Esta última sexta-feira 

A sentença de declaração de insolvência da Fábrica de Calçado Evereste, Lda., em S. João da Madeira, foi proferida a 3 de março, estando a reunião de assembleia de credores marcada para 29 de abril, às 14h00, conforme se pode ver no anúncio disponível no Portal Citius. O labor tentou obter declarações por parte de André Fernandes, administrador da empresa, mas este achou por bem não falar sobre o assunto.
Já Fernanda Moreira, dirigente do Sindicato dos Operários da Indústria de Calçado, Malas e Afins dos Distritos de Aveiro e Coimbra, contou ao nosso jornal que o administrador de insolvência nomeado, Joaquim Roque, esteve na fábrica no final da semana transata, altura em que comunicou aos 54 trabalhadores que sexta-feira passada seria o último dia de trabalho e que, entretanto, “os papéis [documentos para poderem aceder ao subsídio de desemprego]” iriam “ser enviados por correio”. Na ocasião, de acordo com a sindicalista, Joaquim Roque também terá procedido à “troca das fechaduras” e feito o “inventário”.
Neste momento, “estamos a dar apoio aos [cerca de 40] trabalhadores que são sindicalizados” tendo em vista “a reclamação dos seus créditos”, adiantou Fernanda Moreira, não descartando a hipótese de “surgir alguém interessado em comprar” a Evereste.
“Hipóteses à parte”, para já, a representante do sindicato lamenta o fecho desta “empresa de referência que sempre pagou direitinho”. Segundo disse, a postura da Evereste nada teve a ver com as de outras empresas que também fecharam recentemente em S. João da Madeira e em Oliveira de Azeméis. “A entidade patronal ia falando com os funcionários, ia tendo reuniões, dando-lhes conhecimento do que se passava”, contou Fernanda Moreira, dando nota ainda que já havia “pessoas que estavam em casa e que só iam trabalhar umas horas”.
Quanto às causas do atraso dos salários e do encerramento da Evereste, a dirigente referiu ter sido devido a dívidas de clientes e, sobretudo, ao facto de “aquele que era o maior cliente da empresa ter deixado de cumprir”. Recorde-se que, conforme foi tornado público, em meados de fevereiro os funcionários tinham recebido apenas 30% do salário de janeiro. Situação que, entretanto, foi regularizada. Quanto ao ordenado de fevereiro foi pago na totalidade, ficando em dívida apenas os 13 dias do corrente mês.
Sendo um dos parceiros do Turismo Industrial, integrando os Circuitos pelo Património Industrial de S. João da Madeira, a Evereste contava à data do seu fecho com 78 anos de atividade, comemorados no mês passado. Exportava para mercados como França, Alemanha, Países Baixos, Bélgica, Luxemburgo, República Checa, Croácia, Rússia, Emirados Árabes Unidos e Canadá.

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