Eu me confesso

0
39

Nem sequer sou, e assim me confesso,

Poeta menor, frágil dimensão,

Aquela, a que grandes tiveram acesso,

Aquela que é grande p´ra os que a terão…

 

Libelo que acusa, o que haverá em mim,

Quando ao alto aspiro, e…castigo meu!

Pois nem olhos tenho, para ver que sim,

Que há outros trilhos, há-os sob o meu céu…

 

Eu me confesso, de rastos, no lodo,

Que outros sacudiram, na sua passagem,

E me bastaram a parte do todo.

Bocado minúsculo da sua mensagem…

 

E eu me confesso, mortal do futuro,

Inerte da lira, sem musas madrinhas,

Pois vejo além sempre, o enorme muro,

Quebrando ambições, que não serão as minhas…

 

E eu me confesso, não tenho perdão,

Por aquele ousio de fazer meus versos,

Mas espero um dia, a tal ocasião,

Alcançar a sorte de alguns progressos…

 

Sentimos que o somos, na esperança da vida,

À simples ideia de o querermos ser,

Por isso é poeta o que põe na vida,

O amor de o ser, mesmo sem poder…

 

Flores Santos Leite

Loading Facebook Comments ...

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here