Floristas da cidade (des)esperam por melhores dias para o negócio 

 

Há floristas em S. João da Madeira que continuam a abrir portas, mesmo que a procura seja pouca. A Casa Jasmim, na Rua Oliveira Júnior, junto ao Museu da Chapelaria, é uma delas.
A proprietária, Lurdes Nunes, continua a trabalhar, porque, conforme confidenciou ao labor, “faz-me bem vir para aqui”. Mas só tem trabalhado da parte da manhã. Foi, aliás, o que aconteceu no último Domingo de Ramos. Este ano, sem fornecedores e praticamente sem clientes, “foi um Domingo de Ramos em branco”, disse.
Mesmo podendo estar abertas em tempos de emergência nacional, “para nós, floristas, [o negócio] parou”, garantiu Lurdes, lembrando que agora “não temos cemitérios, funerais, igreja, etc.”. De qualquer modo, e apesar de o negócio já ter conhecido, de facto, melhores dias, a verdade é que, em seu entender, tudo isto “é sinal que as pessoas estão a cumprir tudo direitinho e estão em casa”, o que acaba por a “confortar” um pouco, como admitiu ao nosso jornal.

Surto pandémico está “a ‘apanhar’ a melhor altura do ano para o negócio”

Contrariamente a Lurdes, Graça Bastos tem a loja fechada. Na semana passada, ainda abriu “por ter algumas plantas de exterior”, que até acabou por vender “a preço de custo”. Mas agora a Florista Mimosa está encerrada. Aliás, está e estará, pelo menos, até ao fim desta segunda fase do estado de emergência.
Esta casa de flores já com 25 anos, situada na Rua Dr. Maciel, perto do Centro Comercial Parque América, não funcionou no Domingo de Ramos nem funcionará no fim de semana de Páscoa. “Se há restrição é restrição para todos”, defendeu Graça, acrescentando que “estando aberta estou a contribuir para que as pessoas venham para a rua”, sobretudo as mais velhas e isoladas, que geralmente vêm à loja até mais para conversar do que para comprar.
Graça “já há três semanas que não recebe flores”. “Está tudo parado” e, sendo a maior parte dos fornecedores de longe, agora com as restrições à circulação mais apertadas, durante o período da Páscoa, vai ser ainda pior. Por isso, “não estou ali a fazer nada. Vou estar fechada e fazer [assim] a minha parte”.
Trata-se, na sua opinião, de “uma situação que mexe com toda a gente”, inclusive com as floristas. O surto pandémico está “a ‘apanhar’ a melhor altura do ano para o negócio (Domingo de Ramos, Páscoa, Dia da Mãe, a própria primavera)”. Há também casamentos e batizados que “estão a ser adiados”. Mas, “pronto, temos de nos conformar e andar para a frente”, acreditando que tudo isto vai passar.

“Isto é para o bem de todos. A saúde está acima de tudo!”

Rosa Cardoso também tem a Casa Orquídea, na Rua Visconde, a poucos metros da igreja, encerrada. Optou pelo encerramento mesmo antes de ser decretado o estado de emergência por não haver “condições para trabalhar”. “Não há fornecedores nem clientes”, afirmou, indo ao encontro das outras duas colegas de profissão com quem o labor também falou.
Rosa contou que ficou “com as câmaras cheias de flores”. Mas não volta atrás nesta sua decisão, porque “isto é para o bem de todos. A saúde está acima de tudo!”. “Devemos nos manter fechados por nós e pelos outros” e, sobretudo, pelo carinho e pela amizade pelos clientes”, fez questão de sublinhar.
Quanto à reabertura desta loja sanjoanense já com 42 anos, admitiu não saber quando vai ser possível. De qualquer modo, tem “esperança e fé” de reabrir em maio.

 

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