Pessoal docente e não docente continua no ativo com trabalho “ajustado” e alunos estão a ter aulas à distância

Depois de, na quarta-feira da semana passada, Graça Freitas, diretora-geral da Saúde, ter anunciado o fecho de estabelecimentos de ensino “caso a caso”, o Governo veio, no dia seguinte, tornar pública a sua decisão de suspender as atividades letivas e não letivas presenciais de, pelo menos, 16 de março até 9 de abril. Período no qual já estão incluídos os 15 dias de férias da Páscoa.

Esta medida da tutela para tentar “travar” o surto de Covid-19 no nosso país abrange todos os graus de ensino, tanto no ensino público como no privado, e vai ser reavaliada precisamente a 9 de abril.

Ministro da Educação deixa claro que “ninguém está de férias”

Em nota de imprensa, disponível no site do Governo, o ministro da Educação deixou claro que presentemente “ninguém está de férias”, mencionando ainda que acredita que “as escolas se vão empenhar para que neste momento difícil, de exceção, docentes e não docentes, desenvolvam o trabalho que é possível fazer”.

De acordo com Tiago Brandão Rodrigues, e conforme refere o comunicado a que o labor teve acesso, o trabalho dos professores “pode naturalmente ser ajustado” e os trabalhadores não docentes “estão também a trabalhar”. Além disso, “as escolas continuarão a ter vigilância, manutenção e limpeza como em todos os espaços”. Já sobre o calendário escolar, a calendarização dos exames e o fim do ano letivo, o governamental sublinhou que “não há neste momento motivos para pensar na sua alteração”. “Neste momento o que está decretado é que existirá a interrupção das atividades letivas e não letivas durante 15 dias e depois teremos férias da Páscoa durante outros 15 dias. Só isto”, esclareceu.

E, de facto, é isto o que está a acontecer no Agrupamento de Escolas (AE) Dr. Serafim Leite. “Os professores estão ao serviço, mas à distância”, como contou ao nosso jornal Anabela Brandão, acrescentando que “já tiveram uma reunião durante a manhã [de segunda-feira]” e que os próprios “alunos estão a ter aulas online”. Aliás, “já tinha sido dada antecipadamente essa indicação aos professores no sentido de prever esta situação”.

Aquando do contacto do nosso semanário, a diretora deste AE de S. João da Madeira era uma das poucas que ainda se mantinha a trabalhar in loco no AE que dirige. “Vou continuar disponível na EBS Dr. Serafim Leite, até ordens em contrário. Estarei presencialmente e online (principalmente porque na segunda-feira iniciarão as tão desejadas obras de requalificação), afirmou a responsável diretiva, assegurando, ainda, que “temos a trabalhar o mínimo dos mínimos”.

Em declarações exclusivas ao labor, Anabela Brandão disse concordar “plenamente com a medida” tomada pelo Governo. E aproveitou esta troca de impressões para apelar “a toda a comunidade educativa para cumprir escrupulosamente todas as indicações da Direção-Geral de Saúde”. Caso contrário, “esta medida não terá nenhum efeito”, chamou à atenção, afirmando ainda que confia “inteiramente na comunidade educativa do AESL [Agrupamento de Escolas Dr. Serafim Leite] para contribuir para travar esta pandemia”. 

Joaquim Valente alinha pelo mesmo diapasão. Segundo o diretor do Centro de Educação Integral (CEI), “temos de concordar [com a decisão]”, uma vez que “está em causa saúde pública”. “Vale a pena ver como alguns países do Oriente conseguiram minimizar a propagação. Fecharam tudo e os efeitos em termos de saúde foram diminutos”, exemplificou Joaquim Valente, para quem todos devem responsavelmente assumir esta “guerra”. É que, em seu entender, “se for para termos gente a passear e outros a sofrer está mal”.

