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Sensivelmente daqui a um ano e meio serão agendadas as eleições autárquicas de 2021. Em final de setembro ou princípio de outubro do próximo ano, conforme o calendário a afixar pelo Governo. Pode parecer uma data distante, mesmo havendo umas eleições Presidenciais no início do ano, contudo, já há movimentações partidárias que permitem tecer algumas considerações.

O Partido Socialista tem como objetivo consolidar o resultado obtido em 2017, mantendo o maior número de câmaras municipais conquistadas nessas eleições. Por seu lado, o Partido Social Democrata pretende recuperar o que perdeu, meta definida antes das eleições legislativas de 2019. Os restantes partidos, atendendo à expressividade de cada um, ainda não se focaram totalmente no processo.

Na prática, o PS tem um programa já a decorrer – Diálogo Olhos nos Olhos – que consiste na promoção de debate entre elementos do grupo parlamentar, eleitos por cada ciclo eleitoral, com habitantes dessa região. Um itinerário distrital, com periodicidade mensal, que deverá percorrer a totalidade do país, permitindo assim, acertar ideias e slogans para a campanha eleitoral.

Do lado do PSD, a técnica é diferente. Primeiro sugerem-se candidatos, com as concelhias a convidarem, para encabeçar a lista, os seus militantes melhor posicionados para vencerem as eleições. Os convites podem ser endereçados a militantes de outras concelhias, ou recorrer-se a independentes perfeitamente identificados com o partido. A título de exemplo, observe-se a sugestão do nome de Paulo Rangel, atualmente eurodeputado, como candidato à Câmara Municipal do Porto.

Em S. João da Madeira o processo não será diferente.

O cenário é novo.

Após 16 anos de executivos de maioria PSD, em 2021 tudo se altera, com o PS a chegar na confortável posição de ter maioria na autarquia. Este conforto proporciona a possibilidade de apropriação da execução do plano de atividades municipal. Ou escrito de outra forma, a procura da execução do programa eleitoral. Ora, nesta matéria, os dezoito meses que faltam para as eleições parecem ser pouco para o atual executivo.

Tarda o lançamento de obras na Praça Luís Ribeiro, com consequência imediata de causar desconforto aos habitantes, comerciantes e seus clientes (pó e lama durante a execução). Quanto mais tarde terminar, ou mais próximo do ato eleitoral, a assimilação do novo conceito por parte da população poderá não ter o efeito esperado (em 2017, nos meses anteriores às eleições, a retirada do Elemento Arquitetónico da Praça não foi nada pacífica). Por outro lado, não fazer nada é prejudicial, sobretudo, depois de três anos à espera e de tal empreitada ter sido amplamente propagandeada. Para não fazer, já existe o tema da Piscina, o adiamento da gestão elétrica de baixa tensão, entre outras promessas que não serão cumpridas, como a instalação da Casa da Memória.

Ainda há outros temas que podem gerar desconforto, como a política de continuidade na gestão da água, em que a mudança de executivo nada alterou, nem trouxe benefício direto para a população, ou seja, não houve reversão simbólica, nem devolução de rendimentos à população, com a respetiva redução das taxas cobradas na fatura da água.

É neste desequilíbrio que o PSD poderá apostar. Fazendo analogia com a sua história, este partido terá que convidar um candidato com perfil dinâmico, conhecido no concelho, com uma visão clara para a cidade. Atributos que poderão agradar aos eleitores e alterar o sentido de voto daqueles 1.700 que em 2017 votaram no PS e que nas intercalares de 2016 tinham votado na coligação PSD/CDS.

Por tudo isto, em 2021, as eleições autárquicas de S. João da Madeira deverão ser extremamente interessantes, se se proporcionarem escolhas partidárias adequadas. No limite poderão desencadear um processo eleitoral sem vencedor anunciado.

 

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