O seu a seu dono

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Os pais do Joãozinho convidaram amigos e respetivos filhos lá para casa. O Joãozinho não achou graça à invasão do seu espaço.

Houve um grande “sururu” em casa do Joãozinho, de 5 anos, quando o lanche acabou, às sete da noite. Os pais do Joãozinho tinham tido amigos lá em casa, até porque nada como uma boa tarde (de inverno) de conversa para ocupar o domingo, e alguns deles tinham trazido os filhos. Ao todo, eram seis miúdos e o Joãozinho.

Quando as visitas chegaram, de imediato, os pais do Joãozinho encaminharam a criançada para o quarto do filho e propuseram uma brincadeira animada com os jogos e brinquedos do Joãozinho.

E quando o filho, que já tinha recuado até bater com o rabo na parede, começou a fazer beicinho, disseram-lhe, em voz baixa, suave, mas com autoridade, pretendendo que ninguém ouça mas que entre pelos ouvidos dentro: “É sempre a mesma coisa”! Estás a transformar-te num egoísta”. 

Os outros acederam ao convite e, logo, logo, lançaram-se sobre os brinquedos do Joãozinho, que esteve toda a “santa tarde” entre o choro e o amuo. 

“Este miúdo não aprende. Bem te disse que devíamos ter tido outro filho!”, murmurou o pai. “É o mimo que lhe dás”, respondeu a mãe. “Tem coisas a mais, concluíram os dois”.

Assim se passou uma tarde de domingo, em casa do Joãozinho, com um e sempre o mesmo “discurso” deprimente. Joãozinho tomou banho, jantou e foi para a cama. E de castigo não viu nenhum DVD.

Um pormenor: ninguém se lembrou de avisar o Joãozinho que vinham seis crianças inquietas visitá-lo ou que o seu espaço e os seus bens iam ser expostos e vasculhados. Nem a ninguém ocorreu perguntar se ele se importava de emprestar os brinquedos. Ou sequer admitir que pudesse dizer “não” a pertences que eram seus.

Mas no dia seguinte levou um responso por ter ido surripiar umas folhas A4 à impressora do pai…

“Cá está, não se mexe nas coisas dos outros sem autorização” .

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