Vamos ver o que acontece em Portugal. Parece que não se irá resolver até 9 de abril. Mas Deus queira que sim”, adiantou o diretor do CEI, falando ainda que no Centro de Educação Integral “temos tido e vamos ter [ensino a distância] para todos os alunos com todos os professores, usando as ferramentas que já tínhamos e as que agora também estão a ser disponibilizadas”.

Também o AE João da Silva Correia entende “esta medida como sendo a mais acertada dado o contexto em que vivemos”. E, à semelhança dos seus congéneres, “já a partir desta semana estamos a trabalhar com os nossos alunos numa forma de ensino não presencial”, como adiantou a sua direção ao nosso semanário.

O labor tentou chegar à fala com o AE Oliveira Júnior até ao fecho da presente edição, várias vezes, mas sem sucesso.

Apoio excecional para pais de alunos

Com o encerramento temporário dos estabelecimentos de ensino, muitos trabalhadores viram-se obrigados a ficar em casa com os filhos. Foi, precisamente, a pensar neles que o Governo anunciou um apoio excecional à família, que – note-se – se destina apenas a um progenitor, não abrange o período de férias letivas e que pode ser requerido mediante o preenchimento de uma declaração que se encontra disponível em https://www.portugal.gov.pt/download-ficheiros/ficheiro.aspx?v=1e16772c-9656-4d59-8b9f-e576cb995903.

O documento deve ser preenchido pelos funcionários que necessitem de faltar ao trabalho por assistência inadiável a filho menor de 12 anos, ou independentemente da idade, com deficiência ou doença crónica, decorrente de encerramento de estabelecimento de ensino, de apoio à primeira infância ou deficiência. E, posto isso, deve ser apresentado à entidade empregadora, que é depois responsável pelo requerimento do apoio junto da Segurança Social (SS). As pessoas nesta situação receberão 66% do seu salário, pago pelo seu empregador e pela SS.

Já os trabalhadores independentes devem solicitar este apoio através da Segurança Social Direta, através de formulário próprio.

Governo disponibiliza vídeo com conselhos para encarregados de educação

Entretanto, o Ministério da Educação também disponibilizou um vídeo dirigido aos encarregados de educação com 10 conselhos práticos sobre como podem ajudar os seus educandos durante a suspensão das atividades presenciais. O referido vídeo pode ser descarregado em https://wetransfer.com/downloads/c44b80671f5cf96a778030bf3a0c0ce220200315190723/20e6664fbb51c7f0f22c2a830aa60dd020200315190723/e50e2b.

Aproveite os tempos livres entre as aulas [à distância] para que haja leitura” e “pratiquem atividade física em casa” são duas das sugestões dadas pelo Governo.

FECAP concorda com fecho das escolas

A FECAP – Federação Concelhia das Associações de Pais de S. João da Madeira disse não só concordar com o encerramento temporário dos estabelecimentos de ensino, como até “achamos que deviam ter encerrado na quarta-feira anterior” ao dia da tomada de decisão. Em declarações ao labor, o seu presidente, Ricardo Mota, “aplaudiu” o facto de estar “garantido o apoio à alimentação dos alunos do escalão A”, mas também não deixou de partilhar algumas preocupações das associações de pais sanjoanenses. É que, por exemplo, “nem todas as famílias têm computador para ter aulas à distância” e, já a pensar na reabertura das escolas, que para já se mantém uma incógnita, “é preciso assegurar condições de higiene e segurança”.

Ao nosso jornal, o líder federativo deu nota, ainda, que têm um grupo no WhatsApp para partilha de informação, o qual já era usado antes “para relacionamento da FECAP e das associações de pais” e que agora serve, também, para “tentar acalmar um bocado os ânimos e combater as fake news que estão a invadir as redes sociais”.

Segundo Ricardo Mota, “há uma série de incertezas no ar”, entre as quais as avaliações do 2.º período, assunto sobre o qual o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, adiantou recentemente que a tutela enviará orientações.

Loading Facebook Comments ...

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here