“Até ao momento” 

Com o número de casos de infetados com o novo coronavírus confirmados a aumentar de dia para dia, Portugal “aperta o cerco” ao Covid-19. O vírus oriundo da China, onde curiosamente este número está a diminuir, atingiu também o nosso país, levando as autoridades competentes a tomar medidas de contenção cada vez mais apertadas, como, por exemplo, o encerramento de escolas, universidades, a suspensão de visitas nos hospitais e prisões ou a realização dos jogos da I e II Ligas à porta fechada no próximo fim de semana.  Entretanto, também já foi anunciado que os eventos com mais de 1.000 pessoas à porta fechada e mais de 5.000 pessoas em espaços abertos devem ser cancelados e foram suspensos todos os voos entre Portugal e Itália.

A RTP, SIC e TVI já anunciaram que os seus programas diurnos deixarão de ter público em estúdio. O cancelamento do concerto de Tony Carreira agendado para este sábado no Altice Arena é também ponto assente. E em cima da mesa, a ser avaliada, está também a antecipação das férias escolares da Páscoa ou até mesmo o fecho dos estabelecimentos de ensino.

Depois de uma turma de uma escola frequentada por um aluno internado com o Covid-19 ter estado no Palácio de Belém, o próprio Presidente da República (PR) entrou em quarentena e até realizou um teste para saber se estaria infetado,que deu negativo. Por iniciativa própria, Marcelo Rebelo de Sousa decidiu suspender a agenda e permanecer em sua casa durante 14 dias, procurando, assim, dar o exemplo aos portugueses.

Segundo dados obtidos a partir do site https://www.worldometers.info/coronavirus/, esta quarta-feira ao final da tarde, são já mais de 124 mil casos de infetados pelo Covid-19 e mais de 4.500 mil mortos um pouco por todo o mundo. Já o número de casos recuperados ronda os 67 mil.

Em Portugal estão confirmados 59 casos, não se tendo registado até à data nenhuma morte. É no Norte que está concentrado o maior número de casos de Covid-19 e é também nesta região que está a ser feito o maior esforço de contenção do vírus. Felgueiras e Lousada são os concelhos mais afetados.

Em S. João da Madeira, e até ao momento do fecho da edição do jornal, já surgiram casos suspeitos no hospital local, mas não há nenhum caso de infeção confirmado. A câmara divulgou, nos seus site e redes sociais esta última quarta-feira, que, “até ao momento”, “não há registo de que qualquer cidadão residente em S. João da Madeira tenha sido infetado com o Covid-19”.

Mas não é por isso que quem de direito não está preparado ou não está a preparar-se para o pior. Instituições públicas, com destaque para a autarquia, mas também privadas estão a seguir à risca orientações superiores. Prevenção e precaução são as palavras de ordem. Se possível, sem alarmismos!

Esta semana, o labor procurou perceber o impacto que esta primeira pandemia da era digital está a ter na cidade.

 

Câmara suspende Poesia à Mesa e encerra equipamentos municipais

Após reunião tida ontem de manhã com a Associação de Municípios das Terras de Santa Maria e em articulação com os outros concelhos que a compõem, o presidente da câmara de S. João da Madeira determinou, por despacho, o encerramento das piscinas e dos pavilhões gimnodesportivos por si geridos, bem como dos museus, galerias bibliotecas, casas de espetáculos e auditórios municipais.

Além disso, estão suspensas “todas as atividades desportivas e visitas e atividades de lazer, turismo ou de âmbito cultural promovidas pelo Município”, bem como “as atividades complementares à ação educativa do tipo visitas de estudo e passeios promovidas pelo município ou com recurso a serviços de transportes da sua responsabilidade”.

Para já, mantém-se em funcionamento o Mercado Municipal, “reforçando as ações de formação e prevenção já em curso, sem prejuízo de avaliação a levar a cabo com a autoridade de saúde local”, e “o funcionamento regular dos parques e jardins de gestão municipal, bem como os serviços de atendimento ao munícipe, solicitando-se aos cidadãos que recorram preferencialmente aos contactos telefónicos e por via digital”.

Foi, ainda, deliberado “promover com a junta de freguesia a avaliação de cada iniciativa concreta que se encontre programada”.

 De salientar que estas medidas, também tomadas na sequência do Plano Nacional de Preparação e Resposta à Doença por novo coronavírus (Covid-19) e das orientações da Direção-Geral de Saúde para diminuir a evolução epidemiológica, estão sujeitas a avaliação permanente, definindo-se para já sua vigência até ao próximo dia 3 de abril.

Em declarações ao labor na passada segunda-feira, Jorge Sequeira garantiu que estão a seguir as recomendações da Direção-Geral de Saúde e que ele próprio está em permanente contacto com o Delegado de Saúde, Pedro Ferreira, o coordenador municipal da Proteção Civil, Normando Oliveira, e o presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar de Entre o Douro e Vouga, Miguel Paiva. Aliás, o Serviço de Proteção Civil de S. João da Madeira, através do seu coordenador municipal e do presidente da câmara, tem vindo a monitorizar diariamente a situação do coronavírus, em contacto com o Delegado de Saúde. Note-se que, ainda no passado dia 6, os três e também o “vice” José Nuno Vieira reuniram.

