O Clube Ciência Viva na Escola do Agrupamento de Escolas Dr. Serafim Leite promoveu, no passado dia 17 de janeiro, nos Paços da Cultura, a conferência “Astrobiologia: o contexto cósmico da vida”, pelo Dr. Daniel Folha, do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto. Esta atividade esteve enquadrada num ciclo cujo tema genérico é “Astronomia & Sociedade” e que compreenderá mais duas palestras, a próxima das quais sobre o tema “exoplanetas”.
Após a apresentação do orador, feita pelo professor Pedro Gual, coordenador do Clube Ciência Viva na Escola do Agrupamento de Escolas Dr. Serafim Leite, o Dr. Daniel Folha começou por contextualizar esta área de investigação que aborda o tema da “vida” no seu contexto cósmico. Antes de entrar no assunto central, o orador fez uma abordagem de temas como o conceito de vida, a sua origem e evolução, as possibilidades de existência de vida para além da terra e as formas de a detetar. Reconhecendo que toda esta temática exige uma abordagem multidisciplinar que envolve, entre outras, a Biologia, a Astronomia e as Ciências Planetárias, o Dr. Daniel Folha conduziu a sua argumentação até ao ponto de deteção da condição essencial para a existência de vida tal como a conhecemos: a existência de água. A partir desse dado, definiu aquilo que se chama a “zona de habitabilidade” dos sistemas planetários, ou seja, o conjunto de planetas que, num determinado sistema, têm condições para ter água e, consequentemente, vida. Começou essa abordagem pelo sistema solar e, seguidamente, deu alguns exemplos de descobertas recentes que nos permitem admitir a existência de exoplanetas com condições de habitabilidade. Lembrou ainda que os chamados “extremófilos”, organismos que conseguem viver em condições extremas, podem enquadrar-se nessa possibilidade de existência de vida, tanto em Marte, como em planetas mais distantes.
Na parte final da conferência, a assistência foi brindada com algumas fotos deslumbrantes do Telescópio Espacial Kepler, nomeadamente Kepler Orrery IV, uma sequência de movimentos orbitais de mais de mil exoplanetas, e uma foto tirada pela sonda espacial Cassini, a partir da órbita de Saturno, na qual a Terra aparece representada por um pixel, a uma distância de 1446 milões de quilómetros.
Finda a exposição, seguiu-se um animado debate, envolvendo questões científicas, mas também filosóficas e religiosas, das quais não resultaram conclusões, porque a diversidade de abordagens não é muito propícia à existência de consensos. Mas o interesse pelo tema foi evidente, tanto para os jovens como para os menos jovens que tiveram a excelente ideia de comparecer nos Paços da Cultura.
No final, o professor Pedro Gual agradeceu ao Dr. Daniel Folha e à presidente da Junta de Freguesia pela colaboração prestada, e desafiou os presentes a comparecer na próxima conferência, que se realizará no dia 13 de março, para poderem viajar até mais além.

Celestino Pinheiro

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