E o Bernardo já come “algumas colheres de sopa e bocadinhos de arroz e de massa” 

 

O novo ano trouxe um novo alento à família de Bernardo, o menino com uma doença rara, também conhecido por Benny, cuja história o labor partilhou com os seus leitores em dezembro passado. Apesar de o Benny ter estado “com princípio de uma pneumonia”, levando a que o jantar solidário marcado para 6 de janeiro tivesse de ser adiado para a passada sexta-feira, e de também lhe ter sido “diagnosticada uma alteração a nível cardíaco”, “continuamos com as terapias e o Bernardo tem evoluído”, disse a mãe ao nosso jornal.

Com apenas 19 meses, Benny sofre de CGD – Défice Congénito de Glicosilação (Tipo II), levando a que “as células acumulem os açúcares e as proteínas que têm uma função muito importante no seu desenvolvimento e crescimento”. Até ao momento, os sinais dados pela doença têm sido as baixas de açúcar, a ligeira hipotonia muscular e algumas alterações ao nível dos órgãos e da alimentação. Aliás, esta última “alteração a nível cardíaco” “fez com que abrandássemos um bocadinho as terapias, para não ser tão exaustivo para ele”. Mas a verdade é que Ana Oliveira e o marido, Fábio Silva, têm visto o seu filho a melhorar, estando muito gratos a todos aqueles que têm contribuído para esta evolução.

“Já começou a comer algumas colheres de sopa. Come cinco, seis colheres de sopa. É pouco, mas para nós é uma vitória. Recentemente também começou a comer bocadinhos de arroz, bocadinhos de massa. Com alguma dificuldade ainda na deglutição, mas já come por iniciativa dele”, contou a mãe ao labor, minutos antes do início do jantar de solidariedade organizado por duas pessoas que até há bem pouco tempo não conhecia, mas que passaram a ser “grandes amigas”.

Ana Oliveira não poupou nas palavras de agradecimento dirigidas a Teresa Melo e a Isa Costa, esta última a proprietária do restaurante Bistrô da Dona Isa onde teve lugar o repasto que juntou cerca de 60 pessoas e rendeu 940 euros, que serão encaminhados para as terapias que o Benny continua a fazer.

Note-se que, na semana transata, graças à generosidade de Isa Costa e de “alguns fornecedores que gentilmente nos cederam alguns produtos”, o valor angariado com este jantar reverteu na totalidade para esta causa. Nota ainda para a participação de Laura Nóbrega e Eduardo Silva, do grupo Presto Duo, como “animadores de serviço”, digamos assim.

Só para se ter uma noção da luta desta família à qual pertence um outro filho mais velho, Rodrigo, os custos da medicação e dos tratamentos do Bernardo rondam os 120 euros e os 600 euros, respetivamente, todos os meses. E Ana Oliveira, que era auxiliar de educação no Jardim de Infância das Travessas em S. João da Madeira, está de licença especial para assistência a filhos com deficiência que tem a duração de quatro anos e a receber 60% do ordenado mais o subsídio para assistência a filho com deficiência no valor de 60 euros, como o nosso semanário noticiou em edição anterior.

Caminhada solidária é a iniciativa que se segue

Para além da página do Facebook “Os Docinhos do Benny” (https://www.facebook.com/Os-Docinhos-do-Benny-106038307530412/), através da qual continuam a vender chocolates personalizados (neste momento, para o Dia dos Namorados, mas que também terão para o Dia do Pai, Páscoa, etc.), está a ser organizada uma caminhada solidária em S. João da Madeira. A Associação de Pais do Jardim das Travessas e a câmara municipal estão envolvidas nesta organização. Para além disso, está previsto também um lanche solidário por altura da Páscoa.

Os interessados em saber mais informações e/ou em ajudar de outra forma podem fazê-lo através dos seguintes contactos: email anafilipa.cerqueiraoliveira@gmail.com e/ou telemóvel 917 855 840 (Ana).

 

Coincidências ou talvez não…

GN

Em dia de aniversário, Ana Oliveira não só ouviu o marido, Fábio Silva, a dizer que ela “é um exemplo de força e um orgulho por ser a mãe dos meus filhos”, como também ficou a conhecer dois novos amigos brasileiros. Em Portugal desde maio do ano passado, Nestor Espíndola e o filho, que também se chama Bernardo, fizeram questão de participar neste jantar de solidariedade.

Nestor Espíndola ficou a saber do caso pela televisão. “Quando vi o programa [“Você na TV”, da TVI, apresentado por Manuel Luís Goucha e Maria Cerqueira] me emocionei, chorei e disse para mim que tinha de partilhar esta experiência”, contou aos jornalistas, acrescentando que houve “coincidências que me chamaram à atenção: primeiro porque nunca tinha assistido ao programa, depois porque liguei a TV no exato momento em que estava a começar a entrevista com eles. E, pelo relato, era a mesma situação pela qual passámos há 18 anos com o meu filho, também Bernardo”.

O filho nasceu com hiperinsulinismo, levando a que o seu pâncreas produzisse muita insulina. Problema detetado logo às primeiras de horas vida e que foi resolvido graças a “uma droga produzida nos EUA na época que lhe regulou o pâncreas”. Este remédio foi “a última tentativa antes da cirurgia” e a verdade é que curou Bernardo Felisdorio Espíndola, agora com 18 anos e a estudar no ensino superior no Porto.

Na passada sexta-feira, acompanhado do filho, Nestor Espíndola veio de propósito da Madalena, freguesia do concelho de Vila Nova de Gaia onde residem, a S. João da Madeira para entregar em mãos os contactos quer do médico, quer da clínica que salvaram a vida de Bernardo. “Viemos cá trazer esperança” a estes pais, disse Nestor Espíndola visivelmente emocionado.

Há quem acredite que os sinais que a vida dá são apenas simples coincidências. Mas há alturas em que ela insiste em apresentar inúmeros indícios que nos levam a acreditar que não estamos sozinhos. Talvez estas duas histórias, separadas pelo Atlântico, não sejam feitas de coincidências…

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