Para além disso, a autarquia tem divulgado, através de comunicados, informação sobre o novo coronavírus nos seus site e redes sociais e o coordenador municipal da Proteção Civil tem vindo a deslocar-se a vários espaços para sensibilizar as pessoas para os cuidados que devem ter.

A câmara apela a todos os cidadãos que sigam as recomendações da Direção-Geral de Saúde (https://www.dgs.pt/) e da Proteção Civil (http://www.prociv.pt/).

 

Municípios da região reunidos para articular medidas a adotar

Ontem, de manhã, teve lugar em S. João da Madeira uma reunião entre os presidentes das câmaras que integram a Associação de Municípios das Terras de Santa Maria (AMTSM) e estruturas da Proteção Civil. Na ocasião, foi analisada a situação relativa ao coronavírus e foram decididas e articuladas medidas a tomar nos territórios desta região formada pelos municípios que compõem a AMTSM.

Foi deliberado, com referência aos seis concelhos que a integram, “encerrar ou suspender temporariamente um conjunto de serviços, equipamentos e atividades considerados como não essenciais”.

“A presente decisão fundamenta-se nos princípios da prevenção e da proporcionalidade, visando contribuir para a proteção da saúde pública e para o esforço de contenção do surto epidemiológico aqui em causa”, explica a AMTSM, em comunicado, apelando, ainda “à observância das recomendações das autoridades de saúde e ao sentido de responsabilidade de todos os cidadãos, designadamente que se observem as medidas de distanciamento social, de higiene das mãos e de etiqueta respiratória”.

 

CHEDV suspende visitas a doentes

Tendo em conta as instruções determinadas pelas autoridades de saúde, o Centro Hospitalar de Entre o Douro e Vouga (CHEDV) informa, em nota enviada ao labor no passado dia 7, que as visitas aos doentes internados nos hospitais de S. Sebastião (Santa Maria da Feira), S. João da Madeira e S. Miguel (Oliveira de Azeméis), que o integram, “estão temporariamente suspensas”. Pela mesma via, agradece “a compreensão de todos por esta medida que visa proteger a saúde dos nossos doentes e profissionais”.

 

Visitas também suspensas na Misericórdia, ACAIS e Fundação Manuel Brandão

Na Santa Casa da Misericórdia de S. João da Madeira também foram implementadas diversas medidas de prevenção e de contingência. “Estão suspensas as visitas a todos os estabelecimentos residenciais, as celebrações culturais, a receção de peregrinos, o voluntariado, os prestadores de serviços relacionados com atividades não essenciais à operação social, entre outras”, adiantou ao nosso jornal o diretor de serviços, Vítor Gonçalves, acrescentando que também “foram estabelecidos procedimentos como a suspensão de reuniões (incluindo de encarregados de educação), protocolos de higienização de pessoas e espaços e definidas áreas de isolamento”.

“A Misericórdia continua a acompanhar a evolução das circunstâncias e atenta às orientações provindas da Direção-geral de Saúde, estando recetiva à sua implementação imediata. Também agradece a compreensão de todas as pessoas visadas com as limitações impostas”, disse ainda o responsável.

Também na ACAIS – Associação do Centro de Apoio aos Idosos Sanjoanenses foram “adotadas medidas idóneas à prevenção, bem como aplicadas orientações emanadas pela Direção-Geral de Saúde”. Nesta instituição de terceira idade foram suspensas, temporariamente, “visitas no Centro de Dia, passeios e atividades no exterior”. Para além disso, foi reforçada a disponibilização de solução antissética de base alcoólicas e ainda foi transmitida informação aos colaboradores e clientes sobre medidas de prevenção e procedimentos a adotar perante um caso de suspeita. Neste momento, segundo afirmou a diretora técnica ao labor, Patrícia Coelho, a ACAIS está “a diligenciar no sentido de estruturar o plano de contingência”.

Entretanto, na Fundação Manuel Brandão, situada na vizinha Vila de Cucujães e com utentes sanjoanenses, “mais vale prevenir do que remediar”. E, assim sendo, estão a ser adotadas “uma série de medidas”, entre as quais a suspensão de visitas, consultas e exames de rotina (que possam ser adiados) e atendimentos. De acordo com a diretora técnica, Goreti Peres, “estamos também a separar os utentes do lar e do centro de dia, os momentos das refeições de uns e outros são diferentes para não se cruzarem, criámos um espaço de isolamento”. “A obrigatoriedade da higienização das mãos, formação das colaboradoras no âmbito da Medicina no Trabalho e adoção de medidas com os fornecedores da instituição” são também providências que estão a ser tomadas.

 

 Escolas cancelam visitas de estudo

Os três agrupamentos de escolas (AE) da cidade, bem como o Centro de Educação Integral (CEI), têm já elaborado o plano de contingência para toda a comunidade educativa. Fizeram-no de acordo com as recomendações das entidades competentes, conforme asseguraram ao labor.

