“E é muito difícil fazer um filtro de tudo”, revelou Gisela Borges, responsável pela programação e produção da Casa e dos Paços, ao labor

Gisela Borges tem 36 anos, é licenciada em Psicologia, mestre em Música e pós-graduada em Teatro como ferramenta de intervenção em contextos socioeducativos pela Universidade do Porto. O seu percurso pessoal, académico e profissional esteve sempre ligado às artes. E uma das mais recentes provas disso está no trabalho que tem desenvolvido na área da Cultura em S. João da Madeira.

Agarrou a oportunidade de ser assistente de produção dos Paços da Cultura e da Casa da Criatividade em outubro de 2018. A experiência seria apenas por três meses, mas a gravidez de risco da pessoa que estava a substituir levou a que continuasse, pelo menos, por mais um ano. Até à saída da Chefe de Divisão da Cultura Suzana Menezes para Diretora Regional de Cultura do Centro no fim de 2018, assumiu a função de assistente de produção. Desde 2019 que Gisela Borges é responsável pela programação e produção da Casa da Criatividade e dos Paços da Cultura.

A preparação da programação começa sempre pela definição do conceito estratégico para que depois seja mais fácil filtrar as propostas que recebem para a programação cultural dos dois espaços culturais. “O que é muito importante é a organização e a sistematização porque o que recebemos não são centenas, são milhares de propostas e é muito difícil fazer um filtro de tudo”, revelou Gisela Borges ao labor.

“Tudo que acho extremamente interessante, mas não cabe por questão estratégica ou orçamental tento guardar para ver se consigo encaixar no próximo ano”, explicou. “A Casa da Criatividade tem uma infraestrutura incrível, cada músico que vem cá fica abismado com a qualidade quer das instalações em termos estéticos, mas também com a qualidade do equipamento que existe e da acústica da sala”. Para além disso, “o acolher e receber bem faz toda a diferença. Então, tentamos que cada artista seja recebido de forma especial e diferente”. E, desta forma, “queremos posicionar a casa a nível nacional porque tem qualidade para isso”, acredita Gisela Borges.

O Município apostou na estratégia de apresentar a programação anual dos Paços da Cultura e da Casa da Criatividade no início de cada ano desde 2017 porque “permite que as pessoas planeiem os espetáculos a que querem assistir ao longo do ano” e, ao mesmo tempo, pretende “fixar pessoas” a estes espaços culturais sanjoanenses.

A programação cultural é “um trabalho que demora muito tempo” e que vai para lá da apresentação dos espetáculos que dependem sempre do que é feito antes e depois pelos assistentes e pelos técnicos. Sendo este um trabalho em que “o espírito de equipa faz toda a diferença”, destacou a responsável pela programação e produção da Casa e dos Paços ao labor.

Regulamento de bilhética foi “um investimento muito grande para que se fomente o acesso à cultura”

Uma das mudanças introduzidas na área cultural foi a aprovação por unanimidade da proposta de regulamento de bilhética da Casa da Criatividade e dos Paços da Cultura na reunião de câmara realizada a 23 de janeiro de 2019. “Houve a mudança do regulamento de bilhética que foi muito importante porque os preços foram alterados de forma significativa. Temos um regulamento que organiza por classes os eventos e define automaticamente um preço”, relembrou Gisela Borges, considerando este como “um investimento muito grande (por parte do Município) para que se trabalhe a educação de públicos e se fomente o acesso à cultura”.

 

A Casa e os Paços

Têm 3 pessoas a tempo inteiro

3 a 4 técnicos na Casa da Criatividade

1 ou 2 técnicos nos Paços da Cultura

Pelo menos 9 assistentes de sala na Casa

2 a 3 assistentes de sala nos Paços da Cultura

O número de técnicos e assistentes depende da tipologia do espetáculo

 

Programação Familiar

“Percebemos que tem público”

Um dos espetáculos da programação familiar traz Capicua e Pedro Geraldes à Casa da Criatividade

Uma das apostas da programação cultural continua a ser aquela que é dirigida aos mais pequenos e às famílias. “Percebemos que tem público”, assumiu Gisela Borges ao labor.

Esta programação apresenta “Canções Difíceis Fáceis de Saber” no dia 1 de março, pelas 15h00, na Casa da Criatividade; o concerto para bebés “BA-BA-Baila PLIM, a História de uma Bailarina” aquando do aniversário da Casa da Criatividade, no dia 6 de junho, pelas 10h30; “Mão Verde” de Capicua e Pedro Geraldes em que é demonstrado o seu amor às palavras e à natureza,no dia 3 de outubro, pelas 15h00, na Casa da Criatividade; o espetáculo para bebés “O Saxofone e as Estrelas”, inserido no Novembro Jazz, no dia 7 de novembro, pelas 15h00, na Casa da Criatividade; e “Do Bolso de Walt”, inserido na programação de Natal, no dia 13 de dezembro, pelas 15h00, nos Paços da Cultura. Depois de ter sido apresentada a programação cultural de 2020 em edição anterior do labor, os espetáculos vão continuar a ser divulgados ao longo do ano no nosso jornal.

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