Ideia partiu dos administradores das empresas Footure, de componentes para calçado, e Doss, de impressão digital para o mesmo setor 

 

Das 4.000 viseiras cirúrgicas produzidas em S. João da Madeira (SJM) para doar a várias instituições, por iniciativa dos administradores da Footure e da Doss, 500 foram enviadas para “um grupo de empresas na Holanda [Países Baixos] que nos ajudou a fazer as costuras” e que, entretanto, as entregou a hospitais naquele país. A onda de solidariedade iniciada há dias por Tiago Gomes e Carlos Pinho chegou a ultrapassar as fronteiras do nosso país, aumentando assim o sentimento de “missão cumprida” destes empresários sanjoanenses.
Na última segunda-feira de manhã, quando falaram com o labor, os dois jovens estavam prestes a concluir este seu projeto que surgiu em plena crise pandémica, “numa fase crítica em que o setor [do calçado] tem poucas encomendas”, como disse Tiago Gomes. Este e o “companheiro de luta” preferiram “ajudar quem mais precisa do que estar em casa sem fazer nada”. E o resultado está à vista: contando com a colaboração de cerca de 30 empresas representantes da indústria de calçado e de outros setores, a maioria de SJM, criaram quatro milhares de viseiras cirúrgicas para oferecer a unidades hospitalares e não só.
De facto, foram muitos os que responderam ao apelo de Tiago Gomes e Carlos Pinho tendo em vista a cedência de matéria-prima como velcro, vinil, elástico, espuma com autoadesivo, etc., e ainda de mão-de-obra. E toda esta “corrente solidária” resultou na doação deste tipo de “equipamento de saúde”, que, conforme asseguraram, “cumpre os requisitos técnicos”, aos bombeiros voluntários de S. João da Madeira e de outros concelhos próximos; lares de idosos também de SJM (Santa Casa da Misericórdia), Arouca, Cucujães (Fundação Manuel Brandão) e Milheirós de Poiares; centros de saúde de SJM, Oliveira de Azeméis, Vale de Cambra e Vila Nova de Famalicão; câmaras de SJM e Ovar; Proteção Civil de SJM; polícia de SJM e Ovar; GNR de Lisboa; hospitais de SJM, S. Sebastião (Santa Maria da Feira), Eduardo Santos Silva (Vila Nova de Gaia), Penafiel, Guimarães, Celorico de Basto e São João (Porto); IPO; Diocese do Porto; etc..
Chegadas às 4.000 viseiras cirúrgicas, Tiago Gomes e Carlos Pinho quedam-se por aqui, conscientes que “fizemos a nossa parte e também conseguimos que outros empresários arregaçassem as mangas e seguissem o nosso exemplo”. “Através desta iniciativa, vimos outras empresas decidirem também abraçar este projeto, com destaque para as de S. João da Madeira que foram as que cederam grande parte dos materiais”, referiram, destacando ainda a Kingsley, “por ser a que nos ajudou mais na montagem. Produziram cerca de 3.000 viseiras”.
Além da Footure, Doss e Kingsley, a Heliotextil, ERT, Procalçado, Flex2000, Olmar, Manuel Gonçalves Andrade, Sollini, Silva e Costa, Turtleshoes, Idepa, Artur Cortantes, Artepedick, Flexoespuma, Idepa, Indubor – Embroidery & Clothes, Montecampo, Filsousa, Santos e Pires, RZ, Step 5, Reve de Flo, Rufel, Factorum, SSF, Calçado Gaiato, YKK e Art in Vogue foram as outras empresas que se associaram a esta causa nobre.
Na sua página do Facebook, Tiago Gomes publicou, ao final do dia 30 de março, que “gratidão é o que sentimos por conseguirmos ajudar um bocado tudo e todos que nos rodeiam”. “A missão foi concretizada com sucesso” ao ponto de ter excedido “as nossas expetativas”. “Obrigado a todos os que contribuíram. Sem vocês seria impossível”, afirmou, em seu nome e no de Carlos Pinho. Terminou aludindo a Gandhi: “Temos de ser a transformação que queremos no mundo”.

 

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