Depois de quase dois meses de suspensão, as federações de andebol, basquetebol, patinagem e voleibol decidiram dar por concluídas todas as competições nacionais seniores devido à pandemia de Covid-19. Num comunicado coletivo, as quatro entidades referem que “avaliadas todas as opiniões, contributos e recomendações, decidiram seguir um conjunto de princípios comuns para a resolução das competições nacionais”, mas com exceções. Todas decidiram dar por terminadas as competições nacionais seniores da atual época desportiva sem que seja atribuído qualquer título de campeão, em qualquer categoria, mas enquanto andebol, basquetebol e voleibol optaram por não descer equipas de divisão, exceto nos casos em que as federações já tinham comunicado a perda de direitos desportivos, o hóquei em patins seguiu um rumo diferente, e deverá realizar, em setembro, uma prova para apurar os clubes que serão despromovidos. Quanto às subidas de divisão, serão realizadas nas quatro modalidades, no início da época 2020/2021, competições de apuramento em moldes a anunciar pelas respetivas federações.

No andebol a Associação Desportiva Sanjoanense será um dos clubes que no arranque da próxima temporada irá lutar pela subida à 1.ª Divisão Nacional, que será disputada por 16 clubes, sendo que dois são provenientes do escalão inferior e serão apurados entre os três que obtiveram a melhor classificação na Zona 1 (Póvoa AC), Zona 2 (AD Sanjoanense) e Zona 3 (Almada AC) numa competição todos contra todos a uma volta. Já no hóquei em patins o clube alvinegro, que ocupava a oitava posição na altura em que o Campeonato Nacional da 1.ªDivisão foi suspenso, para além de estar fora da luta pela manutenção garantiu o apuramento para a Taça World Skate Europe (WSE), juntamente com Óquei de Barcelos, Braga, Turquel e Riba d’Ave. No basquetebol, com a Sanjoanense também na oitava posição da Proliga o clube está afastado da competição de apuramento, que segundo a federação que tutela a modalidade será de participação facultativa.

José Pedro Silva, responsável pelo andebol da ADS

“Clubes irão ter dificuldades em abordar os patrocinadores”

Na altura em que a competição foi suspensa a Sanjoanense ocupava a segunda posição, atrás do Póvoa AC, da Fase Final do Campeonato Nacional da 2.ª Divisão de Andebol, mas com apenas duas jornadas cumpridas a Federação de Andebol de Portugal decidiu que seriam os melhores classificados de cada zona (1, 2 e 3) a disputarem, numa competição todos contra todos a uma volta, a subida ao escalão principal da modalidade onde os dois primeiros garantem esse direito. “Como a segunda fase da competição já tinha começado, pensei que fossem usar como critério de subida a classificação na altura da suspensão, mas reconheço que, dessa forma, podia não haver justiça desportiva”, refere José Pedro Silva, responsável pela secção de andebol da Sanjoanense, que, não concorda, no entanto, com a realização da prova de apuramento no início da próxima temporada. “Deveria ser a última competição da presente época, disputada com os atletas e treinadores que as equipas tinham quando o campeonato acabou. Devido ao Covid-19 só se vai poder realizar em setembro, e nessa altura está incluída na próxima época e isso vai afetar o planeamento das duas equipas que irão subir de divisão”, explica o dirigente, sublinhando que face à incerteza os clubes irão ter “dificuldades em abordar os patrocinadores ou a autarquia”. “Há marcas que estão coladas à 1.ª Divisão e não trabalham com a 2.ª Divisão. Tal como há jogadores que preferem jogar na 1.ª Divisão e têm pouca disponibilidade para a 2.ª Divisão”, esclarece José Pedro Silva, garantindo que o objetivo da Sanjoanense na competição de apuramento “é jogar para subir”.

Confiante que a meta será alcançada, até porque o clube alvinegro é um dos mais fortes, o dirigente não espera alterações significativas no plantel. Com a mesma equipa técnica, o objetivo é “manter praticamente todos os jogadores” e apostar em “alguns elementos da formação e três ou quatro reforços importantes”. “A Sanjoanense vai estar bem mais forte do que esta época”, garante, sublinhando que isso é reflexo do “trabalho que o clube tem vindo a realizar na formação ao longo dos últimos sete anos”. “Estamos no topo nacional em todos os escalões de formação. Um clube que consegue fazer isso durante vários anos seguidos arriscasse, a qualquer momento, a subir também nos seniores. O objetivo tem sido esse”, explica o dirigente, frisando que a prioridade da secção tem sido “aumentar a qualidade da formação para ter uma equipa que, com um ou dois reforços, fique capacitada para lutar pela 1.ª Divisão”.

