AFA segue medidas da FPF e cancela todas as competições distritais jovens

Títulos só para provas já terminadas e não há subidas ou descidas

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Um dia depois da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) ter decidido dar por concluídas as competições nacionais de todos os escalões de formação de futebol e futsal, masculinas e femininas, sem que resultasse qualquer efeito desportivo imediato das mesmas, resultado da pandemia de Covid-19, a Associação de Futebol de Aveiro optou por aplicar as mesmas medidas aos campeonatos jovens distritais, sem que haja lugar a subidas ou descidas, ou a atribuição de títulos. A decisão não afeta, no entanto, as competições que já haviam terminado antes da suspensão, pelo que os títulos alcançados serão atribuídos aos respetivos vencedores, mas “sem haver lugar a eventuais descidas e subidas, para compatibilização com as demais provas distritais e nacionais”, refere a entidade que tutela o futebol e futsal aveirense num comunicado. “Neste momento só víamos duas soluções. Ou mantínhamos tudo como estava e aguardávamos, ou olhávamos para os factos que temos ao nível nacional e para os dados da Direção Geral de Saúde e do Governo, que apontam para que a pandemia se estenda até final de maio, e tomávamos esta decisão”, explica Arménio Pinho, presidente da Associação de Futebol de Aveiro. “Quando se começa a ver que, possivelmente, os alunos não vão regressar à escola no atual ano letivo, não acreditamos que os pais permitissem que os seus filhos fossem jogar futebol em julho ou agosto”, acrescenta o dirigente, sublinhando também que com esta decisão, e com toda a atividade desportiva suspensa, clubes e treinadores podem dar por terminado o vínculo que os unia.

Arménio Pinho reconhece que esta deliberação “poderá não agradar a todos”, mas na impossibilidade de “ouvir todos os clubes”, a direção da AFA “decidiu acompanhar a decisão que, um dia antes, havia sido anunciada pela Federação Portuguesa de Futebol”. “Continuo a achar que a nossa decisão foi a mais correta, porque a situação que vivemos está em agravamento e, neste momento, enfrentamos uma luta mais importante que é a luta pela vida das pessoas”, pelo que, segundo o dirigente, “o desporto terá que ficar para segundo plano”. Reconhecendo que depois de vários meses de trabalho esta é uma decisão que penaliza todos os clubes, com vários a lutarem pelo título e/ou subida, o presidente da AFA reforça que “atualmente a prioridade tem de passar por outras situações”, e a saúde dos jovens atletas e famílias é uma das principais preocupações da associação.

Com a suspensão de toda a atividade desportiva em vigor desde 10 de março, culminando agora com o cancelamento de todas as competições distritais, são de esperar dificuldades financeiras para alguns clubes e Arménio Pinho admite que “alguns já se queixaram que os pais deixaram de pagar a mensalidade, mas continuam a pagar aos treinadores”. “Com esta decisão também ajudamos, de alguma forma, os clubes permitindo-lhes libertarem-se de compromissos dois ou três meses mais cedo”, explica o dirigente, admitindo que “a AFA está na mesma situação”. “Também temos compromissos com os nosso colaboradores. Há cerca de dois meses assinamos contrato para construir uma academia e agora cai-nos esta bomba em cima”, conta Arménio Pinho, revelando que a próxima época é ainda uma incógnita. “Esperamos que haja mais tempo para preparar a nova temporada, mas ainda não sabemos nada”, refere, sublinhando que face às incertezas que se vivem e à evolução de toda a situação é “necessário um passo de cada vez”.

FPF e associações estudam cenários para campeonatos seniores

Com o desporto a viver uma situação complicada, resultado do estado de emergência que se vive no país, depois de um período de suspensão a Federação Portuguesa de Futebol optou por cancelar todas as competições nacionais nos escalões de formação, mantendo, no entanto, a interrupção nas provas das equipas seniores, decisões que a Associação de Futebol de Aveiro (AFA) acompanhou ao nível distrital. Com a entidade que tutela o futebol e futsal nacional a tentar encontrar o melhor cenário, juntamente com as associações distritais e regionais, não há, ainda, qualquer decisão relativamente às competições seniores. Arménio Pinho, presidente da AFA, salienta que com o cancelamento das provas jovens “agora é necessário encontrar a saída para os campeonatos seniores” e que a decisão agora aplicada não pode ser implementada da mesma forma aos restantes escalões. “Há contratos com jogadores e investimentos feitos, sendo que nos campeonatos profissionais é necessário ter também em conta os patrocínios”, explica o dirigente da Associação de Futebol de Aveiro, que aponta também o facto de muitos clubes dependerem das instalações municipais para a prática desportiva como um dos pontos que foi tido em consideração para o cancelamento das provas jovens. “Face ao momento que se vive, as autarquias vedaram os seus espaços desportivos e não sabemos quando vão voltar a ser disponibilizados”, acrescenta, Arménio Pinho.

Com a Federação Portuguesa de Futebol, em colaboração com as diversas associações distritais e regionais, a estudar um conjunto de cenários para os campeonatos seniores, o dirigente aveirense assegura que uma solução só será possível se “existir articulação entre todos”. “Não podemos (associações) tomar uma atitude e a Federação e a Liga outra”, sublinha, admitindo, no entanto que os clubes terão de estar preparados porque no final “as decisões poderão ser boas para uns e menos boas para outros”.

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