Olhos enormes, bugalhos, olhos sem fim, tão tamanhos!

Como janelas que se abrem, para nós, seu único mundo;

Dessas crianças e velhos, olhos de tempos antanhos,

Impiedosos na inocência, que nos fitam lá no fundo…

Tela imensa de olhos negros, azuis, castanhos, cristais;

Esgazeados interrogam fitando-nos profundamente,

Numa fixidez que acusa, todos nós, os seres mortais,

Dos crimes da humanidade que se sentem impunemente.

 

Fitam de frente, de lado, acusatórios, no escuro,

Dos atos tão impensados, pelo que se passa aquém.

Muros da nossa vergonha, muros de um duro impuro.

Olhos que jamais se fecham, frechas que irão muito além!

Crianças que só têm olhos, sem corpo, só mente e rosto,

Olhos ligados à alma, olhos de implumes sem mal,

Mas que trazem lá do fundo sentenças, de um mal exposto,

Mal de um pecado maior que o pecado original…

Jamais se rasgaram olhos debaixo de tantos céus

Com tão grande interrogação, mil vezes a cegueira então

A lançar frechas agudas, que podem atingir Deus!

Olhos vagos e ingénuos, olhos sim de maldição!

Olhos de um mais frio aço que ferem a tela acesa,

E que julgam nossos atos dessas megalomanias,

Por um poder sem limites, alheio à dor e à beleza,

Que seria um outro mundo, um mundo sem tiranias.

DR

Dr. Flores Santos Leite

 

 

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