Quando é que o seu caminho se cruzou com o do Centro de Arte (CA)?

Tinha acabado de montar uma galeria no Porto, na Ribeira, com dois amigos. Estamos em setembro de 89 e eu com o fotógrafo Manuel Magalhães fomos representar Portugal na primeira Bienal de Nice de Fotografia. Quando estava para sair contactou-me o professor Victor Costa, do CA, a convidar-me para vir a S. João da Madeira conhecer o projeto. Respondi-lhe afirmativamente, mas estava era entusiasmado para partirmos de carro para Nice e esqueci-me completamente.  Quando regressei de Nice, no fim de setembro, como não dei notícias, o diretor do CA voltou a contactar-me. Recordo-me perfeitamente do dia. Tenho imagens desse encontro. Estavam o professor Victor Costa e o arquiteto José Manel Bastos. Cheguei ao Palacete (Quinta do Rei da Farinha) e fiquei surpreendidíssimo. As condições eram ótimas, o acolhimento excelente. O projeto entusiasmante.

Essa foi a primeira vez que veio a S. João da Madeira?

Já conhecia, naturalmente, a cidade e os sanjoanenses. Afinal a proximidade traz vivências comuns.

“O Centro de Arte era o grande vulto cultural da região”

Desde essa visita que a ligação como professor e coordenador do Departamento de Fotografia do CA perdura até então?

Sim. Nessa visita fiquei surpreendido, foram postas condições e fiquei naturalmente fascinado. O CA era procurado por alunos que vinham desde o Norte até Coimbra. Cheguei a ter aulas, três dias por semana, com dois turnos. Havia vários cursos livres, de Pintura, Fotografia, Desenho, Escultura, Tapeçaria, Serigrafia, Gravura. Estes ramos existiam todos. O CA tinha a particularidade ótima que era a conjugação do espaço expositivo com a atividade formativa. As pessoas que iam às aulas dos cursos livres, frequentavam simultaneamente as exposições, que integravam o que de melhor havia no país, para além de exposições com artistas internacionais. Havia toda uma interação que era fundamental numa organização destas. O próprio edifício, tanto interior como exterior, motivava toda uma atmosfera artística. O próprio símbolo do CA é a representação de uma janela do palacete. As pessoas ainda hoje associam aquele edifício (Palacete da Quinta do Rei da Farinha) ao CA. Com a saída para outro local tudo se alterou. O paradigma cultural no país e, particularmente, em S. João da Madeira também mudou. A pluralidade da oferta integrou novas ferramentas de utilização e fruição cultural. A mobilidade social, nomeadamente física e digital, abriu e aproximou o mundo às pessoas. Hoje o contexto é diferente.

O CA é um dos departamentos da Associação Cultural Alão de Morais (ACAM) e foi fundado em 1986. Como é que ele era quando estava no Palacete?

Nessa altura a frequência do CA era muito participada. Os equipamentos e a oferta cultural de S. João da Madeira, e até do país, eram muito limitados. O CA era o grande vulto cultural da região. Era dirigido por Victor Costa, pessoa com muita sensibilidade, com projeto e objetivos bem definidos, que soube resistir às potenciais invasões da chamada “pseudo arte”, que também tem o seu lugar e deve ter o seu espaço, mas não neste projeto. Na área pedagógica, para além dos cursos livres, o CA participou na formação contínua de professores e na formação de designers, esta em colaboração com o Centro Tecnológico do Calçado, com quem desenvolveu quatro edições do Prémio Nacional de Calçado.

Como foi a transição do Palacete para a Casa das Associações em 2008?

Foi uma mudança atribulada, como seria normal no contexto do propósito de obras de reabilitação do edifício. Porém, por opção política da câmara de então, que acabava de iniciar funções, as obras incidiram apenas no exterior, mantendo-se o interior em degradação. Defraudou-se, assim, a expectativa de regresso do CA às suas instalações de génese.

“Aqui há condições de espaço físico”, mas falta “a história identitária da casa que deu vida ao Centro de Arte”

E da Casa das Associações para a Oliva Creative Factory?

Agora temos instalações ótimas, o que não tínhamos na Casa das Associações, em que era tudo muito improvisado numa espécie de apartamento. Aqui há condições de espaço físico, embora careça de uma área expositiva regular, faltando essencialmente a história identitária da casa que deu vida ao CA. Nela aconteceram das maiores manifestações de arte contemporânea de então, sendo publicamente reconhecidas, como no caso da revista “Artes e Leilões”, que identificava o Centro de Arte de S. João da Madeira, a par do Centro Cultural do Alto Minho e do Centro Cultural de Lagos, como exemplos a apontar no âmbito de uma correta descentralização cultural. Nessa altura, o grande núcleo de referência cultural nacional centrava-se na Gulbenkian.

Quando é que começa a dirigir oficialmente o CA?

