A pessoas “em situação de especial vulnerabilidade” 

 

Desde a divulgação dos resultados do Orçamento Participativo (OP) de S. João da Madeira e a assinatura do protocolo de colaboração com a câmara municipal, respetivamente, em julho e no final do ano passado, até agora não passou sequer um ano.

O projeto “senta.com – Restaurante Social”, apresentado pela Santa Casa da Misericórdia (SCM) e que venceu o OP na categoria “Geral – Maior de 15 mil euros” com 215 votos, é já uma realidade, facto que o autarca sanjoanense fez questão de salientar esta última terça-feira. Presente na inauguração do “restaurante social”, Jorge Sequeira destacou a concretização “em tempo recorde” desta proposta da SCM, assim como a “muita competência e muita qualidade” com que todo o processo foi conduzido.

Na presença de vários convidados, entre os quais a vereadora da Divisão de Ação Social, Paula Gaio, e a presidente da junta de freguesia, Helena Couto, o líder do Município disse-se, ainda, “espantado com a vossa obra”, referindo-se a todos aqueles que estiveram envolvidos na recuperação das instalações localizadas na Rua Oliveira Júnior, em frente ao Museu da Chapelaria, que fazem parte da casa onde está o “Trilho”. Também o provedor da Santa Casa teceu considerações sobre aquele espaço. “As antigas instalações metiam medo”, reconheceu José António Pais Vieira, acrescentando que “[agora] estamos perante uma obra que tem condições para servir muito bem o trabalho que lhe está destinado”.

Nesta que é mais uma “parceria de linha da frente” com a Misericórdia, como lhe chamou Jorge Sequeira, e que durará, pelo menos, cinco anos, a autarquia “entrou” com 50 mil euros, subsidiando, assim, “as obras e o equipamento”. Já a SCM, para além da cedência do local, terá a seu cargo a gestão e o funcionamento, assumindo as refeições (no âmbito do acordo que tem com Segurança Social para a cantina social) e as despesas da água, luz, etc..

Recorde-se que esta medida dá continuidade à política camarária no que diz respeito ao apoio a pessoas sem-abrigo e em situação vulnerável, com tradução, designadamente, no referido apoio financeiro à cantina social; na criação de um apartamento de autonomização com capacidade para quatro pessoas no Bairro do Orreiro, em conjunto com a Santa Casa; na colaboração com o Centro de Saúde de S. João da Madeira e o Trilho na implementação de uma campanha de vacinação contra a gripe e incentivo à efetuação de rastreio de saúde dirigida aos sem-abrigo.

Para além disso, este é o terceiro projeto que a Misericórdia leva a cabo no âmbito do OP, como lembrou José António Pais Vieira. O primeiro foi o alargamento da Lavandaria e Balneário Social e o segundo a compra de “uma viatura de nove lugares adaptada para pessoas com dificuldade de locomoção”.

 

Nova resposta social da Santa Casa funciona todos os dias, das 12h00 às 13h00 e das 18h30 às 19h30 

Vocacionado para a “toma de refeições por cidadãos em situação de especial vulnerabilidade”, o primeiro refeitório social da cidade abre esta segunda-feira, 9 de março, à hora de almoço, funcionando das 12h00 às 13h00. Já o jantar será servido entre as 18h30 e as 19h30. E assim será, para já, o seu horário. Contando, neste momento, com 26 voluntários ao serviço desta causa, a Misericórdia tem assegurados “os dias da semana”. Mas o mesmo já não pode dizer relativamente ao fim de semana. “Precisamos de mais disponibilidade [por parte dos voluntários que já têm] nos turnos que estão a descoberto [ou então de novos voluntários]”, afirmou Branca Correia.

Segundo declarações da diretora técnica da Equipa de Intervenção Direta – Trilho à comunicação social já à margem do ato inaugural, este “restaurante social” foi criado a pensar, sobretudo, nos “sem-abrigo sem teto”, que pernoitam em casas e fábricas abandonadas ou – imagine-se! – em vãos de escada. Falamos, por exemplo, de quem dorme “nas ruínas da Oliva, antiga CERCI ou atrás do hospital” e que ainda são em número considerável.

Contrariamente ao serviço de cantina social “em regime de takeaway” que vem sendo prestado por via de um acordo de cooperação com a Segurança Social, com o apoio da edilidade nas refeições extra acordo, no edifício central da Santa Casa da Misericórdia, “aqui não damos takeaway. Aqui é para comer sentadinho ao almoço e ao jantar”, explicou Branca Correia aos jornalistas, adiantando que poderão vir a servir cerca de 50 refeições diárias. Isto, a julgar pelos utentes da cantina social, que já estão identificados e que foram encaminhados por várias instituições concelho (Associação de Jovens Ecos Urbanos, ACAIS – Associação do Centro de Apoio aos Idosos Sanjoanenses, Centro Comunitário “Porta Aberta” e Trilho).

Espaço será também um “ponto de contacto”

Não é que “as pessoas que estão a viver em quarto de pensão” não possam vir também almoçar e/ou jantar ao Refeitório Social.  Aliás, “pode haver quem tenha casa, mas que não tenha um fogão ou tenha um problema de saúde mental que o impede de cozinhar”, como fez ver a responsável. A ideia é mesmo essa: permitir que essas pessoas e as que estão em situação de sem-abrigo possam tomar as suas refeições com dignidade.

Além disso, pretende-se que o “restaurante social” seja um “ponto de contacto”. De acordo com Branca Correia, “está garantida uma necessidade básica, que é a da alimentação, mas [também esta resposta social] nos dá a oportunidade de uma série de outras coisas, como perceber como a pessoa está, o que precisa, onde está a dormir, se tem alguma consulta”. “Vai-nos ajudar a fazer um diagnóstico melhor das pessoas que estão nesta situação”, rematou.

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