Afinal há ou não relação entre a Covid-19 e os animais domésticos?

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É indubitável que no período mais conturbado pelo a nossa geração passou o medo e a dúvida assumem um protagonismo indesejado num quotidiano sem precedentes. Torna-se por isso premente que as nossas fontes de informação sejam as mais fidedignas para que não alastremos inverdades que podem tornar-se tão ou mais perigosas que o vírus que nos chegou do outro lado do mundo.
A partir desta premissa, venho falar-vos sobre uma questão que os media tornaram secundária, mas que está na mente e na preocupação de um sem número de pessoas no nosso país: afinal há ou não relação entre os animais domésticos e o Covid-19?
Para responder a esta questão, viajamos quatro meses e 10.000kms, até ao mercado de marisco e carnes de Whuan, uma cidade da província de Hubei. Todas as primeiras pessoas diagnosticadas, em dezembro de 2019, estavam de algum modo relacionadas com este mercado, quer porque lá trabalhassem, quer porque eram clientes habituais. O que tem este mercado de tão diferente dos nossos? O mesmo não obedece a quaisquer regras sanitárias: animais vivos para consumo, muitos dos quais de espécies exóticas que dificilmente entrariam nos menus ocidentais, são mortos numa espécie de “live show” em frente ao cliente, sem qualquer norma de salubridade, o chão vermelho e sujo do sangue que lá é derramado. Há teorias que este vírus tão perigoso em disseminação e taxa de letalidade surgiu no consumo de morcegos ou cobras. O certo é que nenhuma autoridade de saúde internacional conseguiu ainda provar a exata origem do novo coronavírus; apenas se descobriu que o grande ponto comum dos infetados era o Mercado de Whuan, encerrado no primeiro dia de 2020. O vírus terá nascido no consumo ou na exposição ao ar de animais esventrados, o que depressa permitiu classificar-se esta como uma “guerra sanitária”.
Quando se começou a ouvir falar na China do novo vírus, entretanto batizado de Covid-19, e se fez a associação aos animais do Mercado de Whuan, muitos foram os chineses que abandonaram ou sacrificaram os seus animais domésticos. Na altura noticiou-se que alguns habitantes daquele país atiraram janela fora os seus animais de companhia e as redes sociais deixaram a descoberto imagens grotescas.
Porém, quando as autoridades internacionais de saúde estudaram avidamente o tema, concluíram que não há qualquer evidência quer de os animais de companhia serem portadores da doença, quer de correrem o risco de contágio. Isto tem vindo a ser profusamente difundido e atestado pela Organização Mundial de Saúde lá fora e pela Direção-Geral da Saúde no nosso país.
É neste sentido que me dirijo a todos os tutores de animais: fiquem descansados com a proximidade aos mesmos e aproveitem esta quarentena para usufruir da companhia do seu cão, gato ou outro, sendo que se há tanto ainda por saber acerca da Covid-19, já desde há muito que a Ciência atesta que os animais de companhia diminuem o stress, a ansiedade e a depressão, possíveis consequências deste isolamento social.

Raquel Pinho

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