“E essa entrevista até é a que fecha o livro. Sabe porquê? Porque a entrevistadora (conhece-a?) é boa. E perpassa o meu percurso e aborda uma problemática que não tinha sido tratada nas outras entrevistas: a questão do fim do mundo e o Apocalipse”, afirmou o Padre Anselmo Borges explicando, assim, o porquê de a entrevista que deu ao labor em finais de setembro de 2018 também fazer parte da sua mais recente obra editada pela Gradiva em setembro do ano passado.

“Conversas com Anselmo Borges – a Vida, as Religiões, Deus” “é um livro que recolhe uma selecta de entrevistas” que o autor foi dando de 2007 a 2019 a jornais, à rádio e às televisões. Tem um prefácio de Jaime Gama, um posfácio de Lídia Jorge e uma capa, “lindíssima”, do arquiteto Souto Moura, aos quais “estou muito grato”, como fez questão de sublinhar, aquando de uma nova conversa com o nosso semanário esta semana.

“Conversas com Anselmo Borges” pretende “levar as pessoas a interrogar-se e a pensar”

Tal como com todos os outros trabalhos bibliográficos da sua autoria, também com este “pretendo levar as pessoas a interrogar-se e a pensar”, referiu o professor universitário, acrescentando que “esta é também a mensagem principal deste livro”, dividido em sete partes.

Na primeira, com o título “Um percurso existencial”, aparece o essencial do percurso existencial e intelectual do Padre Anselmo Borges.

Na segunda, “Religião/Religiões, o Sagrado e Deus”, o escritor reflete sobre o que deve entender-se por religião, “parecendo-me essencial um conceito adequado do que é a religião, para se poder ter um debate minimamente adequado, sobre essa problemática tão atual sobre religião/religiões e o diálogo inter-religioso. Também aparecem as bases críticas para a leitura da Bíblia e reflexões sobre o tratamento das mulheres nas religiões, Deus e o cérebro, o Diabo e os exorcismos,o pecado original…”.

A terceira, “Festividades”, é uma reflexão sobre algumas festas principais: o Natal, o Ano Novo, o Carnaval, a Páscoa.

O capítulo seguinte, com o título “Deus. Que Deus?”, quer mostrar como a fé em Deus é, também no nosso tempo de predomínio da ciência e da crítica, uma atitude que não agride a razão, mas um ato razoável, um ato de que o crente pode e deve seguramente e sem medo dar razões.

Surge, depois, um capítulo dedicado precisamente aos valores: “Os valores”, uma reflexão sobre os valores: a liberdade, nós e os outros, o ser que deve ter o primado sobre o ter, o ócio no sentido profundo do termo, a bondade e a razão, o silêncio, aquilo que eu chamo a “sida espiritual” …

GN

A sexta parte, “Francisco e o futuro da Igreja”, é consagrada à urgente renovação da Igreja encetada por Francisco. Para o teólogo, “Francisco é uma bênção para a Igreja e para o mundo, a grande referência político-moral global hoje. Ele é isso tudo porque é cristão, no sentido de ser um discípulo autêntico de Cristo, por palavras e obras, como é sabido. E está a operar uma verdadeira revolução na organização da Igreja, que não pode continuar piramidal, vertical, dividida em duas classes – clero e leigos -, mas sinodal, com a participação de todos. Por isso é que tem tantos adversários e até inimigos, que não querem abdicar dos seus privilégios, do seu clericalismo e carreirismo, sobretudo dentro da Cúria Romana, que continua a ser um cancro na Igreja. Mas Francisco não se deixa intimidar e ainda esta semana, aparecerá, na sequência do Sínodo para a Amazónia, realizado em Roma em outubro passado, a exortação papal na qual, estou convencido disso, abrirá a porta à possibilidade de ordenar homens casados e reconhecerá ministérios para as mulheres, também no sentido de estas não continuarem a ser vergonhosamente discriminadas na Igreja”.

Finalmente, a última parte, como diz o título, “A morte e o seu além”, é consagrada às perguntas últimas e aos temas decisivos: qual o sentido, o sentido último da vida confrontada com a morte?, morremos e acaba tudo?, o que há depois da morte? O inferno existe?

