Em entrevista exclusiva ao labor, Manel Cruz falou da cidade onde nasceu e à qual ainda se mantém ligado. Hoje em dia, não tanto como em outros tempos e como desejaria, continua a vir a S. João da Madeira (SJM) para, sobretudo, estar com familiares, em particular com a sua “querida” tia Eva Cruz. E também para dar concertos.

O espetáculo desta sexta-feira na Casa da Criatividade, integrado na nova digressão Tour Nedó, não é uma estreia na sua terra natal. O artista já atuou, por exemplo, no Party Sleep Repeat e também na sala que amanhã o acolhe.

Desta vez, na Casa da Criatividade, vai partilhar o palco juntamente com António Serginho (percussão, piano, xilofone), Eduardo Silva (baixo, voz) e Nico Tricot (piano), músicos com quem toca há mais de uma década.

“A única coisa que tenho para lhes oferecer é a minha total entrega àquilo que faço”, disse Manel Cruz, referindo-se aos muitos conterrâneos e gentes de outras paragens que vão assistir a mais este seu concerto em SJM. Ainda aos sanjoanenses, deixou uma mensagem: “Não desistam do mundo e das pessoas”.

Fale-nos da sua ligação a S. João da Madeira. Sabemos que nasceu cá e que também por cá ainda tem familiares e amigos.

A minha ligação a S. João da Madeira (SJM) é umbilical. Nasci aí, no hospital, e vim com dois anos para o Porto. Mas mantive sempre a ligação a SJM, nomeadamente aos meus tios e primos, com quem temos uma relação familiar muito próxima.

Em miúdo, cheguei a ir várias vezes ao campo de férias da AEJ – Associação Estamos Juntos, para a Serra da Freita. Fiz também uma exposição na Galeria “Bule Bule” há muitos, muitos anos. E também cheguei a expor na Biblioteca [Municipal], a convite do Dr. Renato.

Neste momento que tipo de ligação tem com a cidade?Vem regularmente a S. João da Madeira?

Não vou regularmente. Mas nunca deixo de ir aí. O meu pai [Adão Cruz] é de Vale de Cambra. A minha infância foi muito passada na aldeia. Volta e meia passo por aí. Vou ter com a minha tia, Eva Cruz, que é uma querida. Por isso, sim, mantenho-me ligado à cidade.

E concertos? O do próximo dia 6 não será o primeiro que dá na sua terra natal?

Não, não é o primeiro concerto que dou em SJM. Já dei um no âmbito do Party Sleep Repeat, na Sala dos Fornos da Oliva Creative Factory. E também já atuámos na Casa da Criatividade, para aí há quatro anos.

 A propósito da Tour Nedó, o que pretende com ela? Pretende apresentar um “novo” Manel Cruz, com uma “vida nova”?

Ora bem, desde há já bastante tempo para cá que mudei um bocadinho o paradigma no sentido de já olhar para trás e ver as músicas que tenho e querer tocar essas músicas, querer repescá-las com arranjos novos e eu próprio divertir-me, de maneira mais fresca, com elas. Acho que passa muito por aí. Mas continuo a ser eu e os colegas a tocar. Tentamos sempre estabelecer alguns novos desafios para reciclar um bocado, digamos, essa frescura.

Acima de tudo é isto. Acho que é mais nós atualizarmos, digamos, a nossa maneira de estar na música e de viver o ato performativo de cantar em palco. E isso é algo que é dinâmico. É sempre diferente aquilo que a gente pretende tirar das coisas.

Acho que é muito isso: é muito uma vontade de concentrar essa energia que temos uns com os outros e que é cada vez mais ligada. E tentar que tudo isto seja, ao mesmo tempo, o nosso trabalho e uma celebração do ato de fazer música em conjunto.

“Eu não espero nada. [Esperar o que quer que seja] É uma das coisas da vida que deixei de fazer”

A nova digressão já arrancou?

Este não vai ser um concerto radicalmente novo. Mas tem algumas coisas diferentes no sentido de ser mais orgânico. Se calhar, para nós, é muito mais notória a diferença, porque estamos a mudar algumas coisas. Depois, o resto é um concerto meu com a vontade que sempre tive de chegar às pessoas.

