“2019 foi o melhor ano de sempre”, mas cidade ainda só valoriza 12% dos resíduos que produz  

 O caminho faz-se caminhando, “degrau a degrau, ano após ano”, como disse o vice-presidente da câmara aos jornalistas no final da apresentação pública dos resultados da recolha de resíduos de 2019, que teve lugar no auditório da Sanjotec – Centro Empresarial e Tecnológico de S. João da Madeira, na passada quinta-feira. E faz-se com ações de sensibilização para a prevenção e reutilização e outras medidas como a recolha seletiva de resíduos urbanos valorizáveis porta-a-porta iniciada em setembro do ano passado, primeiro, tendo em vista 1.600 famílias sanjoanenses residentes em moradias e que depois se estenderá a todas, inclusive às que vivem em edifícios de habitação coletiva. Até agora já foram entregues mais de 900 contentores. A ideia do Município é tornar S. João da Madeira uma cidade verde e um exemplo para o país.

Segundo José Nuno Vieira, “2019 foi o melhor ano de sempre” em termos de recolha seletiva, desde que há números disponíveis. Em comparação com 2018, de acordo com dados disponibilizados ao labor pelo gabinete de comunicação da autarquia, o aumento de quantidades da recolha seletiva no concelho é de mais 165 toneladas, ou seja, mais de 15,7%.

Aliás, olhando às fileiras principais da recolha seletiva de resíduos, cada sanjoanense separou, em média, 19,34 kg de vidro em 2019 (mais 1,72 kg do que em 2018); 22,596 kg de papel/cartão (mais 4,46 kg); 13,80 kg de plástico/metal (mais 3,45 kg) – resultados melhores do que a média registada nos municípios abrangidos pela ERSUC.

Outra nota positiva vai para a redução dos resíduos indiferenciados, que não são encaminhados para valorização. Essa quantidade baixou 537 toneladas de 2018 para 2019, situando-se num total de 9.156 toneladas (-5,5% do que em 2018).

Assim, comparativamente à média do país (484 kg/habitante por ano), S. João da Madeira consegue um resultado bem melhor, com 420,77 kg/hab. ano(aproximadamente menos 5 kg/hab. ano em relação a 2018).

Mas, “mesmo face a estes bons resultados, o Município quer continuar a melhorar, de forma a aumentar a quantidade de resíduos de embalagens que é enviada para valorização”. É que “ainda só conseguimos valorizar 12% de embalagens”, fez ver o “vice” a quem estava presente na sessão, inclusive aos mais pequeninos, alunos dos estabelecimentos de ensino que iam receber os prémios do concurso escolar “100% Resíduos” (ver texto secundário).

Alinhando pelo mesmo diapasão, Vera Neves, chefe de Divisão de Planeamento, Ordenamento e Ambiente da edilidade, defendeu, em declarações à comunicação social já no final da sessão, que “os resíduos não são lixo”. Em seu entender, apenas quando as pessoas os encararem como “valor”, “matérias-primas”, “vão perceber a importância de os encaminhar para as vias de recolha corretas”. Ou seja, “ainda temos muito para trabalhar”, concluiu.

Município quer implementar recolha seletiva de resíduos têxteis em S. João da Madeira

Depois de um 2019 que foi como “o melhor ano de sempre”, ao longo do qual a câmara, por exemplo, eliminou o plástico de utilização única dos eventos que organiza, lançou o projeto de recolha de lancetas, iniciou a recolha seletiva porta-a-porta e alterou a recolha de RSU (Resíduos Sólidos Urbanos) para horário diurno, 2020 não será para lhe ficar atrás. O vice-presidente José Nuno Vieira disse ser ambição do executivo municipal ir mais além nesta “luta” pela defesa do ambiente.

Precisamente nesse sentido são objetivos alargar a recolha seletiva porta-a-porta a todas as moradias unifamiliares, iniciar a recolha seletiva porta-a-porta em edifícios de habitação coletiva, divulgar o resultado do estudo – Tarifário PAYT, apresentar candidatura para recolha seletiva de bio-resíduos porta-a-porta e reforçar a comunicação/sensibilização ambiental (o que colocar em cada ecoponto).

É também intenção do Município implementar uma solução para a recolha de resíduos têxteis no concelho. “Vamos criar a fileira da recolha de têxteis, que a seguir aos bio-resíduos são o que mais peso têm” em S. João da Madeira, chamou à atenção o responsável político.

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