A Burocracia do…Privado

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É um hábito muito português queixarmo-nos da burocracia do Estado, pelo menos desde o tempo em que éramos obrigados a usar a “papel selado” e a “folha azul de 25 linhas”. Para quem não sabe, antes do 25 de abril tudo o que fosse requerimento era feito em grossas folhas azuis de 25 linhas e o papel selado (azul mas com um selo) vendido pelo Tesouro era obrigatório em quase tudo. Hoje os mais letrados chamar-lhe-iam “custos de contexto” ou outra inovação linguística similar. Mas manda a verdade dizer que hoje temos, para com o Estado, a nossa vida muitíssimo facilitada. À distância de um clique acedemos a quase tudo e contactamos com quase todos os departamentos públicos: Finanças, Segurança Social, Registos e Notariado, etc. E não só com o Estado. Com muitas das empresas que nos prestam serviços. Mas, tal como começam os livros do Asterix, poderíamos dizer que praticamente toda a gente desburocratizou. Toda? Não. Tal como a aldeia gaulesa era a exceção ao domínio romano na Gália, também em Portugal temos uma empresa que é a aldeia (nesta caso chinesa) que resiste aos novos tempos da desburocratização. E quem é essa empresa, quem é? SURPRESA… É a EDP. Eu explico. Há dias enviei um mail para o competente serviço de apoio ao cliente desta empresa, solicitando que a partir de então as faturas eletrónicas me fossem enviadas para um novo endereço de email. Coisa simples. Já o tinha feito com uma empresa que fornece a água e a coisa não foi complicada. Enviaram-me um formulário para assinar digitalmente e para devolver, de modo a que ficasse provada a autenticidade do cliente. Esperava da EDP um procedimento se não mais, pelo menos tão simples quanto este. Mas não. A resposta foi-me enviada por mail com três ficheiros anexos, num total de 29 páginas que teria de imprimir, ler (obviamente…), assinar, digitalizar e devolver em novo email. Pomposamente chamavam a isto tudo “Condições do seu novo contrato de Energia com a EDP Comercial”. Ora eu só tinha pedido para alterarem o email para envio das faturas. Não queria alterar contrato nenhum. Liguei para o número de apoio na ingénua tentativa de desfazer o que eu considerava poder ser um equívoco. Não. Não era, disse-me a senhora. Tinha de fazer tudo de novo como se fosse um contrato alterado. “Mas eu não quero alterar o contrato, as condições, etc… “ voltei a explicar. Pois. A senhora compreendia e até me percebia (o que foi um alívio abençoado) mas eu tinha de fazer como relatava o mail da empresa. Desalentado, até porque o pedido era para as faturas de duas instalações (logo tudo a dobrar…) resolvi escrever para a empresa pedindo encarecidamente para não alterarem o email. Podiam continuar a enviar as faturas para o mail antigo. Por favor, sim?

Balha-me Deus!

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