Mesmo longe, Tiago Santos conseguiu chegar aos portugueses através de uma aplicação.

Tiago Santos

Há cerca de duas semanas, este jovem sanjoanense, que é engenheiro informático na Eslováquia, começou a pensar numa forma de diminuir o número de pessoas que se juntam nas filas para os supermercados.

Tudo isto depois de ver o impacto do novo coronavírus em países como Espanha e Itália, mesmo ao lado de Portugal, onde mora a sua família, e de ter ficado com uma especial preocupação em relação aos seus pais por serem pessoas que estão incluídas no grupo de risco.

Em conversa com os irmãos ficou ponto assente que as compras de bens essenciais seriam feitas por eles que, por sua vez, as entregariam aos pais. Só que uma outra inquietação surgiu quando os irmãos iam às compras e encontravam um elevado amontoado de pessoas.

Então, Tiago Santos, juntamente com Simão Castro, também engenheiro informático, e a equipa da LAPA, abraçaram desde o início a criação da aplicação “Posso ir?”.

Simão Castro

A quem se juntou o engenheiro informático mexicano Rodrigo Solís, o Movimentotech4COVID19, a AMAZON ao disponibilizar a infraestrutura para alojar o sistema, entre outras dezenas de pessoas que ajudaram a testar a aplicação em todas as suas fases e que têm dado o seu apoio sem pedir nada em troca.

Por isso, “a todos o meu obrigado”, disse Tiago Santos em conversa com o labor.

Esta aplicação começou por permitir ao utilizador saber qual o estado da fila dos supermercados, mas rapidamente já estendeu o seu raio de ação às farmácias e estão a ser trocados contactos no sentido de alcançar restaurantes com regime de take-away e até bancos.

A ideia é dar “oportunidade aos próprios negócios de terem a iniciativa de fazer parte da aplicação” que funciona através do “passa a palavra” sobre o estado das filas por parte dos utilizadores sempre que vão aos locais, explicou o jovem sanjoanense.

Nesse sentido, está a ser equacionada a hipótese dos próprios supermercados também contribuirem com a divulgação de informação na plataforma, bem como as farmácias.

Quanto mais pessoas utilizarem a plataforma mais informação fiável teremos e mais fácil será evitarmos longas filas de espera”, considerou Tiago Santos ao nosso jornal.

Todos os que contribuíram para a criação desta aplicação fizeram-no de “forma voluntária e sem lucros pessoais”, esclareceu o jovem sanjoanense, adiantando que neste momento estão “a tentar recolher mais fundos para expandir os servidores”.

A “única gratificação” que os envolvidos terão com esta iniciativa é que “possa ajudar a evitar a disseminação do vírus”. Portanto, “ajudem-nos a propagar esta ideia”, apelou Tiago Santos através do labor.

Mais de 90.000 utilizadores numa semana

Num espaço de pouco mais de 24 horas, desde o dia de lançamento, 1 de abril, a aplicação já tinha sido descarregada por “mais de 18.000 pessoas”, revelou o jovem sanjoanense no dia 2 de abril ao nosso jornal.

Até ao fecho da edição, a aplicação já tinha sido utilizada por 90.000 pessoas.

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