À medida que escrevemos, as nossas penas carpindo,

Mais penas a nossa pena recorda-as com nostalgia,

E assim criando vamos, um painel, do qual fugindo,

Estamos sempre tão próximos, levados pela melancolia…

 

As penas que recordamos, mas são mais as que esquecemos

Chegam para preencher muitas páginas de memórias;

Bravatas, uns arabescos do amparo que rompemos,

Pois ao escrevê-las inventamos sabe-se lá que histórias!

 

São essas penas revistas de atos de contrição,

Que levam o nosso espírito a pensar se o sentimos,

Tem que ver co´a realidade de um mundo de coação,

Pelo qual nós lutaremos, mas pouco mais conseguimos!

 

Por muito que esse passado seja rico de emoções,

Elaboradas tantas delas, algumas por obrigados,

Ao lembrá-las construímos um dúbio mar de ilusões,

Onde fundo se mergulha na aflição de afogados.

 

Daí voltar a escrever-se, talvez por saudosismos,

Uma vez que os tempos de hoje não dão tempo à nossa mente,

E outra vez por ser tão rápido, fácil, tantos mecanismos,

A criarem opções sem sentido e de repente.

Foto de Arquivo Labor

Flores Santos Leite

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