Com o intuito de demonstrar aos alunos a importância de continuarem os estudos a seguir ao secundário

Não tem de ser diretamente no Ensino Superior, pode ser por exemplo num Curso de Especialização Tecnológica (CET). E não tem de ser obrigatoriamente durante o dia, pode ser em conciliação com um trabalho em regime pós-laboral. O importante é que “vocês têm as hipóteses em aberto e podem fazer qualquer coisa, mas é preciso lutar”. As palavras foram ditas por Anabela Brandão, diretora do Agrupamento de Escolas Dr. Serafim Leite, no início da terceira de quatro sessões do “1º Encontro de Profissionais” de 2020, realizada no dia 6 de fevereiro, no auditório da escola sede. Neste momento “vocês estão a aprender e os convidados estão a exercer (uma profissão)”, por isso, esta troca de histórias sobre o percurso de cada um deles tem o intuito de “demonstrar a importância de continuarem a estudar pós-secundário” e de “perceberem como funciona o mundo do trabalho”. E foi o que aconteceu com os testemunhos de Natacha Sousa, Marcelo Ribeiro, Joana Santos, Carlos Santos, Álvaro Gouveia e Paulo Pimenta.

Natacha Sousa frequentou o primeiro ano do curso de Audiovisual, de 2010 a 2013, na Escola Básica e Secundária Dr. Serafim Leite. Tirou a licenciatura em Novas Tecnologias da Informação e o Mestrado em Relações Internacionais. Depois de estagiar na empresa Viarco, aceitou a oportunidade que a empresa sanjoanense lhe deu de continuar a trabalhar lá. Já Marcelo Ribeiro entrou no mesmo curso (Audiovisual) no seu segundo ano de funcionamento na escola “número um”. Tinha uma ideia do que queria até que mudou completamente depois de conhecer os professores que “nos levam para caminhos exigentes”, relembrou o ex-aluno, comparando que é “como acontece no mundo do trabalho” em que “ninguém facilita”. Estagiou no Teatro Nacional São João no Porto graças a uma das professoras do curso de Audiovisual. “Se calhar por causa desse estágio sou o que sou hoje. Trabalhei com profissionais excelentes com muitos anos de carreira”, reconheceu Marcelo Ribeiro, aconselhando os alunos presentes do curso profissional Técnico de Design Gráfico a que “aproveitem o estágio ao máximo” porque é “onde as oportunidades surgem”. A seguir tirou o CET em Audiovisuais e Multimédia, fez um novo estágio no teatro, passou por Serralves e pela Casa da Música até chegar à Casa da Criatividade, onde hoje é técnico residente. Tendo em conta o seu percurso, Marcelo Ribeiro assumiu que é “importante” continuar o caminho da formação depois do ensino secundário.

“Continuo a aprender, frequento formações e respondo às necessidades de mercado”

Joana Santos, também ex-aluna de Artes da Serafim Leite, criou a marca de mobiliário “DAM”, sedeada na Oliva Creative Factory, com o colega de universidade Hugo Silva. Bastou um mês para perceber que a licenciatura em Arquitetura Paisagista não era aquilo que queria. Mudou para Design de Caráter Geral. Trabalhou em “branding” (gestão e comunicação de marca). Com a criação da própria marca, Joana Santos passou a ser e a aprender não uma, mas várias coisas. “Não sou só designer, tive de aprender gestão, finanças, contabilidade. É preciso ser flexível desde que nos dê gosto”, considerou a empresária. Carlos Santos estudou Comércio na Escola Industrial de 1976 a 1978. O “sonho” de ser professor de Educação Física não vingou. Começou a vender livros do Círculo de Leitores e deu explicações para “ganhar algum dinheiro”. Praticava desporto na Associação Desportiva Sanjoanense quando “o bichinho da fotografia” apareceu e começou a fotografar o desporto dos alvinegros. Em simultâneo estudava fotografia na escola artística A Árvore no Porto. “As fotografias ficavam cada vez melhores, as pessoas queriam vê-las e começaram a ficar interessadas”, relembrou o ex-aluno que começou a vender as fotografias numa loja de dedicada ao desporto em S. João da Madeira. Atualmente é especialista na prestação de serviços de fotografia e de vídeo no meio social. Também vende produtos relacionados com estas duas áreas numa loja aberta ao público no centro da cidade sanjoanense. “Tentamos ser muito bons. Todos os dias continuo a aprender, frequento formações e respondo às necessidades de mercado”, deu a conhecer Carlos Santos que já viajou por muitos países em trabalho, que é como quem diz para fotografar.

“Temos de ter objetivos e saber onde é que queremos chegar”

Paulo Pimenta sempre soube que queria ser fotojornalista. Mas nem por isso a escolha foi fácil. Muito pelo contrário. Esta foi “uma escolha difícil no início porque a família não achou muita piada”, revelou Paulo Pimenta, explicando os receios que causou a sua ideia de ser apenas e só fotógrafo e viver disso mesmo, a fotografia, junto dos seus familiares. “Temos mesmo de gostar das coisas e de lutar por elas”, assumiu Paulo Pimenta que acabou por se formar em fotografia e é fotojornalista no jornal Público. “Sinto-me um privilegiado. Acordo e vou fotografar cenários diferentes todos os dias. O meu sonho era ser fotojornalista”, assumiu Paulo Pimenta que também desenvolve vários projetos de autor. O empresário Álvaro Gouveia não é ex-aluno, mas é um colaborador assíduo sempre que a Escola Dr. Serafim Leite o pede. “Com a vossa idade também não sabia o que queria, não stressem, sigam os vossos sonhos. Não sigam atalhos nem o dinheiro. A importância de ser empático e tentar conhecer o outro, o cliente, é muito importante”, disse o engenheiro e um dos sócios da CEI – Companhia de Equipamentos Industrias sedeada na Zona Industrial das Travessas. Apesar do trabalho numa fábrica estar associado a uma “má imagem devido às más práticas que existiram e ainda existem” em alguns casos, “a fábrica é o sítio onde ponho em prática a criatividade, me sinto realizado e tento compreender o mundo”, demonstrou Álvaro Gouveia, concluindo que acima de tudo “temos de ter objetivos e saber onde é que queremos chegar”.

 

Estudar após o secundário

Objetivo é “aumentar para mais de 50%”

Cerca de 8% dos alunos entraram em cursos pós-secundário e no Ensino Superior nos anos letivos 2014/2015 e 2015/2016

Um número que aumentou para cerca de 30% nos últimos anos letivos devido a alguma influência destes “Encontros Profissionais” realizado entre alunos de diversos cursos e profissionais

“Aumentar para mais de 50%” é o objetivo do Agrupamento de Escolas Dr. Serafim Leite, adiantou a diretora Anabela Brandão ao labor

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