É a Cultura, estúpido!

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Não interpretem mal o título desta crónica que não pretende ser ofensivo, mas tão somente um snowcloneda famosa expressão “The economy, stupid”, celebrizada pelos democratas na campanha presidencial norte-americana de 1992. O seu mentor foi James Carville, naquela época assessor de comunicação política de Bill Clinton que viria a vencer essas eleições destronando o presidente George Bush (pai).

Lembrei-me desta frase ao ler as tentativas estéreis da atual oposição de desvalorizar o papel da Cultura na ação política municipal, em comparação com outras áreas de atuação, a propósito de uma reunião do presidente da Câmara com a Ministra que tutela a área. Para além de inesperados, estes testemunhos são completamente esquizofrénicos se tivermos em conta o muito e bom que foi feito na última década no panorama cultural da nossa cidade – quando a atual oposição liderava os destinos da autarquia -, com natural realce para Suzana Menezes que liderou a Divisão de Cultura e Turismo da Câmara de 2009 a 2018, não sendo por isso um acaso o facto de hoje desempenhar as funções de Diretora Regional de Cultura do Centro.

Aos diversos equipamentos culturais de excelência de que S. João da Madeira passou a dispor, como o Museu da Chapelaria, o Museu do Calçado, o Centro de Arte Oliva, os Paços da Cultura, a Casa da Criatividade e a Oliva Creative Factory, o Partido Socialista somou uma renovada dinâmica política e enorme sensibilidade para aperfeiçoar o que necessitava de ser aperfeiçoado e reforçar, sobretudo, a aposta numa cultura mais democratizada, para todos os públicos, diversificada, de qualidade e socialmente útil.

Depois de ultrapassada a fase do hardware, sem descurar eventuais melhoramentos que necessitem de ser realizados, entramos na fase do software, isto é, do iniciar ou consolidar eventos que sejam relevantes no panorama cultural regional e nacional. E nesse campo, o PS tem sido exímio, com Jorge Sequeira ao leme de um barco que se vê com uma rota bem definida por um presidente que é, reconhecidamente, superior do ponto de vista político, intelectual e cultural.

São exemplos disso os apontamentos de arte contemporânea e de momentos culturais diversos que vamos vendo por todo o lado, do Fórum Municipal aos Bairros; os próprios bancos de lápis da Viarco espalhados pela cidade e que ajudam a evidenciar e a perpetuar a nossa memória coletiva; os espetáculos de qualidade que se sucedem na Casa da Criatividade; a dinâmica da atividade dos museus; os eventos na Praça; a inclusão do Palacete dos Condes no programa REVIVE; ou até mesmo a iniciativa do cartão Amigo da Casa (da Criatividade), que promove descontos, bilhetes grátis e, sobretudo, fideliza públicos.

Por tudo isto, tentar, seja de que forma for, desvalorizar o papel da cultura na sociedade comparativamente com outras áreas da ação política não só é errado como é demonstrativo de profunda ignorância e desesperada maledicência partidária. A esse respeito, conta-se que quando Winston Churchill convocou o Governo britânico para aprovar um redobrado esforço financeiro no plano bélico, perante o avanço do nazismo, terá sido abordado pelo ministro da Cultura que, conformado, lhe terá dito: “Lá vamos ter de cortar no orçamento da Cultura”; ao que Churchill terá respondido: “Cortar na Cultura? Nem pense nisso! Então, para que é que estamos a fazer esta Guerra?”.

Porque Churchill sabia que uma nação que não valorize a sua Cultura é uma nação sem futuro! Não é certamente isso que nós queremos para S. João da Madeira e ainda bem que estamos no bom caminho.

 

Leonardo Silva Martins,

Deputado Municipal eleito pelo Partido Socialista

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