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Esta última quarta-feira, segundo o boletim da DGS, eram 51 os casos confirmados no concelho

 

“Por decisão da autoridade saúde nacional, à qual o Município de S. João da Madeira é alheio”, como a câmara quis deixar claro na sua página de Facebook logo na sexta-feira, dia 10, houve no final da semana passada uma alteração na divulgação dos dados relativos aos casos de Covid-19 a nível concelhio. Em S. João da Madeira (SJM), e contrariamente a outros municípios próximos, nunca foram tornados públicos os números de óbitos nem de recuperados, mas agora são só divulgados os casos confirmados. Estes são avançados publicamente com base não na autoridade de saúde local, como sempre foi, mas única e exclusivamente no boletim da Direção-Geral da Saúde (DGS), difundido diariamente a partir das 12h00, no site da própria DGS (https://covid19.min-saude.pt).

Questionado pelo labor sobre esta decisão do Governo que tanta tinta tem feito correr no país, Jorge Sequeira esclareceu que “esta alteração promovida pela autoridade de saúde nacional fica a dever-se à necessidade de homogeneizar a divulgação da informação sobre a Covid-19 em todo o território nacional, sendo que os únicos dados desagregados por concelho se referem aos casos confirmados”. Segundo o presidente da câmara, o Governo quis acabar, assim, com “a discrepância que havia na forma de comunicar as informações [de concelho para concelho]” e com algumas situações em que “os dados eram fornecidos mais rapidamente aos municípios do que à base de dados nacional”. Quando assim era, “as pessoas quando comparavam os dados dos municípios com os dados da base nacional eles não coincidiam e isso gerava alguma desconfiança”.

Na conferência de imprensa da última terça-feira, o autarca chamou à atenção para que “o relatório da DGS que, por razões de natureza estatística, nunca difunde a totalidade dos casos (ora difunde 78%, ora difunde 81%). E, por isso, é que quando nós divulgámos pela primeira vez os dados da DGS eles eram inferiores aos dados que tínhamos divulgado no dia anterior”.

Às jornalistas, baseando-se no que a ministra da Saúde tinha dito a propósito e “o delegado de saúde [local] me esclareceu de imediato”, Jorge Sequeira fez questão de ainda deixar claro que “os dados continuam a ser dados à Proteção Civil [PC]. Ou seja, não houve uma proibição de troca de informações nem de dados entre a estrutura da Proteção Civil e o delegado de saúde”. “O que acontece é que esses dados são fornecidos à PC para ele desenvolver o seu trabalho de coordenação com a PSP, GNR, Centro de Saúde, Hospital e delegado de saúde, mas não podem ser divulgados publicamente”. “A divulgação pública está circunscrita ao boletim da DGS”, repetiu.

Segundo o líder autárquico, “a Proteção Civil Municipal [continua a receber os dados, mas não os divulga por razões de coerência e de segredo estatístico e de harmonização estatística, usando-os apenas para fins do seu trabalho operacional apenas”. “Não houve nenhuma proibição do Governo para que os dados fossem transmitidos e atualizados ao momento pelos delegados de saúde aos presidentes de câmara [que são também os presidentes da Proteção Civil]. Pelo contrário. Eu continuo todos os dias, religiosamente, a receber esses dados. Não posso é divulgá-los!”.

“O direito à informação é vital e sagrado e compreendo a necessidade das pessoas de saberem a evolução da situação nos seus territórios”, “mas também compreendo a posição do Governo”, afirmou Jorge Sequeira, para quem “não houve qualquer intenção de diminuir os autarcas ou de tornar este processo menos transparente”.

O responsável político acrescentou, ainda, não saber o porquê de o assunto estar a ser tão polémico em outros municípios. “Pelo menos, aqui, em S. João da Madeira os dados estão a ser dados [à Proteção Civil]. A não ser que em outros concelhos os delegados de saúde tenham interpretado a instrução do Governo de maneira diferente”.

Até ao fecho da edição do nosso jornal, de acordo com o boletim da DGS, S. João da Madeira registava 51 casos confirmados com Covid-19, informação correspondente a 82% dos casos confirmados. Já Portugal tinha 18.091 casos confirmados, 383 recuperados, 150.804 suspeitos e 599 óbitos.

 

 

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