Com as autárquicas de 2021 na mira e acusando a oposição de estar sem “rumo” 

Para já, Rodolfo Andrade é o único que anunciou publicamente que vai a votos no ato eleitoral para a comissão política concelhia (CPC) do Partido Socialista (PS) que elegerá os órgãos para o biénio 2020-2021. Ainda no passado dia 8 o atual líder da concelhia de S. João da Madeira dirigiu uma carta aberta aos militantes e simpatizantes do PS a dar nota dessa intenção. Missiva na qual se apresenta “como recandidato a liderar uma equipa de continuidade, para prosseguir o trabalho que temos feito em prol da cidade e dos sanjoanenses, com o grande objetivo de vermos renovada a confiança que em nós depositaram em 2017, quando vencemos por larga maioria as eleições para todos os órgãos autárquicos”.

As eleições estão marcadas para 31 de janeiro, sendo que até dia 23 poderão aparecer outros candidatos. No caso da lista de Rodolfo Andrade, “está a ser ultimada e será entregue dentro dos prazos estipulados”, mas ainda não são conhecidos os nomes de quem a compõe. Só se sabe, por enquanto e isto segundo declarações do seu “número um” ao labor, que se trata de “uma lista transversal, que congrega experiência, com juventude e com autarcas, na linha daquilo que foram os últimos anos desde 2016 e que deu os bons resultados que são sobejamente conhecidos”.

“Sabíamos que um partido político às avessas nunca seria capaz de convencer e atrair os sanjoanenses”

Rodolfo Andrade parte para esta (re)candidatura com “um considerável aumento do número de militantes e simpatizantes nos últimos anos” e também, sobretudo desde 2017, com “uma forte mobilização dos sanjoanenses em torno das causas que nós abraçamos”. “Exemplo disso foi a capacidade do PS em atrair muitos independentes para as listas autárquicas, como são exemplos as atuais vereadoras Irene Guimarães e Paula Gaio ou a presidente da Assembleia Municipal, Clara Reis, que dispensam apresentações”, disse ao nosso jornal, não avançado com o número de militantes socialistas, mas fazendo questão de recordar o trabalho que foi feito “com grande teimosia”, já com ele na liderança da CPC “ainda que de forma interina”, no sentido de “estabilizar, unir e devolver a confiança à concelhia do PS”.

Rodolfo Andrade reconheceu, nesta conversa com o labor, que quando “tomou as rédeas” da concelhia o partido estava “às avessas” e que “sabíamos que um partido político às avessas nunca seria capaz de convencer e atrair os sanjoanenses para um projeto sólido para o desenvolvimento da cidade”. Em seu entender, “os projetos políticos não se fazem só de palavras, de manifestos, de programas eleitorais. Fazem-se, sobretudo, de pessoas e foi sempre esse o nosso foco”. “Por isso – como prosseguiu – gerimos com pinças o sempre difícil processo de elaboração de listas, onde definimos como prioritária a aposta em pessoas fora da esfera partidária e em jovens que tiveram o reconhecimento do seu trabalho”.

Resultado disso foi a vitória esmagadora do PS local em todas as frentes autárquicas, digamos assim. De acordo com o também líder da bancada do PS na Assembleia Municipal,“2017 foi um ano histórico para o PS de S. João da Madeira e marcante para a cidade que decidiu por larga maioria mudar o rumo que estava a ser seguido”. Mas atenção que “há ainda muito por fazer”, conforme admitiu.

Na sua opinião, “o trabalho em prol da nossa cidade e dos sanjoanenses nunca estará terminado enquanto não forem corrigidas todas as injustiças sociais, enquanto existir um único concidadão a aguardar por habitação social, enquanto existirem escolas e infraestruturas desportivas a necessitarem de obras de reabilitação, enquanto não tivermos uma Praça e um Mercado Municipal dignos e cosmopolitas”, etc.. “É por estes objetivos que continuaremos a trabalhar”, garantiu.

