Assim vão os nossos vizinhos.

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1) Um ex-vereador de um concelho vizinho, a propósito da gestão da sua agenda, contava que por vezes tinha cinco compromissos na mesma noite. Normalmente jantares em freguesias diferentes, separadas umas das outras por alguns quilómetros. Ele comprometia-se com todos e com a sua graça relatava como em todos os jantares a ementa era igual, utilizava um método para garantir a sua presença sem prejudicar a sua refeição. Iniciava a ronda, com as entradas, num dos jantares, discursava e saía. Em seguida comia a sopa na freguesia vizinha e utilizava o mesmo procedimento, discurso e abalo. Uns quilómetros adiante degustava o prato principal, seguindo-se a oratória e a mudança de instalações. O mesmo com a sobremesa no quarto jantar e por fim, no quinto repasto, bebia café e o digestivo. Aqui com mais calma permanecia mais um pouco, para além do discurso apropriado. Uma habilidade que lhe permitia agradar a quem o convidava, ao mesmo tempo que representava a Câmara Municipal em todos os eventos, permitindo igualmente uma gestão de recursos.

A marcação de eventos para o mesmo dia e a mesma hora requer soluções. A atrás descrita foi concebida por alguém conhecedor das expetativas da população envolvida nas coletividades. Há outras formas, sendo a mais usual a delegação. Aliás, o jornal labor retificou a semana passada uma notícia com quinze dias, informando que a Junta de Freguesia de S. João da Madeira tinha estado representada no Jantar de Reis da Associação Estamos Juntos (AEJ) por Marisa Brandão. Uma informação tardia que só evidenciou a ausência de representante da Câmara Municipal deste concelho nesse mesmo jantar.

2) Atendendo aos problemas que a AEJ tem vivido, as presenças nesse jantar são a menor das suas preocupações. Por um lado, em menos de um mês e meio, a ocorrência de dois incêndios no quadro elétrico da sede social, provocados por infiltrações, devido à permeabilização do telhado e às fortes chuvadas. A infiltração bem por cima do quadro elétrico foi comunicada antes do primeiro incêndio, ainda em dezembro. No último fim de semana, após mais um dia de forte pluviosidade, novo incêndio. Por outro lado, o estado calamitoso do piso dos courts de ténis, que levou à tomada de posição da Associação de Ténis de Aveiro aconselhando a não realização de provas distritais naqueles courts, para evitar que a integridade física dos atletas não seja posta em causa. Assuntos relatados diversas vezes ao executivo municipal e que não têm encontrado resposta concreta. A inexperiência e inércia deste executivo tem justificado a sua pouca capacidade em resolver problemas.

Olhando para os concelhos vizinhos, houve outros executivos igualmente eleitos pela primeira vez em 2017. A diferença é que a equipa eleita fez o seu caminho durante muitos anos, passou pela oposição, rodeou-se de independentes bastante simpatizantes do Partido Socialista, alguns tinham participado nas primárias que elegeram António Costa em 2014 e quando todos assumiram funções executivas, tornou-se mais simples passar à ação e cuidar dos bens públicos de forma eficiente.

3) O encerramento da Helsar e a deslocalização da Molaflex, mais do que alterar os roteiros do Turismo Industrial, interferem com o emprego líquido do concelho. A ideia que fica de 2019 é que a industria reduziu postos de trabalho em São João da Madeira e que o comércio tradicional continua a definhar e a ser substituído por grandes superfícies. Mais do que perceções, é importante criar um indicador que demonstre a evolução do emprego no concelho e monitorizá-lo, procurando captar investimento no imediato, para não haver acusações de inação em 2021.

Em Santa Maria da Feira, o executivo municipal tem como meta o pleno emprego, com consequência imediata a redução do nível de desemprego e numa fase seguinte a possibilidade de melhoria da remuneração salarial da população. Desde 2017, o Presidente dessa Câmara Municipal visita regularmente os agentes económicos e quando acolhe algum novo investidor, enaltece a chegada do novo empregador.

4) As deslocalizações para os concelhos vizinhos não se limitam às empresas históricas da cidade. Também no desporto, uma modalidade, o xadrez, deixou de estar sediada no concelho e optou pela Vila de Arrifana para organizar os seus torneios e efetuar os seus jogos. O Clube Académico Tesserá lá terá as suas razões.

 

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