Desconfinamento gradual

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Por estes dias o assunto principal ainda é a saúde pública. Apesar do número diário de casos positivos de covid-19 em Portugal ser perto das duas centenas e do número de mortes rondar a dezena e meia, valores semelhantes aos dos dias finais do mês de março, existe uma sensação global de melhoria.

A comparação com os indicadores do país vizinho ajuda a manter a confiança na resposta do Serviço Nacional de Saúde, quer através do profissionalismo de médicos, enfermeiros e pessoal auxiliar, quer pela capacidade de internamento, quer pela gestão de meios, como demonstrado pela capacidade de criação de hospitais de retaguarda, seja de reserva ou de campanha.

Sendo lamentável qualquer morte, só no mês de abril falecerem 800 pessoas por Covid-19, é com expetativa que se observa o retomar das atividades profissionais.

Com o uso generalizado de máscaras em estabelecimentos industriais, comerciais e transportes públicos, poderá ser possível diminuir o contágio nos próximos dias. É certo, pela experiência vivida nos sucessivos estados de emergência, que só será possível verificar os efeitos deste desconfinamento daqui a três ou quatro semanas (pelo somatório do tempo de contágio mais tempo de aumento de carga viral, consequentes sintomas e marcação de teste e finalizando pela obtenção do resultado).

Há um risco calculado, distante da imunidade de grupo, que que se espera não traga graves consequências.

Por estes dias as cidades ganham alguma vida.

Há mais movimento de automóveis. Lisboa teve filas em hora de ponta. O acesso à A4, no nó da A3 para o túnel de Águas Santas, voltou a ser referência nos programas radiofónicos, pelo trânsito condicionado. Os postos de abastecimento de combustíveis voltaram a ter clientes. Tudo ainda longe do habitual e apesar do preço inflacionado (literalmente) pela carga fiscal. Os transportes públicos recuperam clientes. O Metro do Porto aumentou a cadência das suas composições, para evitar congestionamento nas composições. A CP espera ter terminado o tempo de transportar ferro e passar a receber clientes. Os autocarros da Transdev seguem para o Porto com horário especial, com os passageiros afastados uns dos outros. Os voos internos Porto – Lisboa começam a ser anunciados.

Se no estado de emergência surgiram alterações nas atividades abertas ao público, como os acrílicos ao balcão, colaboradores a desinfetar carros e expositores, gel desinfetante e luvas oferecidas aos clientes, havendo igualmente profissionais adaptados a porteiros de hipermercados, já para não falar na conversão de restaurantes em take-away ou mesmo nos sistemas de entregas ao domicílio, atividade recrutadora ou de reconversão profissional, veremos o que trarão estes tempos de calamidade.

Para já impera o uso de máscara. O acesso condicionado passou a ser anunciado no pequeno comércio. Os clientes ficam à porta à espera de vez. Com máscara na cara, mesmo no exterior do estabelecimento. As expressões faciais ficam reduzidas aos movimentos de olhos e sobrancelhas. A abertura deste comércio trouxe pessoas para as ruas da cidade, longe dos centros comerciais, que ainda estão encerrados.

Ao longo de maio outras atividades reabrirão. Lojas de maior área, trazendo mais pessoas para as cidades. Anunciam-se as aulas presenciais para os alunos dos 11º e 12º anos. Os bares e restaurantes poderão abrir, com lotações inferiores. No último fim de semana do presente mês, poderá voltar a jogar-se futebol. Embora, a época desportiva para as coletividades do concelho tenha terminado, com o consequente prejuízo da atividade física de jovens e dos restantes habitantes, deixando um vazio difícil de preencher no seu dia-a-dia.

Ainda no final de maio serão retomadas as atividades religiosas, caso assim o entendam as demais confissões.

Tudo isto é vivido com enorme expetativa. Ficando-se aguardar o regresso das atividades culturais, não apenas os cinemas, teatros mas também, os concertos, as danças e as demais expressões artísticas que precisam da presença de público para se sentirem realizados.

Depois de semanas a viver confinados, o desconfinamento é um momento de esperança. No entanto, a saúde pública continuará a comandar a sociedade: Por isso, as atividades humanas ficarão sempre condicionadas, com consequências para os vários indicadores económicos.

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