“Não há registo de uma força e de um dinamismo tão grande da estrutura concelhia do PS como atualmente”

“Esta [minha] recandidatura relança as bases para o próximo biénio e tem como grande objetivo vermos renovada a confiança que os sanjoanenses em nós depositaram em 2017. E sabemos que isso só acontecerá se mantivermos o PS estável, dialogante, aberto à sociedade e a cumprir com o seu programa eleitoral”, afirmou Rodolfo Andrade, assegurando que “não há registo de uma força e de um dinamismo tão grande da estrutura concelhia do PS como atualmente”.

Segundo referiu, “pela primeira vez, o PS ganhou com uma larga maioria as eleições autárquicas em S. João da Madeira. Por isso, tem, atualmente, um número de autarcas como nunca teve. Internamente, a concelhia tem voz ativa nos órgãos distritais e nacionais do partido, com destaque para o presidente da federação distrital, Jorge Sequeira, e para o nosso ministro, Pedro Nuno Santos”.

Com as autárquicas de 2021 na mira, Rodolfo Andrade espera que o PS mantenha a confiança dos eleitores de S. João da Madeira e que se repita o que aconteceu em 2017. Até lá salienta que este ano “será marcado pelo arrancar de grandes obras” há muito adiadas, como a revitalização da Praça, a modernização do Mercado Municipal, a requalificação do Pavilhão das Travessas e da Escola Básica e Secundária Dr. Serafim Leite, a reabilitação de habitações sociais nos bairros e a intervenção no sistema de drenagem e tratamento de águas residuais.

Como grandes iniciativas deste executivo municipal presidido pelo camarada Jorge Sequeira, mencionou o apoio à vacinação dos recém-nascidos sanjoanenses, a cadeira de dentista, o TUS gratuito para estudantes, a requalificação do parque habitacional do município e a criação de um projeto-piloto de recolha de agulhas usadas resultantes da administração de insulina e de outros tratamentos. Além disso, destacou o que já foi levado a cabo pela câmara para que a cidade seja mais verde e tenha menos plástico, desde a implementação de medidas de combate ao plástico descartável em eventos públicos municipais, instalação de iluminação LED, lançamento de campanhas de reciclagem nas escolas, remoção das coberturas de fibrocimento dos edifícios públicos, etc..

 

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Rodolfo Andrade

Rodolfo Andrade tem 39 anos, completando este ano 20 de militância no PS. É diretor financeiro da Multicouro, empresa familiar sediada na cidade. É há quatro mandatos consecutivos deputado eleito à Assembleia Municipal de S. João da Madeira, sendo líder da bancada do PS há seis anos. Assumiu interinamente a presidência da concelhia socialista em 2016, tendo estabilizado internamente o partido e liderado o sempre difícil processo de escolha dos candidatos autárquicos e de elaboração das listas socialistas, que viriam a sair vencedoras pela primeira vez em mais de 40 anos. Em 2018 foi eleito para um primeiro mandato na liderança da concelhia, sendo recandidato agora às eleições que se irão realizar no final deste mês.

 

Postura do PSD e do CDS-PP “em nada beneficia a democracia e a cidade”

 

Em resposta à nossa questão sobre o que pensa da oposição feita pela coligação PSD/CDS-PP, Rodolfo Andrade começou por dizer que não lhe “compete comentar a vida interna dos outros partidos”. Mesmo assim, e segundo afirmou ao labor, “temos denunciado a postura do PSD e do CDS-PP, que se tem pautado por uma abordagem demagógica e por colocar a circular ‘fake news’, o que em nada beneficia a democracia e a cidade”.

Segundo o recandidato à concelhia de S. João da Madeira do PS, “estes partidos ainda não encontraram o seu rumo no pós-eleições autárquicas de 2017 e precisam de se renovar e de procurar alternativas credíveis, que beneficiem a discussão saudável e o debate sério e construtivo de políticas públicas”. Na sua ótica, “em dois anos isso ainda não aconteceu, porque os intervenientes são os mesmos e o PSD e o CDS-PP não aceitaram o resultado das eleições e estão presos ao passado, não conseguindo discutir e vislumbrar o futuro”.

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