Questionado sobre a aceitação de “Conversas com Anselmo Borges” por parte dos leitores, o autor respondeu que tem sido “até muito boa”. “Depois de três meses, já estava na segunda edição. Sabe? Também o estilo de pergunta-resposta ajuda muito, pois torna a leitura mais fácil e agradável”, disse com humildade, bem ao seu jeito.

Novas obras já em preparação

Não é uma, mas são várias as novas obras que o Padre Anselmo Borges está já a preparar. Uma delas é acerca do Alcorão, outra sobre o projeto de “Uma Igreja outra” e “há 10 anos prometi a uma grande editora uma obra precisamente sobre a temática dos valores e quero cumprir a promessa, se Deus me der vida e saúde”, adiantou o padre da Sociedade Missionária Portuguesa.

Para além disso, espera “apoiar, na medida do possível”, a APECER (Academia Para o Encontro de Culturas e Religiões), da Universidade de Coimbra, de que é presidente honorário, continuar a crónica semanal no Diário de Notícias, as aulas na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e atender a constantes pedidos que lhe fazem para conferências, colóquios e palestras.

 

Padre Anselmo Borges está de volta à cidade 

Este próximo sábado, dia 1 de fevereiro, o Padre Anselmo Borges está de regresso a S. João da Madeira (SJM). Cidade à qual diz voltar “com imensa satisfação” por ser “sempre bem recebido” e “onde tenho bons amigos, como, só para dar dois exemplos, o presidente do Município, Dr. Jorge Sequeira, que faz o favor de, há longa data, ser um desses amigos, e o Dr. Pedro Silva, diretor do jornal labor”.

O padre da Sociedade Missionária Portuguesa, conhecido por “não ter papas na língua”, é o orador convidado da conferência “Já não há valores?”, integrada no ciclo Pensar Futuro e agendada para as 17h00, nos Paços da Cultura. O acesso é livre, mas sujeito a levantamento prévio de bilhete nos Paços da Cultura ou na Torre da Oliva.

Anselmo Borges escolheu o tema em causa por julgar “ser um tema essencial em si mesmo e porque ouço constantemente as pessoas a dizerem, desiludidas e quase desanimadas, quando olham para o que está a acontecer à sua volta e no mundo: ‘já não há valores’. Aliás, com esta sua intervenção em SJM, pretende, como afirmou ao nosso semanário, “mostrar essencialmente duas coisas: que sim, que continua a haver valores, mas que o problema fundamental da nossa sociedade e do nosso tempo é que se deu uma inversão na escala, na pirâmide ou hierarquia dos valores”.

 

 

Janeiro e Ana Bacalhau atuam juntos na Casa da Criatividade

 Receber os amigos na sala de estar, para uma noite de música e conversa descontraída. É isso que Janeiro pretende com este espetáculo agendado para o próximo dia 7 de fevereiro, pelas 22h00, na Casa da Criatividade. A ideia é mesmo essa: transformar os teatros na sua sala de estar. Quanto aos amigos, esses, estarão em palco e no público e as histórias serão com certeza muitas.

Na Casa da Criatividade, Ana Bacalhau irá sentar-se no sofá com Janeiro e trazer alguns dos seus temas e histórias para partilhar com todos os que se juntarem a eles neste serão muito especial.

O preço dos bilhetes para Janeiro Sessions Live Tour com Ana Bacalhau varia entre cinco e 10 euros, havendo descontos para portadores do Cartão Amigo.  Podem ser adquiridos nos locais habituais, inclusive em www.bol.pt.

Cinema português, gratuito, nos Paços

Na véspera, dia 6, pelas 21h30, é exibido cinema português nos Paços da Cultura. “Linhas de Sangue” é o filme que se segue no âmbito do projeto Cine S. João. A entrada é livre, mas limitada ao número de lugares disponíveis, devendo os interessados reservar os bilhetes o quanto antes nos Paços.

“Linhas de Sangue” é um romance para maiores de 16, no qual se destaca Manuel Chança, uma velha glória de uma força especial portuguesa que forma uma frente de defesa nacional, pronta para responder a qualquer provocação ou tentativa de ataque à soberania do nosso país.

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