Os canais azuis de Veneza

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A Pandemia que vivemos provocou uma paragem em todo o Planeta .

Essa paragem veio obrigar as pessoas a refletirem sobre o estado do seu mundo e do seu modo de vida. Existem lições a tirar de tudo isso.

Do frenesim e da loucura em que as sociedades tem mergulhado nas últimas décadas, com movimentação e eventos em excesso de todo o tipo . O turismo desenfreado é, aliás, uma das consequências disso.

Um outra lição a tirar é como iremos lidar com uma nova consciência quanto à higienização quotidiana. Isso conduz a que se tenha novas práticas domésticas, até mais próximas das civilizações orientais que infelizmente se despreza. Mais uma vez teremos algo a aprender com japoneses e chineses.

Ao ver os canais de Veneza mais azuis do que nunca ou os céus mais limpos de poluição, é impossível não perceber o quanto se estava a estragar o Planeta. Há que ter uma nova estratégia para o futuro. Não somente uma estratégia ecologista com o fito de novos negócios mesmo que os resultados sejam duvidosos. Ou uma estratégia de querer penalizar o país A, B ou C , porque aí continuará a não haver entendimento quanto às novas batalhas ecológicas a travar.

Perceber ainda que o consumismo deve ser contido e perceber que a Natureza é a maior amiga que o ser humano pode ter.

Ainda por cima a Pandemia veio a surgir em plena primavera e se formos atentos desta vez podemos apreciá-la com especial demora e admiração.

Sentir na atualidade, o chilrear dos pássaros mais frequente e intenso, como que agradecendo o facto de os “ Homens “ terem parado as suas atividades. Isso convida a que se pense um pouco, na busca de novos valores para o futuro, adequados, no entanto, ao que se conquistou com muito sacrifício pelas gerações passadas. Não é nada a que se assemelhe a um “reset” informático como haverá alguém ( e correntes políticas ) que pretenda demonstrar que assim seja o caminho.

É óbvio que não podemos transformar as cidades em pombais, pois as economias alicerçam-se em fatores de produção encabeçadas por gentes de muita vontade e resiliência. Esses fatores de produção trazem riqueza, comida para a mesa e bem-estar para as pessoas.

Muitos têm esquecido deliberadamente quem produz, quem transforma, quem injeta riqueza nos indicadores económicos. Até é curioso como agora se fala tanto disso.

Será importante que daqui para a frente, não haja mais dúvidas quanto a manter os rios cristalinos ( não é mais ou menos turvos conforme os dias), que haja real respeito pelas árvores que trazem oxigenação às cidades e não se argumente que se calhar estão podres por dentro, e que se promova nas escolas maior civismo urbano e respeito pela Natureza. Tudo isso em detrimento de outras atividades meias febris, que se alimentam gananciosamente do ajuntamento de massas.

Felizmente quanto a estas últimas vejo-lhes um futuro negro.

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