Ideia deste projeto para ajudar no combate à Covid-19 partiu de duas amigas 

 

“Norte em Ação – rede de entreajuda para produção de material hospitalar” começou no Norte e rapidamente se estendeu ao resto do país, havendo já “um grupo parceiro [‘Sul em Ação’]”. Passaram-se apenas duas semanas desde que este grupo foi criado no Facebook (https://www.facebook.com/groups/533322850657663/learning_content/) para ajudar um hospital na zona Norte. Neste momento, os pedidos de ajuda multiplicaram-se e o número de membros já ultrapassou os 7.800.
“Norte em Ação” surgiu de uma conversa entre duas amigas, Sara Melo Moreira e Valeria Wiendl. Esta médica pedopsiquiatra e esta arquiteta e criativa, respetivamente, constataram “a necessidade de criar ‘pontes’ entre várias pessoas interessadas em ajudar os profissionais de saúde, mas que não sabiam o que fazer”. “Nas redes sociais – conforme descrevem em nota de imprensa enviada ao labor – fomos vendo notícias de iniciativas individuais para produção de máscaras, viseiras e outros equipamentos, mas, por vezes, as pessoas não sabiam qual o material mais apropriado ou como fazer chegar aos locais certos”. E, por isso, criar “um grupo onde as pessoas se pudessem ‘encontrar’” lhes pareceu “muito útil”. Além do mais, no entender de ambas, numa altura “em que as pessoas passam horas isoladas e sem saber o que fazer, o envolvimento numa rede de entreajuda e solidariedade promove muito a saúde mental”.
Neste projeto solidário, Sara Melo Moreira e Valeria Wiendl contam, também como “administradoras” do grupo, com Alice Prata, licenciada em arquitetura, mas a trabalhar em artes performativas e outras atividades ligadas à cultura, e Clara Pimenta do Vale, arquiteta e professora universitária, bem como com “a ajuda preciosa de outras pessoas amigas”.
Inicialmente, o objetivo principal passava por reunir e promover toda a ajuda possível no Norte do país para o fabrico e a doação de equipamentos de proteção individual (EPI´S). O grupo tinha a ambição de chegar às empresas do setor têxtil, que se situam maioritariamente na zona Norte de Portugal. Mas com o crescimento do projeto aumentou igualmente a procura dos materiais necessários para a produção de EPI’s.
Atualmente, os pedidos de ajuda chegam, para além de instituições hospitalares, de lares de idosos. E o projeto também “procura ajudar com outros bens como, por exemplo, alimentos, mantas, produtos de higiene e outros produtos de primeira necessidade em geral.
São várias as áreas de ação: “produção de equipamento de proteção individual pelas nossas costureiras voluntárias; aquisição de equipamento já feito, em armazenistas ou fábricas com venda ao público, recorrendo a donativos de privados ou empresas; e parceria com outros grupos com objetivos semelhantes ao nosso (Movimento Makers, Coisas que Imprimem e outras que Entopem, Luta contra a Covid Tâmega e Sousa, Materiais de Proteção em Rede)”.

Projeto conta já “com quase 100 costureiras”

Até agora, “a maior dificuldade é mesmo encontrar o tecido adequado para produção de EPI’s (de acordo com as normas da DGS)”. Sara Melo Moreira, Valeria Wiendl e restantes companheiros de luta precisam de matéria prima, nomeadamente de tecido não tecido tricamada, impermeável com poliamida ou polipropileno e gramagem superior a 70g, tecido plastificado, campos cirúrgicos, elásticos e linha de costura. Daí o apelo a todas as empresas que tenham este material em stock, para que os contactem através do email norte.em.acao.covid19@gmail.com.
“Conseguir dar resposta ao maior número de pedidos” é, presentemente, o “maior objetivo”. Mas também se pretende “encontrar parcerias com empresas que, apoiando a nossa causa, nos permitam adquirir mais material”, acrescentaram as responsáveis, de acordo com o comunicado recebido pelo nosso jornal.
Falando das “principais conquistas” alcançadas até agora, Sara Melo Moreira e Valeria Wiendl referiram, “em primeiro lugar, o facto de termos chegado a tantas pessoas e termos uma base de dados com quase 100 costureiras”. Para além disso, “já fizemos entregas, inclusivamente dentro da cerca sanitária de Ovar, ao Lar da Santa Casa da Misericórdia, o que nos faz perceber que a solidariedade ultrapassa barreiras; e a parceria com a ESEV [Escola Superior de Educação de Viseu], que nos permite alargar horizontes de uma forma tão eficaz”.
Até à data S. João da Madeira ainda não foi contemplado com qualquer doação por parte do “Norte em Ação”, mas isto não significa que não venha a ser. Entretanto, e para já, Sara Melo Moreira e Valeria Wiendl defendem que “é fundamental a entreajuda de todos os cidadãos portugueses”. Por isso, e uma vez que “toda a ajuda é bem-vinda, assim como todos os pedidos de ajuda”, as duas convidam todos os portugueses, inclusive os sanjoanenses, a colaborar nesta iniciativa.

 

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