Breve história da AEJ – 3ª parte – nas Corgas

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Apresento hoje o último texto sobre a história da AEJ. Se o leitor se recorda, no texto anterior descrevi a dedicada ação da nova direção, com as alterações desencadeadas no clube, demonstrando como esta associação estava dispersa pela cidade.
Apesar da nova dinâmica, a AEJ precisava de concentrar toda a sua atividade nas Corgas. A Câmara Municipal de S. João da Madeira em outubro de 2001 cedeu umas salas disponíveis no Complexo Desportivo das Corgas, mais a gestão dos courts de ténis. Apesar de realizado o desejo, as eleições autárquicas em dezembro de 2001 elegeram um novo presidente da câmara municipal, o que significou que o processo de mudança para a nova sede demorou um pouco mais.
É neste clima de negociação que se inicia o mandato de Nuno Fernandes. Após vários meses de negociações, a AEJ conseguiu a cedência das instalações atuais, concentrando a sede social, a organização do campo de férias, a secção de xadrez, a de capoeira e a de natação, tudo nas Corgas. Na nova sede, nasceram novas secções – ténis e parapente e estendeu-se o apoio a outras atividades – karting e motociclismo. Com tudo isto, a AEJ passou a ser um clube eclético e reconhecidamente ganhou o estatuto de segunda associação desportiva da cidade.
Os resultados desportivos continuaram a aparecer, sobretudo, nas secções desportivas mais antigas. Com destaque para a natação e o título de campeão nacional de Gustavo Costa, treinado por Augusto Macedo.
Em outubro de 2005, é eleito presidente da AEJ, Artur Barbosa. Pela primeira vez, um sócio não fundador passa a liderar os destinos do clube. Do seu curto mandato, destaque para a aproximação à juventude, com um conceito de animação envolvendo os jovens monitores dos Campo de Férias Estamos Juntos (CFEJ). É neste ano que surge um novo projeto na natação, com Luís Ferreira a treinar um novo lote de nadadores e onde prontificavam, entre outros, Diogo Moreira e Ana Rodrigues.
A mudança de presidente, com a eleição de Pedro Neto, em 2007, permitiu à AEJ ser liderada por um jovem, oriundo dos monitores dos CFEJ. Pedro Neto liderou o clube até 2010. No seu mandato fecharam as atividades de parapente, motociclismo e karting e, em contrapartida, o judo esteve em atividade durante o ano de 2008. Um regresso às origens do CFEJ. O judo infelizmente não teve continuidade, essencialmente, porque a atividade estava localizada fora do Complexo Desportivo das Corgas, o que contrariava a essência da AEJ dos últimos anos.
É por estes anos que o trabalho individual de Ana Rodrigues na natação começa a sobressair. A Federação Portuguesa de Natação aponta-a para o projeto Olímpico de Londres, para o ano de 2012.
Em 2010, surge um novo capítulo na história da AEJ. António Deville é eleito presidente. Depois de 19 anos de sucessivas lideranças de sócios fundadores e de mais cinco com direções de antigos participantes em Campos de Férias, surge um sócio, sem aqueles predicados, a comandar os destinos do clube. Condição que se manteve ao longo dos últimos nove anos.
Os resultados desportivos são igualmente melhorados. Antes de fechar portas, o xadrez chegou a competir durante uma época no Campeonato Nacional da 1ª Divisão, ou seja, entre as 10 melhores equipas do país. Em 2013, demonstrando a longevidade desta secção, Rodrigo Ribeiro, filho de um dos primeiros xadrezistas do clube sagra-se vice-campeão nacional de sub-08.
Embora nem só de destacados resultados desportivos viva um clube, a atividade da secção de ténis nunca chegou a sobressair no contexto distrital ou nacional da modalidade. Para isso, pode ter contribuído o sucessivo mau estado do piso dos courts municipais e o adiar da resolução e modernização daquelas instalações desportivas.
Relativamente à natação, destaque para o trabalho de Ana Rodrigues. Em 2010, consegue a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos da Juventude, realizados em Singapura. Dois anos mais tarde, Ana Rodrigues sempre conseguiu o apuramento para os Jogos Olímpicos de Londres – a página dourada do desporto desta Associação. Aliás, da cidade de S. João da Madeira.
Era o culminar do sonho desportivo da AEJ, premeditado nos anos 80 do século passado, ainda no tanque-piscina da Escola Primária do Parque, por Armando Margalho, enquanto monitor de natação, que traçou um desafio para o desporto de S. João da Madeira: “Com o Complexo Desportivo das Corgas, estavam reunidas condições para um sanjoanense participar nos Jogos Olímpicos”.
Em 2020, esta associação, sob a liderança de Joaquim Fial, procura consolidar o seu projeto desportivo, contando com cinco secções: natação, ténis, triatlo, surf e fitness, envolvendo mais de 100 atletas. O CFEJ continua a ser organizado, tendo-se adaptado aos novos tempos, aumentando a sua duração, com maior diversificação de atividades, procurando ser uma solução de confiança, para os pais que pretendem ocupar os seus filhos nas férias escolares.
Novos talentos desportivos, entretanto, despontaram. Um novo nadador, Henrique Silva, está referenciado pela Federação Portuguesa de Natação, treinando regularmente no Centro de Alto Rendimento de Rio Maior, conseguindo obter títulos nacionais.
Novos objetivos serão traçados, novos sonhos se concretizarão.

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