O quanto antes 

Cerca seis anos depois de ter vencido o Orçamento Participativo Municipal e após terem sido investidos à volta de 100 mil euros, o Albergue para Animais Errantes “é uma obra completamente desajustada da realidade” e que não honra o “trabalho meritório da Ani São-João”, que aliás “devia ser reconhecido por todos”. Esta última terça-feira, Luísa Ramalho pediu a palavra em sede de executivo municipal para chamar à atenção para as “dificuldades” com que a Associação dos Amigos dos Animais de S. João da Madeira tem vivido depois de há aproximadamente um ano se ter mudado para aquele equipamento municipal construído no lugar de Casaldelo. Na ocasião, perguntou “quando se pretende elaborar o protocolo [de gestão e operação]”.

“As redes são inseguras e estão danificadas, os acessos estão degradados, o caminho enlameado”, afirmou esta munícipe, indo ao encontro do que Ana Couto havia dito poucos minutos antes. Também esta sanjoanense já tinha apontado o dedo às “condições de vida miserável”, quando chove, das dezenas de cães que ali estão albergados.

É também preciso reforçar a vedação para evitar fuga de animais 

Questionada pelo labor, à margem da reunião de câmara, a presidente da Ani São-João confirmou que há, de facto, problemas que precisam de uma solução urgente e que já foram reportados a quem de direito via email – entenda-se autarquia – em novembro passado. A começar pela falta de escoamento e pela existência de luras no solo.

“Com as chuvas veio outra vez o problema de base de construção em termos de escoamento junto ao edifício central e na parte do recreio” chegando-se ao ponto de “a funcionária ter de trabalhar de galochas com água até aos tornozelos” e até dos cães andarem literalmente na água (como se pode ver na foto que ilustra a notícia), descreveu Raquel Pinho, para quem esta questão, “como é estrutural, terá de ser assegurada pela câmara”.

Mas, segundo esta responsável associativa, há ainda a necessidade de se reforçar a vedação para evitar a fuga de animais, intervenção que será levada a cabo pela própria Ani São-João. “Esta é uma [outra] situação que nos aflige”, mas que, como explicou ao nosso jornal Raquel Pinho, só poderá ser resolvida depois de o protocolo entre a Ani e o Município ser assinado.

Protocolo ainda “não foi assinado por questões de agenda”

E por falar em protocolo, este só ainda “não foi assinado por questões de agenda”, garantiu Jorge Sequeira às jornalistas, já no final da reunião, assegurando também não haver qualquer “problema” entre as duas partes. Recorde-se que o nosso semanário, na sua edição de 7 de fevereiro de 2019, noticiava, com base em declarações de Raquel Pinho, que a assinatura estaria “para breve”, o que passado quase um ano ainda não aconteceu.

Em janeiro de 2020, o documento está por assinar e o albergue por inaugurar. Mas isso, na ótica do autarca, não ensombra todo o trabalho que tem sido feito pelo executivo em prol da causa animal. Primeiro, porque “a Ani já está lá”. Depois, porque “neste executivo [para além do recreio e da sua vedação] foram construídas mais oito boxes”, para além das quatro que havia inicialmente. Construção que, de acordo com Jorge Sequeira, “seguiu o procedimento das regras adequadas”.

Dirigindo-se a Ana Couto e a Luísa Ramalho, o edil sublinhou que “houve um grande esforço financeiro com as obras de ampliação para melhorar as condições e aumentar a capacidade de acolhimento” do Albergue para Animais Errantes. Lembrou ainda a adoção de dois gatos pela edilidade, a eleição do Provedor Municipal dos Animais de S. João da Madeira “muito brevemente” e a aprovação, igualmente para breve, do Regulamento do Programa de Apoio à Esterilização de Cães e Gatos. Todas elas medidas pelas quais “devemo-nos orgulhar”, referiu Jorge Sequeira, segundo quem “o importante é destacar que estamos muito melhor do que estávamos”.

Parque de matilhas não convence defensora da causa animal

Para Luísa Ramalho, “duas áreas de cerca de 250 m2 cada”, que vão compor numa primeira fase o parque de matilhas a construir junto do Canil Intermunicipal da Associação de Municípios das Terras de Santa Maria, “é pouco” para acolher todas as matilhas que existirão nos cinco concelhos. Esta munícipe, conhecida por defender a causa animal, crê e disse-o na reunião de câmara que só “S. João da Madeira tem cinco ou seis matilhas”, sendo certo que “cada vez estão a aparecer mais”.

Já Jorge Sequeira afirmou que a construção do parque de matilhas “é uma medida positiva”. “Está-se a fazer caminho, porque o parque não existia e vai ser construído”, fez ver o autarca.

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