Uma semana depois de ter sido anunciado que iriam começar as obras da “nova” Praça Luís Ribeiro, o assunto foi abordado na reunião de câmara desta terça-feira.

Para o vereador da coligação PSD/CDS-PP, Paulo Cavaleiro, estas obras começaram num “timing muito complexo”, atribuindo o seu atraso de “cerca de dois anos” às “opções” tomadas pelo atual executivo socialista como a de alterar o projeto que encontraram aprovado por unanimidade no mandato anterior.  Já o presidente Jorge Sequeira entende que as obras começaram no “timing possível e adequado”, só não começaram “mais cedo devido a questões da pandemia”, e assume que encontraram um projeto aprovado quando chegaram à câmara, mas “sentimos necessidade de alterar esse projeto”. Como prova de que “não estivemos parados” até então, Jorge Sequeira mostrou que a obra da “nova” Praça surge no seguimento de outra levada a cabo nas ruas Castilho, Oliveira Júnior, Alão de Morais e João de Deus. Reafirmou ainda que “esta é uma obra muito importante para a revitalização económica do nosso centro cívico” que vai “tornar o espaço público mais atrativo, melhorar a qualidade arquitetónica e paisagística, melhorar as condições de segurança e circulação dos peões, usar materiais que sejam profundamente duradouros e reduzam significativamente os custos de manutenção da infraestrutura”.

Por apresentar aos comerciantes continua o cronograma relativo às fases da obra. Os vereadores da oposição mencionaram o assunto e disseram ter sido questionados sobre o mesmo por “muitas pessoas”. O presidente reforçou a intenção, divulgada na semana passada, de que vão “apresentar aos comerciantes afetados” o dito cronograma.

“Fomos todos surpreendidos com o corte de árvores”

Esta obra continuou a dar que falar durante a reunião de câmara devido ao corte de árvores que existiam ao redor da circunferência, onde estava instalado o Elemento Arquitetónico, no centro da cidade. “Fomos todos surpreendidos com o corte das árvores que aconteceu na Praça Luís Ribeiro, como sabe está a decorrer até uma petição e vários populares têm vindo a publicar imagens dessa intervenção que surpreendeu toda a gente”, disse Paulo Cavaleiro, considerando que “devia de ter sido dada informação sobre o que iria acontecer às pessoas”. O vereador da oposição deu como exemplo que “aquando da construção do shopping 8ª avenida, as árvores que estavam no separador central foram transplantadas para um terreno nas proximidades”.

“Vamos passar a ter mais árvores no centro da cidade depois de concluído o projeto”

O presidente da câmara disse que as árvores cortadas estavam “em condições fitossanitárias não adequadas”. “Sempre que for possível faremos a transplantação, mas neste caso informaram que não era possível”, disse Jorge Sequeira, a quem Paulo Cavaleiro pediu o documento que ateste isso mesmo.

A todas as pessoas preocupadas com as árvores e o meio ambiente, “dou a garantia que vamos passar a ter mais árvores no centro da cidade depois de concluído o projeto”, ao qual “uma das criticas que foi feita por algumas pessoas era que havia excesso de arborização”. O presidente da câmara mencionou a colocação de árvores de cerejeira nas ruas Castilho, Oliveira Júnior e João de Deus, que irão colocar na Avenida da Liberdade, na Rua Visconde e em frente ao Parque América. Para além destas, será feita uma nova plantação de árvores no Parque do Rio Ul, na Rua Visconde em frente à Academia de Música e na Avenida da Misericórdia e está previsto plantar mais no Parque Ferreira de Castro e na Rua dos Combatentes da Grande Guerra.

Petição pela suspensão de abate de árvores continua até que seja apresentado o relatório fitossanitário

Tal como mencionamos na notícia anterior, uma petição pela suspensão do abate de árvores na Praça Luís Ribeiro está a decorrer desde a semana passada, altura em que começou a obra. “Assistindo ao sistemático abate de árvores de grande e médio porte nesta cidade”, os peticionários pedem ao presidente da câmara “a suspensão do corte das árvores existentes na Praça Luís Ribeiro e em toda a área de intervenção do Projeto de Reabilitação e Revitalização da Praça Luís Ribeiro, por representarem um património arbóreo insubstituível da nossa cidade, e que é de todos nós, constituindo um património de elevado interesse ecológico e paisagístico, não apresentando em nossa opinião e a olho nu doença e/ou risco de queda que coloque em causa a segurança de pessoas e bens”. Apesar da justificação dada pelo presidente da câmara de que as árvores abatidas no centro da cidade estavam em “condições fitossanitárias não adequadas”, a petição continua até que “seja apresentado o relatório fitossanitário das árvores”, adiantou a sanjoanense Maria Luísa Ramalho, porta-voz desta causa, ao labor, acrescentando, em seu nome e no dos peticionários, que “só queremos uma explicação para o abate de árvores de grande porte” que tem sido levado a cabo em alguns locais da cidade.

Peças concursais estão “a ser finalizadas” para concessão de parque de estacionamento

A contratação de um empréstimo de médio e longo prazo até ao limite global de 445.577,83 euros à linha BEI/PT 2020 para cobertura de necessidades de financiamento da contrapartida nacional da obra de reabilitação do centro da cidade foi aprovado por maioria com cinco votos a favor dos socialistas e duas abstenções da coligação PSD/CDS-PP.

Este financiamento visa “dotar-nos do pagamento da contrapartida nacional e algo mais. Há aqui cerca de 100 mil euros a mais que creio que são para despesas de projeto, fiscalização e eventualmente algumas intervenções que não tenham sido consideradas elegíveis”, explicou Jorge Sequeira, esclarecendo que, apesar deste empréstimo (para obra financiada por fundos comunitários) “não contar para o nosso limite de endividamento, não significa que tenhamos uma autoestrada aberta para estar sempre a contrair empréstimos porque vamos ter de os pagar” depois deste aspeto ter sido mencionado pelo vereador da oposição. O que levou Paulo Cavaleiro a dizer que “a situação financeira que (o executivo socialista) encontrou (deixada pela coligação PSD/CDS-PP) não tem nada haver com aquela em que era vereador e tínhamos mais de 26 milhões de dívida”, pedindo, por isso, que “não fale do cuidado que é preciso ter com a dívida financeira” porque “pagámos muita”. O vereador da oposição demonstrou ainda reservas em relação à questão do estacionamento no centro cívico, nomeadamente em relação à concessão do parque de estacionamento. Por sua vez, Jorge Sequeira afirmou que “os lugares de estacionamento vão aumentar se considerarmos o parque de estacionamento na Rua Padre Américo” cujas peças concursais estão “a ser finalizadas” depois de terem abrandado “fruto da pandemia”.

Em declaração de voto, o vereador da oposição, Paulo Cavaleiro, esclareceu que estão “sempre disponíveis para ter mais investimento, mas não concordamos totalmente com aquilo que vai ser executado” como a ausência de um parque infantil que existia no projeto anterior daí o sentido de voto de abstenção. Para além disso, “falta resolver a questão do estacionamento e da estratégia para o centro da cidade”.

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