Este é o meu primeiro ato como coordenador desde que o assunto foi tratado mais ou menos há um mês numa conversa informal com o engenheiro Manuel Ferreira da Rocha, presidente da ACAM. Perante o fim de ciclo diretivo que se afigurou, dispus-me a colaborar pró-bono, uma questão que para mim é fundamental. Venho como um humilde “ajudante”, um coordenador. Nestas funções o trabalho não pode ser solitário e individualista, o trabalho deve ser perspetivado em equipa. Por isso, conto com a direção da ACAM, os fundadores, os professores, a funcionária Maria do Céu, os alunos, os sanjoanenses e, naturalmente, com a motivação e o suporte da câmara municipal para reavivar o CA.

Neste momento temos um corpo docente invejável, que merece estima e apoio. Os professores do CA são doutorados e mestrados, com uma experiência inigualável nas diferentes áreas.

“O CA não deve fixar-se apenas na formação em cursos livres”

Qual o grande objetivo a atingir com o CA?

Estamos perante uma série de ideias e reflexões. O paradigma da oferta cultural hoje é muito diferente e disperso. Para trazermos alunos ao CA há mais dificuldade. O CA não deve fixar-se apenas na formação em cursos livres. Devem regressar às exposições individuais e coletivas, às conferências, ao fomento à produção artística, à cooperação e colaboração com as escolas e outras instituições locais, para além, naturalmente da cooperação com os outros dois departamentos da Associação Alão de Morais. E, claro, sensibilizar, se possível, para um regresso à casa génese do CA – o Palacete do Rei da Farinha.

As novas ideias vão começar a ser postas em prática ao longo deste ano “atípico”?

São novas velhas ideias. O caminho vai prosseguir, não se sabendo exatamente como serão os tempos próximos. Fomos apanhados por este turbilhão vírico que nos limita, nos inibe de agirmos.

As transferências de instalações contribuíram para a “perda” de rumo do CA?

Há diferenças significativas entre o CA atual e o projeto inicial. Para além dos contextos serem diferentes, esse é o maior de todos. Regrediu-se em termos de frequência da formação, dos cursos livres e do espaço expositivo.

Essa parte da sua história não está esquecida?

De modo nenhum. Há um património cultural e uma história que têm de continuar vivos. O CA faz parte do património imaterial regional.

Os fundadores inquietam-se com o rumo dado ao CA?

É uma evidência. Não fui fundador inicial, mas fiz parte da mesa das primeiras assembleias constituintes. Também sinto isso. Aceitei este desafio por isso mesmo. Muitas das pessoas que passaram pelo CA manifestam-se no mesmo sentido.

Nunca deviam ter juntado a gestão do CA com a do antigo Núcleo de Arte da Oliva e agora Centro de Arte Oliva?

Isso parece-me óbvio. Estiveram cá duas diretoras que acumularam os cargos. A primeira, Raquel Guerra, conseguiu atuar no espírito de continuidade dos propósitos do CA, incentivando os cursos livres, as exposições regulares nos Paços da Cultura e outras atividades, como conferências, debates e residências artísticas, entre outras atividades comuns aos dois polos. Ultimamente, sob a direção de Andreia Magalhães, as atividades do CA fixaram-se no funcionamento dos cursos livres.

Qual a adesão à formação?

Tem decaído. Deve-se fazer uma reflexão com os vários colaboradores do CA, na tentativa de encontrar formas de captação de participantes. É necessário analisar estratégias de divulgação do CA e das diversas ofertas disponíveis. Criar espaços e tempos de ateliers em atividade criativa livre e orientada. Reavivar os laboratórios fotoquímicos de fotografia.

Uma das primeiras exposições de Joana Vasconcelos foi no Centro de Arte

Tem muitas memórias guardadas do CA?

Vim para aqui com 30 e tal anos e temos sempre muitas histórias. O CA testemunhou o meu percurso evolutivo e dele emanou muito da expressão artística nacional que todos nós vivenciámos. O CA ajudou a preencher a vida de muita gente que por cá passou. Tenho podido assistir ao crescimento e afirmação profissional e pública de grandes criadores que tive o privilégio de acompanhar no CA.

O CA tem potencial para ser mais?

O CA tem capacidade para continuar a ser muito mais. A Escultura é um dos cursos interrompidos com a mudança. Gostaríamos de retomar a Escultura e a Tapeçaria, bem como incentivar as expressões artísticas que sempre constituíram a atividade formativa do CA.

Acha que consegue atingir esse “muito mais”?

Vou ser um “ajudante” nesta tentativa de continuar a construir o CA. Sei que sozinho não faço nada. Estou ao serviço da associação, dos professores, das pessoas que passaram por aqui e deixaram marca. Espera-se o apoio das instituições que sempre suportaram o CA, muito em especial da Câmara Municipal de S. João da Madeira.