Em declarações ao nosso jornal, Anabela Brandão informou ainda que no AE Dr. Serafim Leite, que dirige, foram canceladas visitas de estudo a outras cidades e “também estava prevista para esta semana uma reunião com pais que decidimos não fazer”. Ambas as situações “só por precaução”, esclareceu a diretora. Por sua vez, o homólogo do AE Oliveira Júnior, Mário Coelho, informou o nosso jornal que se encontrava “disponível no portal da escola o plano de contingência do agrupamento”.

Também já definido e “devidamente divulgado na nossa comunidade educativa” está o plano do AE João da Silva Correia, agrupamento que, para além disso, reforçou “as escolas com material de higiene e desinfeção” e cancelou “as visitas de estudo e atividades programadas que envolvessem convívio com aglomerados de pessoas”.

“Estas medidas foram para já tomadas até ao final do 2º período. Entretanto, iremos manter uma posição atenta à evolução do contexto e, em caso de necessidade, alargaremos o prazo ou tomaremos medidas adicionais que forem consideradas pertinentes”, acrescentou a direção deste AE.

No caso do CEI, está mesmo a “seguir à risca” as orientações da Direção-Geral de Saúde. “Já temos o plano de contingência há mais de oito dias”, adiantou o diretor Joaquim Valente, segundo o qual também foram canceladas “todas as saídas” ao exterior e “estamos a evitar juntar os alunos [estes estão confinados à turma]”. Além de proceder ao arejamento das salas de aula, o CEI está, igualmente, “a dar orientações aos alunos e famílias no que diz respeito à higienização pessoal”.

 

FECAP adia iniciativas

A FECAP – Federação Concelhia das Associações de Pais de S. João da Madeira tinha “um evento para esta sexta-feira [dia 13] que adiámos”, começou por contar o seu presidente quando interpelado pelo nosso jornal. Segundo Ricardo Mota, o dito evento teria lugar no Museu da Chapelaria e consistia numa entrega de prémios levada a cabo no âmbito do concurso “Escola Amiga da Criança”. A sessão estava a ser organizada pela FECAP, CONFAP- Confederação Nacional das Associações de Pais e editora Leya, com a colaboração da câmara municipal, estando para já sem nova data de realização.

Também com o apoio da autarquia, a FECAP tinha marcada para esta segunda-feira, 16 de março, uma formação parental na EB1/JI das Fontainhas, que igualmente fica sem efeito. Além disso, vão ficar “em modo standby” a formação de contabilidade e fiscalidade para associações de pais (AP) e formação específica para elementos de AP, habitualmente agendadas para finais de março, inícios de abril.

Entretanto, conforme o laborconseguiu apurar, houve outras iniciativas de associações de pais que estavam previstas para os próximos dias, mas que nem sequer chegaram a ser divulgadas.

 

Paróquia suspende comunhão a doentes que estão em casa

Aquando do contacto do labor esta última quarta-feira, ainda não tinham sido tomadas “quaisquer decisões” face ao COVID-19 pela Paróquia de S. João da Madeira, para além de algumas recomendações da Conferência Episcopal. Mas o pároco, Padre Álvaro Rocha, não descartou a possibilidade de se avançar com medidas mais “apertadas”, dependendo do que viesse a ser decidido na reunião da Associação de Municípios das Terras de Santa Maria e estruturas da Proteção Civil e também numa outra que ia ter ao nível da Vigararia.

Para já, e indo ao encontro do que o Bispo da Diocese do Porto, Manuel Linda, também defende, em texto publicado no site da diocese, “para além de medidas reforçadas de higiene”, já está a ser dada a comunhão na mão e a evitar-se o gesto da paz”. Na Paróquia, já a partir do próximo fim de semana, também está suspensa a comunhão aos doentes, que se encontram em casa.

 

Lembrete

labor relembra, tal como o fez em edições anteriores, que a Organização Mundial de Saúde (OMS)  recomenda a todos os viajantes regressados de áreas afetadas que apresentem sintomas sugestivos de doença respiratória, durante ou pós viagem, antes de se deslocarem a um serviço de saúde, devem ligar 808 24 24 24 (SNS24) antes de se dirigirem ao centro de saúde ou ao hospital, informando sobre a sua condição de saúde e história de viagem, seguindo as orientações que vierem a ser indicadas. Os mesmos procedimentos deverão ter todos os outros cidadãos que apresentarem sinais de infeção respiratória aguda como febre, tosse e dificuldade respiratória.

A OMS aconselha ainda medidas de higiene, etiqueta respiratória e práticas de segurança alimentar para reduzir a exposição e transmissão da doença: evitar contacto próximo com doentes com infeções respiratórias; lavar frequentemente as mãos, especialmente após contato direto com pessoas doentes; evitar contacto desprotegido com animais selvagens ou de quinta; adotar medidas de etiqueta respiratória: tapar o nariz e boca quando espirrar ou tossir (com lenço de papel ou com o braço, nunca com as mãos; deitar o lenço de papel no lixo); e lavar as mãos sempre que se assoar, espirrar ou tossir.

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