João Antunes, responsável pelo basquetebol da ADS

“Podia não ser seguro e assim não faz sentido”

Créditos: Direitos Reservados

Com a Sanjoanense a competir na Proliga, o clube alvinegro acabaria por ver a quarta época consecutiva no segundo escalão do basquetebol nacional terminar de forma prematura. Cerca de dois meses depois da suspensão de todas as competições, numa fase em que a equipa atravessava um bom momento, com quatro vitórias em cinco jogos, e sem melhorias significativas que permitam um regresso em segurança, o cancelamento de todas as competições seniores acabou por ser também a decisão da Federação Portuguesa de Basquetebol, deixando a Sanjoanense no oitavo lugar, o último de acesso aos playoffs.

Para João Antunes, o cancelamento da prova “não é positivo”, mas para o responsável pela secção basquetebol do clube alvinegro há valores que devem prevalecer e “neste momento a saúde e bem-estar de atletas, treinadores, dirigentes e adeptos é mais importante”. “É claro que gostaríamos que a competição continuasse, mas tendo em conta o momento que se vive não seria bom senso dar continuidade ao campeonato”, acrescenta o dirigente, sublinhando que a decisão “foi tomada em consonância e de forma unânime por todos os clubes da Associação de Basquetebol de Aveiro”. “Durante todo este tempo de suspensão houve sempre a ideia de que as provas regressassem e ainda se chegou a pensar na realização de um playoff em junho ou julho, mas com o prolongamento do estado de emergência e com a alteração da situação para estado de calamidade chegou-se à conclusão que dificilmente seria possível retomar o campeonato”, conta João Antunes. “Podia não ser seguro e assim não faz sentido”, acrescenta o dirigente, que gostaria de ver esta posição tomada por todas as modalidades, independentemente do nível de competição.

Com a confirmação do cancelamento do campeonato a Sanjoanense foca agora atenções na próxima época desportiva, que terá de sofrer “ajustes orçamentais”, segundo João Antunes, fruto do momento que se vive. “Um dos efeitos mais nefastos desta pandemia, para além da situação humana e de saúde, é a situação económica que vai ressentir-se bastante do momento que estamos a viver”, explica o dirigente, admitindo consequências para o orçamento da secção para a nova temporada. “Vamos ter que o refazer e com mais restrições do que as que existiram noutros anos”, refere, assegurando, no entanto, que os objetivos do clube continuam inalterados. “Vamos construir uma equipa que nos permita manter os mesmos objetivos do anos anteriores, sendo que o primeiro é a manutenção na Proliga”.

Pedro Ribeiro, responsável pelo hóquei patins da ADS

“Acho que foi a melhor decisão que se podia tomar nesta altura”

Créditos: António Anacleto

Depois de duas épocas na 2.ª Divisão Nacional a Sanjoanense regressou ao principal campeonato de hóquei em patins esta temporada onde tinha como meta lutar pela manutenção, objetivo que acabou por ser alcançado de forma antecipada com o cancelamento de todas as competições seniores decidida pela Federação de Patinagem de Portugal. O oitavo lugar que o clube alvinegro ocupava na altura da suspensão das competições, garante a permanência da equipa de S. João da Madeira no escalão principal da modalidade, já que esta federação foi a única, entre as quatro que recentemente decidiram dar por terminadas todas as provas, a manter as descidas de divisão através de uma prova de apuramento que deverá realizar-se no início da próxima época desportiva. “Perante tudo o que se está a passar, acho que foi a melhor decisão que se podia tomar nesta altura”, refere Pedro Ribeiro, revelando que se chegou e pensar na “possibilidade de se retomar o campeonato a meio de junho”, opção que, segundo o responsável pela secção de hóquei em patins da Sanjoanense, dava aos clubes “algum espaço de manobra considerável” para cumprir a época com alguma normalidade. “Mas a situação começou a alterar-se. Os procedimentos exigidos pela DGS eram muitos para o regresso dos campeonatos e na última reunião todos os clubes acharam por bem dar por encerrada a época”, explica o dirigente.

O cancelamento da competição com a Sanjoanense a meio da tabela classificativa permitiu, no entanto, que a equipa alcançasse mais um feito histórico, o apuramento para a Taça WSE, mas a presença na competição europeia não deverá passar de um sonho. “O apuramento está garantido por direito, mas temos de ter os pés bem assentes na terra porque uma participação numa prova destas tem custos muito elevados e nós não temos condições para isso”, refere.

Com a próxima época ainda longe e muito tempo pela frente, Pedro Ribeiro quer saber primeiro qual o modelo competitivo para a nova temporada “antes de começar a trabalhar”, mas já sabe que conta com a manutenção do quadro técnico e destaca como base da equipa os atletas da formação. “É nisso que vamos continuar a apostar”, assegura, reconhecendo, no entanto, a importância de um ou outro atleta de fora para trazer qualidade acrescida ao plantel. E o objetivo passa pela manutenção. “Queremos andar lá em cima para estabilizar o clube durante alguns anos na 1.ª Divisão. E nós temos uma formação excelente que nos dá garantias para o futuro”, conclui.

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