A primeira exposição da Joana Vasconcelos foi no CA?

Não sei exatamente se foi a primeira, mas das primeiras foi com certeza aqui em S. João da Madeira no CA. Lembro-me do cadeirão com as aspirinas e de alguns de nós, em especial o professor Armando Aurélio, andarmos a tentar “namorar” a peça para a comprar.

Desde quando é que a fotografia o acompanha?

Sou do tempo da Guerra Colonial e tive o azar de ir para à Guiné. Andei sempre a tentar fugir às situações da guerra, embora ali não houvesse muita possibilidade de fugir porque ela estava em todo o lado, mas comecei a fazer fotografia ali. Para quê? Para a malta mandar para cá, escapando à censura. Não imprimia porque não tinha sistemas de impressão, mas a minha primeira máquina – uma Olimpus Pen – foi comprada em Bissau.

Quando é que começou a aprender fotografia?

Com um velho fotógrafo comercial, que me levou para o laboratório dele. Tinha uma casa aberta, fazia retratos, ainda revelava com as mãos, tinha os dedos amarelos dos químicos.

Já antes de ir à tropa, com cerca de 18 anos, dava aulas. Estagiei, em 1975/76 na Escola Secundária de Angra do Heroísmo nos Açores, efetivei no ensino secundário e em 1978 fui para Moçambique como professor cooperante e diretor pedagógico na Escola Secundária de Pemba, Cabo Delgado, província onde a guerrilha mais se afirmou. Aí comecei de facto a fazer fotografia. Estive lá dois anos. No regresso, e depois de orientar um estágio pedagógico de dois anos numa escola secundária, resolvi frequentar o primeiro curso superior de Fotografia que ia iniciar no país, na Cooperativa de Ensino Superior Árvore, posteriormente ESAP.

Continua com a galeria?

A galeria ImagoLucis encerrou em 2006, após um percurso de 16 anos dedicados exclusivamente à Fotografia. A sua reabertura estava prevista para a Primavera deste ano, mas foi adiada pelas circunstâncias vividas hoje.

Pretende continuar a dar aulas?

Na Universidade Europeia mantenho-me em aulas virtuais nas licenciaturas e na orientação de mestrados. No CA continuarei a lecionar na minha área logo que seja viável.

Qual o impacto do novo coronavírus no seu trabalho?

Por esse facto tudo se alterou e hoje vejo-me a trabalhar intensamente de outro modo, estando praticamente o dia inteiro ao serviço dos alunos. Preparar as aulas em formato digital é muito diferente, com outros ritmos, formas de investigação e aulas muito diferentes. É bastante absorvente, trabalha-se intensamente.

“Não sou caçador de imagens”

Anda sempre com máquina?

Não, não sou caçador de imagens. Normalmente fotografo pensando antes sobre o que vou fazer, programando projetos, por vezes criando o próprio “real” como suporte para a  captação fotográfica. Para mim não existe o que muitos designam por “momento decisivo” na fotografia. Existe um tempo próprio para pensar sobre as temáticas que muitas vezes são reincidentes nos meus trabalhos. A metáfora anda sempre nas minhas fotografias como segunda camada armadilhada de significado. Há nas minhas imagens, para além duma expressão primária, do foro do sentir, das sensações, uma expressão secundária mais interpretativa, ideológica e por isso simbólica.

Prefere a fotografia analógica ou digital?

Venho da fotografia fotoquímica, hoje dita analógica, e essencialmente do preto e branco porque não tínhamos grandes equipamentos para imprimir a cores. Quando cheguei a Inglaterra, foi uma coisa estupenda. Na Universidade de Derby foi-me atribuído um estúdio onde podia, com toda a liberdade, realizar e produzir impressões a preto e branco e a cores. Sempre me mantive na vanguarda do conhecimento das tecnologias e dos processos fotográficos, não como fim em si próprio, mas como meio contingente para exprimir o objeto de criação fotográfica. Quando apareceu a fotografia digital e senti que esta já tinha qualidade para a integrar, fiz essa opção, em 1998. Uso os dois processos em função dos meus projetos.

Um dos seus livros conta com um texto de José Saramago…

“Arqueologias do Fim do Milénio”, 1998, é um livro resultado de um trabalho de investigação realizado em áreas da antiga revolução industrial em Inglaterra.

A maquete deste livro continha uma transcrição – citação do livro “Todos os Nomes”, de José Saramago, respeitante à teoria do Caos, descrita literariamente, e que foi para mim completamente explícita, mais do que havia concluído em estudos de outras obras de cariz científico. Depois de várias tentativas infrutíferas para chegar a Saramago, para lhe pedir um texto introdutório para o meu livro, resolvi enviar-lhe diretamente uma cópia da maquete, à qual ele respondeu inesperadamente por fax: “apesar de não ter um minuto para a minha vida, vou fazer-lhe o texto”. Saramago tinha acabado de ganhar o Prémio Nobel da Literatura. O site da Fundação José Saramago inclui um artigo sobre Aníbal Lemos, o que me dá um grande prazer.