No próximo sábado [29 de fevereiro] dou um concerto no Teatro Tivoli BBVA, em Lisboa. Amodos que será um arranque oficial. Será o primeiro desta tour. E S. João da Madeira receberá o segundo.

 Espera esgotar a Casa da Criatividade?

Se espero esgotar? Eu não espero nada. [Esperar o que quer que seja]É uma das coisas da vida que deixei de fazer. Não espero nada. Fico contente por atuar na cidade e com eles [António Serginho, Eduardo Silva e Nico Tricot]. De saber que as coisas vão correr o melhor possível, vão ser fixes. Mesmo que estejam 10 ou 20 pessoas, a nossa entrega vai ser e é sempre igualmente inequívoca. É evidente que queremos ter uma casa cheia, mas esperar por isso não adianta nada.

O que é que os seus conterrâneos podem esperar deste espetáculo?

A única coisa que tenho para lhes oferecer é a minha total entrega àquilo que faço. É uma questão não só de brio, que foi assim que me ensinaram os meus pais – tentar fazer bem as coisas, de forma competente -, mas também de tentar me divertir ao máximo. Associar o brio à diversão. Deixar lá o meu suor. Corra mal ou bem, o esforço e a vontade estão sempre garantidos.

“Faço um balanço muito bom, muito bom mesmo” do álbum a solo “Vida Nova”

Em abril do ano passado lançou “Vida Nova”. Passado quase um ano que balanço faz deste seu primeiro trabalho a solo?

Faço um balanço muito bom, muito bom mesmo. Acima de tudo, porque tenho uma equipa grande, que neste momento acaba por ser uma espécie de um organismo só. A todos os níveis, quer criativo, quer logístico, as coisas têm funcionado muito bem. Estamos contentes. Acima de tudo estou muito contente, por esse organismo estar saudável. E a funcionar bem. É bom para nós e pode ser para os outros também.

 Já há novos projetos na forja?

Não, não há. Eu como artista, digamos assim, estou sempre com novos projetos na cabeça. Alguns mais visíveis, outros menos visíveis, mais ou menos ambiciosos. Mas vejo-os a todos como projetos. A nível musical, os projetos acabam por ser uma consequência daquilo que vou fazendo. E vou fazendo coisas. Nunca planeio as coisas assim: vou fazer isto, vou fazer aqueloutro.

Curiosamente, o “Vida Nova” foi mais assim, porque já há muito tempo que não lançava nada. Propus-me a uma coisa para um prazo mais concreto para ter um trabalho novo. Mas normalmente não é assim que funciono. A dada altura as coisas acabam sempre por acontecer.

Por último, quer deixar uma mensagem aos sanjoanenses?

A mensagem que lhes dirijo é a que dirijo a toda a gente: não desistam do mundo e das pessoas.

 

Cidade recebe segundo concerto da Tour Nedó

DR

É já amanhã, dia 6 de março, que Manel Cruz regressa à cidade de S. João da Madeira (SJM) onde nasceu para um espetáculo que promete ser de arromba. A Tour Nedó é um circuito de concertos desta figura proeminente da música alternativa portuguesa e da sua banda composta por António Serginho, Eduardo Silva e Nico Tricot, em auditórios. O repertório é um pretexto para se fazer e reinventar música, usando para isso desde o mais recente trabalho ao mais antigo, passando por temas inéditos e outros que nunca vão existir.

Este concerto em SJM é o segundo da nova digressão – Tour Nedó -, do artista, que tem na base a apresentação do álbum “Vida Nova”, lançado no ano passado. Singles como “Ainda não acabei”, “Beija-flor“, “Cães e ossos” ou“O navio dela” integram o trabalho discográfico, muito aclamado pela crítica. O público vai, também, poder ouvir outros trabalhos, mais antigos, da carreira musical de Manel Cruz

Marcado para as 22h00, na Casa da Criatividade, o espetáculo foi concebido especificamente para o tipo de espaço em questão e é para “comer tudo”. O custo dos bilhetes varia entre cinco e 15 euros, podendo estes ser adquiridos nos locais habituais, inclusive em www.bol.pt.

Manel Cruz tem, também, concerto marcado no Teatro de Sá da Bandeira, no Porto, a 2 de abril. Neste caso, os preços dos ingressos oscilam entre os 12,50 e os 20 euros.

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