1h15. É um facto que se perderia 15 minutos por treino, mas no final isso refletia-se em mais treinos semanais. A Sanjoanense ficou agradada e as coletividades mais pequenas ficaram maravilhadas com a mudança.

“Tudo o que vem das associações é uma marca”

Uma das lacunas no que diz respeito aos espaços desportivos verifica-se no atletismo, que há muito revindica uma pista para treinar.

O atletismo tem sido o parente pobre da cidade, mas olhando para o diagnóstico que foi feito não é uma situação fácil de ultrapassar. Se, por um lado, temos uma modalidade que necessita que algo seja construído de novo, por outro, temos algumas infraestruturas que carecem de intervenção imediata. Temos estado atentos, mas a verdade é que não têm surgido financiamentos, mas é uma das nossas prioridades. Para o atletismo a intervenção que pretendemos realizar já é a mudança da pista que existe no corredor do Pavilhão das Travessas e precisamos, efetivamente, de uma caixa de areia. Estou a trabalhar com o departamento de obras para intervir em pequena escala para criar algumas condições com vista a atenuar o problema.

A requalificação da pista do Estádio Conde Dias Garcia não poderia ser uma solução?

Já abordei o presidente da Sanjoanense sobre essa situação, mas agora, com a SAD, há outros constrangimentos. Não há, ainda, uma tomada de decisão, mas as coisas estão a ser trabalhadas. A verdade é que este é o segundo ano de mandato do atual executivo e tivemos de resolver algumas situações que acabaram por ser mais urgentes.

No início de 2019 a pista de cross construída em Fundo de Vila, que está por inaugurar e à qual será atribuído o nome Alberto Batista, sofreu danos devido ao mau tempo. Como se encontra a situação?

Está a ser trabalhada com o empreiteiro que realizou a obra. São coisas que demoram algum tempo porque vai ter de ser reformulada. É quase como uma nova empreitada para retificar as patologias que, com as chuvas, se revelaram.

Em 2018 a autarquia lançou a campanha “Respeite o seu filho”, uma iniciativa que acabou por se revelar um sucesso.

Trata-se de uma medida local, lançada pelo município, que foi eleita “Medida Desportiva do Ano2019” no âmbito no programa “Reconhecimento no Desporto 2019”, que distingue os municípios que se destacam na área do desenvolvimento desportivo. No início deste ano estivemos no Luso a apresentar a campanha a todos os municípios amigos do desporto e ao explicar em que consistia e o que já tinha sido feito fomos abordados por três ou quatro autarquias que nos deram os parabéns pela iniciativa e a questionarem o que poderiam fazer para terem acesso ao material de forma a poderem replicar o projeto.

Trata-se de um programa onde existe uma forte parceria com as associações da cidade, que foram incansáveis na partilha do projeto com os encarregados de educação.

“A ideia é ter o desporto ao lado de grandes causas”

E o trabalho que a autarquia tem realizado em prol da ética no desporto acabou reconhecido, no passado mês de setembro, com a Bandeira da Ética, atribuída pelo Plano Nacional para a Ética no Desporto (PNED).

Sem dúvida. Trata-se da atribuição de um símbolo que reconhece um trabalho importantíssimo que a autarquia tem vindo a desenvolver e a colocar em prática. O trabalho efetivo tem de ser feito no terreno e é aí que temos de melhorar.

É um galardão que traz responsabilidades acrescidas ao município?

Claro. É um reconhecimento efetivo, mas o trabalho é de continuidade. Para nós não é importante só a bandeira, mas tudo o que ela pode trazer à cidade como forma de potenciar e ensinar aos nossos jovens, e até aos seniores, veteranos e pais, os valores da formação.

Então o trabalho ainda está longe de acabar?

Muito longe. Aliás, penso que é um trabalho que nunca acaba porque vai haver sempre alguma coisa a melhorar. Esta é uma campanha que tem muito para dar, acho que é infindável. A ideia é ter o desporto ao lado de grandes causas e como veículo de promoção.

Loading Facebook Comments ...

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, insira o seu comentário!
Por favor, insira o seu nome aqui