As últimas palavras do texto de José Saramago dedicado a este seu livro são: “Aníbal Lemos viu, a nós cabe-nos o dever de olhar. Não olvidemos que as ruínas, as de ontem e as de hoje, são sempre lugares de memória. O que o Aníbal Lemos nos mostra é, pois, o nosso próprio rosto. Tenhamos então sinceridade de reconhecer-nos nos espelhos que estas imagens são”.

 

Impressão digital

Aníbal Lemos

Tem 69 anos, é natural e residente em Salreu, é professor, fotógrafo e investigador em Fotografia.

Nuno Santos Ferreira

A sua ligação como professor e coordenador do Departamento de Fotografia do Centro de Arte de S. João da Madeira começou em 1989 e perdura até aos dias de hoje. A esta história, que começou a ser escrita há 31 anos, acrescenta-se um novo capítulo como diretor cujo primeiro ato foi dar esta entrevista ao Labor no dia do seu aniversário, 15 de maio, nas atuais instalações do Centro de Arte, na Oliva Creative Factory.

Em vez de diretor, prefere ser chamado de “coordenador” que pretende, juntamente com os fundadores, os professores e a câmara municipal, dar o mesmo rumo que o Centro de Arte tinha quando estava instalado no Palacete da Quinta do Rei da Farinha.

Aníbal Lemos estagiou no “City College of Manchester”, em Inglaterra e no “Istituto Europeo di Design”, em Itália, concluiu o curso Superior de Fotografia na ESAP, tem mestrado em Fotografia e em Filosofia – Fotografia, e o doutoramento em Filosofia – Fotografia, ambos pela Universidade de Derby, em Inglaterra. Também tem o CAP e Certificação em Formador do Conselho Científico-Pedagógico da Formação Contínua pela Universidade do Minho. O seu currículo conta com inúmeras atividades docentes e fotográficas e com dezenas de eventos e exposições individuais e coletivas em Portugal, Espanha, França, Alemanha, Bélgica, Holanda, Inglaterra, Irlanda, Moçambique e Estados Unidos da América.

O Centro de Arte em números

Fundado a 16 de maio de 1986 pelo pintor Victor Costa e pelo arquiteto José Manuel Bastos

3 diretores: Victor Costa, de 1986 até 2014, Raquel Guerra, de 2015 a 2016, e Andreia Gonçalves, de 2017 a 2020

6 professores e 30 alunos no ano letivo 2019/2020

4 cursos: pintura, fotografia digital, desenho e gravura

Orçamento de 80 mil euros de subsídio atribuído, este ano, pela câmara municipal que se destina às atividades do Centro de Arte e contempla também encargos em parceria com o Centro de Arte Oliva

Em 34 anos de existência já realizou mais de 180 exposições, 60 publicações e 6 residências

 

Centro de Arte comemorou aniversáriode forma simbólica

O 34º aniversário do Centro de Arte de S. João da Madeira foi assinalado de forma simbólica através da publicação de algumas palavras sobre o percurso deste departamento da Associação Cultural Alão de Morais, criado a 16 de maio de 1986, acompanhadas de imensas fotografias que marcaram a sua história, na sua página na rede social Facebook.

DR

O Centro de Arte nasceu há 34 anos sob a direção do pintor Victor Costa e do arquiteto Manuel Bastos depois de terem recebido o convite dos autarcas Marques Pinto e Manuel Cambra, vereador da Cultura e presidente da Câmara Municipal de S. João da Madeira, respetivamente. “A expectativa era elevada, até pela ausência, na altura, de museus ou centros culturais públicos ou privados e isso veio dar um caráter pioneiro à nossa instituição na divulgação cultural e artística em S. João da Madeira.

Desde o seu aparecimento, que a divulgação da arte seria considerada a primeira das dimensões estruturantes, e a segunda, a formação. A articulação estreita entre tais dimensões estruturantes tem sido um pilar fundamental ao longo destes 34 anos de existência e contribuiu, seguramente, para as raízes que o sustentam na comunidade sanjoanense e nas localidades vizinhas”, lê-se no texto publicado na página do Centro de Arte, que esteve instalado no Palacete do Rei da Farinha durante 22 anos, passou para as instalações provisórias da Casa das Associações nos cinco anos seguintes até ser instalado na Oliva Creative Factory em 2013, agradecendo o apoio camarário, institucional e financeiro, e a todas as pessoas que passaram pela sua história. “As instituições são muito mais do que um edifício, do que um nome, são o que as pessoas fazem por elas e vivem nelas”, concluiu o Centro de Arte de S. João da Madeira.

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