“Para um sacerdote custa muito celebrar sem povo”

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Em declarações ao labor sobre as recentes celebrações pascais levadas a cabo pela Paróquia de S. João da Madeira, o Padre Álvaro Rocha começou por dizer nunca ter imaginado um “cenário” como este em que vivemos presentemente. “A Páscoa, este ano, está a ser muito diferente”, confidenciou ao nosso jornal, acrescentando que “para um sacerdote custa muito celebrar sem povo, não poder estar com o seu bispo na renovação das promessas sacerdotais na Sé Catedral do Porto, não contactar com as crianças e os jovens, com os grupos e movimentos”.

Mas também disse que “fomos prontos a reagir”. Segundo o pároco sanjoanense, “chegados à Semana Santa, as celebrações procuraram ter a mesma dignidade, embora sem a participação das pessoas. Nada do que estava programado se deixou de fazer, mesmo a Via-sacra (que não saiu de Fundo de Vila, mas que se fez no interior da Matriz)”. No final, percebeu-se que “havia um número significativo de acessos à nossa plataforma de transmissão”, contudo, e como admitiu ao labor, “as celebrações não foram o que esperávamos: muito envolventes, com batismo de crianças que estão em caminhada para a comunhão e que, portanto, já frequentam a catequese”.

 

“Mas particularmente dolorosa, para mim e para as famílias, tem sido a celebração dos funerais”

“Não pudemos visitar os doentes e levar-lhes a comunhão dominical. Não foi possível atender as pessoas em confissão. Os noivos têm adiado os seus casamentos, quando estes estavam marcados para estes meses mais próximos. O mesmo tem acontecido com os batismos. Mas particularmente dolorosa, para mim e para as famílias, tem sido a celebração dos funerais: um número restrito de presenças, cerimónias breves, sem tempo para se velar os defuntos”, “confessou” o sacerdote, que também fez questão de “sublinhar a grande compreensão das famílias”. Como referiu, “a resposta da comunidade cristã tem procurado ser humana e crente: comprometemo-nos, no dia do funeral, a juntar a intenção na missa da tarde, celebramos o 7º dia e havemos, depois disto tudo passar, de reunir a família numa missa de sufrágio que depois se acertará em termos de data”.

“A Páscoa é a grande festa do cristão. Tudo o que ao longo do ano fazemos de festivo ou quotidiano decorre da Páscoa. Como tenho dito, está a ser uma Páscoa diferente, mas sempre crente!”, salientou o Padre Álvaro Rocha, renovando ainda os votos de uma Santa Páscoa para todos os paroquianos.

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