Vítor Oliveira tem 46 anos, é de S. João da Madeira e Carteiro há dois anos no Centro de Distribuição Postal (CDP) dos CTT situado na Zona Industrial das Travessas.

Por norma o seu dia começa por volta das 7h00 e termina pouco antes das 16h00. “Não convém ir para a rua antes das 9h00, mas a partir daí começa-se a distribuição das cartas e das encomendas o mais rápido possível”, contou Vítor Oliveira que depois de terminar o giro volta ao CDP para “entregar as contas, as cobranças e tratar dos registos que não foram entregues”.

A única diferença que este carteiro sente ao longo do seu dia é a utilização da máscara e a lavagem e desinfeção sempre que possível das mãos. Desde que a pandemia da Covid-19 atingiu o nosso país, não teve receio de continuar a trabalhar. “A empresa forneceu-nos os equipamentos de proteção individual e tomou medidas para haver menos contacto possível”, revelou Vítor Oliveira, explicando que agora “as pessoas não assinam o registo com a caneta, somos nós que colocamos o nome para evitar o contacto”.

Uma das mudanças que tem sentido durante o seu trabalho é que “as próprias pessoas evitam o contacto próximo” e “entregamos as cartas com um bocado de distância”.

Apesar do contacto agora ser mais “limitado”, Vítor Oliveira continua a gostar daquilo que faz. “Gosto do contacto com as pessoas, principalmente nas partes mais rurais porque ainda olham para nós com uma espécie de carinho. Não só por lhes levarmos as ´más notícias´ como as contas, mas sobretudo por lhes levarmos as ´boas notícias´ como as reformas”, revelou o carteiro sanjoanense.

Os piores dias do trabalho de um carteiro são “os de chuva” porque “a gente tem o equipamento, mas às vezes é um bocado complicado proteger as cartas”, confessou.

Se a nível profissional continuou a trabalhar sem receio, o mesmo aconteceu a nível pessoal, mas nem por isso deixou de proteger os familiares. “Pessoalmente não tenho muito receio, mas deixei de visitar os meus pais e os meus sogros, as pessoas com mais idade e vulneráveis”, assumiu Vítor Oliveira. O carteiro acabaria por admitir que “sente-se sempre um bocadinho de receio, mas tento ter cuidado. Vamos ter de aprender a conviver com o vírus porque veio para ficar. Acho que é uma questão de tempo para passar a uma doença como as outras em que algumas pessoas ficam doentes, mas a maior parte da população vai conseguir superar isto”.

Entrega de encomendas online aumentou à volta de 65%

Um dos efeitos das medidas de contenção da pandemia foi o aumento das encomendas online.

DF

“Notou-se um aumento das encomendas online para entregarmos, o que é bom”, afirmou o carteiro. “As encomendas online aumentaram mais de 50%, à volta de 65%”, confirmou Rui Silva, gestor do CDP dos CTT de S. João da Madeira que tem 20 funcionários e entrega um total de 14 mil objetos por dia.

Nos casos em que os clientes apresentam reclamação do prazo de entrega de um objeto, “tenta-se sempre esclarecer o cliente ao procurar uma informação e ao justificar o atraso, tentando sempre minimizá-lo ao máximo”, concluiu Rui Silva ao labor.

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