Entre os presentes estiveram quatro artistas de Arte Bruta cujas obras podem ser apreciadas no Centro de Arte Oliva

A exposição “Lusofolia: A Beleza Insensata” da Coleção de Arte Bruta Treger/Saint Silvestre foi visitada por cerca de 120 pessoas só na tarde de sábado passado no Centro de Arte Oliva. Muitas dessas pessoas vieram de um autocarro que partiu do Porto com o apoio da Junta de Freguesia de S. João da Madeira e de Lisboa com o apoio dos colecionadores Richard Treger e António Saint Silvestre.

A visita guiada contou com a intervenção do curador António Saint Silvestre, do professor e investigador João Pedro Fróis e dos monitores do Serviço Educativo do Centro de Arte Oliva.

Entre os cerca de 70 trabalhos de desenho, pintura e escultura, estão obras dos portugueses Jaime Fernandes, Artur Moreira, C.V.M. (Carlos Victor Martins), José Ribeiro, Manuel Bonifácio, dos irmãos Manuel e Ana Carrondo, Rui Lourenço, Serafim Barbosa; e dos brasileiros Albino Braz, Camilo Raimundo, Evaristo Rodrigues, Jesuys Crystiano, José Teófilo Resende e Marilena Pelosi. Os trabalhos dos anónimos angolanos são apresentados em coletivo.

Nesta visita guiada à exposição estiveram os presentes estiveram os artistas Ana Carrondo, Daniel Gonçalves, Serafim (Barbosa) e Rui Lourenço que é conhecido como ZMB cujas obras podem ser apreciadas até 15 de março no Centro de Arte Oliva.

No meio de todas estas obras da Coleção Treger/Saint Silvestre existe uma de Paula Rego que foi pedida à Coleção Norlinda e José Lima e a exibição do filme “Eternity has no door of Escape | Encounters with Outsider Art” sobre a história da Arte Bruta com referência à coleção que existe no Centro de Arte Oliva, realizado em 2018, por Arthur Borgnis. No final da visita guiada foi lançado o catálogo da exposição “Extravaganza” com obras desta coleção, contando com a presença da curadora Antonia Gaeta.

“Acho que a Arte Bruta precisa de ser mais divulgada”

O colecionador António Saint Silvestre reconheceu a “aposta” que o Município de S. João da Madeira tem feito nesta coleção de arte que é única na Península Ibérica, “mas acho que a Arte Bruta precisa de ser mais divulgada”, afirmou durante a visita guiada à exposição “Lusofolia” ao labor.

A Coleção Treger/Saint Silvestre foi iniciada por Richard Treger e António Saint Silvestre na década de 1980. É a única Coleção de Arte Bruta/Outsider da Península Ibérica e uma das mais importantes a nível europeu que está em depósito desde 2014 no Núcleo de Arte da Oliva que recentemente mudou o nome para Centro de Arte Oliva, onde tem sido apresentada através de exposições temporárias.

A coleção tem cerca de 1.500 obras de 350 artistas de todo o mundo que refletem “a evolução de diferentes momentos históricos e ramificações das artes marginais aos circuitos do sistema artístico estabelecido, desde os clássicos da Arte Bruta à Arte Outsider e suas variantes”, segundo a descrição do Centro de Arte Oliva.

Relembramos que a Coleção de Arte Moderna e Contemporânea Norlinda e José Lima esteve em depósito de longo prazo na Câmara Municipal de S. João da Madeira desde 2009, estando na base da criação do Centro de Arte Oliva e que desde a sua abertura em 2013 também tem sido apresentada num programa regular de exposições temporárias.

 

Biografias de Artistas de Arte Bruta 

 

Ana Carrondo

Portugal, 1967

Dinis Santos

Por volta dos 17 anos começou a mostrar sinais de inconstância mental, razão pela qual foi internada num hospital psiquiátrico. Frequentou o atelier de terapêutica ocupacional no Instituto Condessa de Rilvas, Lisboa. Participou em várias exposições com os seus azulejos, que agora fazem parte de várias coleções privadas e museus. *

 

 

Daniel Gonçalves

Portugal, 1977

André Rocha

Filho de um carpinteiro alcoólico e violento, dos cinco irmãos Daniel foi o único que escapou à prisão. Para economizar o pão, Daniel foi enviado para um seminário aos 12 anos para desenvolver uma vocação que nunca teve, mas a experiência foi curta pois a violência continuou na Escola de Deus. De volta a casa para aprender o ofício paterno, bofetadas quotidianas levaram-no a desistir da arte de São José. Emigrou para Inglaterra onde trabalhou como empregado de mesa, tendo voltado para Portugal alguns anos depois. Trabalhou como pedreiro, mineiro, barman, entre outros. Casou e teve três filhos. À noite, enquanto todos dormem, Daniel, provavelmente para contrariar o caos da sua vida, traça com a precisão de um arquiteto, linhas, circunferências, triângulos, toda uma geometria “poética” perfeitamente organizada, a preto e branco ou a cores. O seu é um mundo de rigor, paz, precisão. *

Serafim

Portugal, 1983

Marta Pina

Diagnosticado com síndrome de Asperger, encontrou na arte um modo de se exprimir. *

 

Rui Lourenço (ZMB)

Portugal, 1973

Dinis Santos

Diploma de engenharia eletrónica. Parte para trabalhar para a Irlanda. Após um incidente traumático volta para Portugal. Diagnosticado esquizofrénico é internado num hospital psiquiátrico, onde frequenta o atelier ocupacional. Dedica-se igualmente à escrita e à composição musical. *

 

 

*Por António Saint Silvestre

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