O presidente da câmara, Jorge Sequeira, decidiu proibir o acesso aos parques municipais depois de se ter reunido com a subcomissão da proteção civil – constituída por si próprio, vice-presidente, chefe de gabinete, comandante da GNR, comissário da PSP, o coordenador municipal da proteção civil e o comando dos Bombeiros Voluntários de S. João da Madeira – no domingo passado através do despacho n.º 22 de 2020.
Esta decisão também teve em conta “a emergência de saúde pública de âmbito internacional no quadro Covid-19, declarada pela Organização Mundial de Saúde no dia 30 de janeiro, bem como a classificação do vírus como uma pandemia no dia 11 de março de 2020” e “o disposto no ponto um, do Anexo I, do artigo 7.º do decreto n.º2-A/2020, de 20 de março que regulamento o Estado de Emergência decretado pelo Presidente da República” que diz respeito ao encerramento de instalações e estabelecimentos, onde podem ser realizadas atividades recreativas, de lazer e diversão, lê-se no documento.
A câmara municipal colocou grades e fitas de isolamento nos acessos aos parques que podem ser facilmente contornadas pelas pessoas. É certo. Contudo, “fizemos aquilo que é possível”, afirmou o presidente da câmara ao labor.
Caso as pessoas não cumpram a decisão municipal que tem por base o Estado de Emergência decretado a nível nacional, tal ação deve de ser dada a conhecer à Polícia de Segurança Pública (PSP), informou Jorge Sequeira através do despacho.

Parque do Rio Ul era o reflexo de “uma falta de consciência social” no domingo passado

E esta medida veio mesmo a propósito depois do que se passou no domingo passado num dos parques municipais de S. João da Madeira.
O presidente da câmara confirmou que teve conhecimento de “existir um aglomerado de pessoas” no Parque Urbano do Rio Ul depois desse cenário ter sido confirmado por Hélder Andrade, comissário da PSP, esta segunda-feira, ao labor.
“O Parque (Urbano do Rio Ul) era uma falta de consciência social”, afirmou. Quando se deslocou a este espaço verde, Hélder Andrade não só encontrou muitas pessoas de várias idades e em grupo a fazerem caminhadas e exercício físico, mas também famílias a fazerem piqueniques numa altura em que todos devem ficar em casa e só sair para comprar bens essenciais nos supermercados e nas farmácias e para ir trabalhar.
“A atividade física deve ser isolada e por um curto espaço de tempo, não pode ser uma caminhada para relaxar e sair de casa”, alertou o comissário, assumindo ter ficado incrédulo com o cenário que encontrou neste parque da cidade, porque só demonstra que “as pessoas continuam a pensar que estão de férias”. Relembramos que a atividade física coletiva está proibida, os passeios ditos higiénicos devem ser feitos junto à sua área de residência e a pessoa que violar o isolamento obrigatório está a cometer o crime de desobediência (ler estas e outras medidas decretadas pelo Governo nesta edição).
Para o comissário da PSP, “os parques da cidade vão ser encerrados devido à negligência social das pessoas”. Apesar destas exceções, “a população em geral está a cumprir” e isso vê-se no “menor fluxo de pessoas e veículos na rua” durante o dia e melhora durante a noite que é quando a cidade está “deserta e bem”, considerou Hélder Andrade, admitindo que, a seu ver, “os idosos continuam a sair demasiadas vezes à rua”.

“Cada pessoa é um agente de proteção civil”

A esquadra sanjoanense está a funcionar com “todos os serviços” e com “o efetivo na máxima força”, assegurou o comissário, destacando o espírito de abnegação comum a todos os agentes da proteção civil e profissionais de saúde.
Desde que o surto atingiu S. João da Madeira, “a criminalidade baixou, mas o número de chamadas para pedir esclarecimentos e para apresentar denúncias não”, revelou Hélder Andrade, destacando que “cada pessoa é um agente de proteção civil”.
O comissário garantiu ainda ao labor que seja qual for a denúncia “vamos a todas”, cumprindo assim o seu papel de fiscalizar o cumprimento dos deveres e dos direitos por parte dos cidadãos, das instituições e dos estabelecimentos.

Idosos não devem abrir a porta a desconhecidos e muito menos apresentar os seus documentos pessoais

No seguimento de informações que têm circulado nas redes sociais ou em alguns órgãos de comunicação social sobre a alegada prática de crimes de burlas, furtos e roubos, praticados por falsos funcionários de diversas entidades, nomeadamente médicos, enfermeiros, técnicos de empresas de comunicações ou carteiros, dirigidos especialmente à população mais vulnerável em função da idade, isolamento ou outro motivo, a direção nacional da PSP esclarece que “até ao presente momento não tem registos de tais crimes praticados no contexto da presente situação de saúde pública” e reforça “a necessidade de toda a população, vítimas ou meras testemunhas, informarem a Polícia de Segurança Pública caso tenham conhecimento de práticas criminosas, permitindo a reação e investigação imediatas” em comunicado enviado ao labor.
Estes crimes também não foram registados na esquadra da polícia de S. João da Madeira até ao fecho da edição.
Contudo, o comissário Hélder Andrade aproveitou a oportunidade para pedir às pessoas, especialmente aos idosos, que “não abram a porta a desconhecidos nem deixem que tenham acesso aos seus documentos pessoais”.

 

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