Mas sentem-se prejudicados depois de terem sido obrigados a fechar durante dois meses devido à pandemia da Covid-19

O nosso jornal quis assistir à apresentação do plano de trabalhos faseado das obras da “nova” Praça, promovida pela câmara municipal e pela Associação Comercial, através de videoconferência na plataforma Zoom, mas apenas foi aberta a empresários de restauração, hotelaria, comércio, turismo e prestadores de serviços sediados na zona de intervenção.

Esta “era uma reunião de trabalho, interna, como imensas reuniões, destinada aos comerciantes para apresentar o plano de trabalhos”, disse o presidente da câmara, Jorge Sequeira, esclarecendo que “não foi um ato de privação da comunicação social” e que têm “todos os dias centenas de reuniões de trabalho que não são abertas à comunicação social”.

A reunião contou com a participação de 14 pessoas, entre as quais Jorge Sequeira, José Nuno Vieira, vice-presidente, e Paulo Barreira, presidente da Associação Comercial.

“Apresentámos o plano de trabalhos, com as diferentes fases e setores da obra, indicando os respetivos prazos. Seguiu-se um período para colocação de questões por parte dos participantes, a que nós respondemos, esclarecendo as pessoas”, revelou Jorge Sequeira após a videoconferência, em comunicado enviado pela câmara ao labor, onde conclui ter-se tratado de “uma reunião de trabalho que decorreu de forma muito cordial e profícua”.

Já Paulo Barreira considerou que “os empresários do comércio ficaram esclarecidos quanto ao momento e à duração das obras, podendo assim, caso seja possível, redefinir uma estratégia comercial que, de alguma forma, minimize o impacto que este tipo de situações normalmente cria neste setor”. “Sempre mostrámos esta preocupação e ficámos agradados com a disponibilidade da câmara municipal para este esclarecimento”, acrescentou o presidente da Associação Comercial.

“Nunca me disseram para fechar a porta, mas não tinha condições para trabalhar”

Nesta reunião apenas três comerciantes intervieram e o nosso jornal conversou com eles. “Não sou contra a obra, ela tem de ser feita, mas deviam ter escolhido outro timing e ter dado um aviso prévio aos comerciantes”, disse José Silvério Sequeira, da Taberna do Zé, assumindo sentir-se “prejudicado a olhos vistos” depois de ter sido obrigado a estar “dois meses fechado” e agora, devido às obras, ter ficado “dois dias com a água cortada e estas segunda e terça-feira com a porta fechada”. “Eles nunca me disseram para fechar a porta, mas não tinha condições para trabalhar”, considerou o comerciante, mostrando fotografias das obras que têm impedido a exploração da esplanada e, por vezes, a entrada e a saída de pessoas como foi o caso desta segunda-feira à tarde quando estava a ser cimentada a zona de acesso ao seu estabelecimento. Ao nosso jornal, José Silvério Sequeira demonstrou ainda estar “desiludido” por ouvir “tanta gente queixar-se”, mas apenas ter visto três comerciantes com “coragem de falar no momento apropriado (entenda-se nesta reunião)”.

“Calhou numa altura em que tudo é mau”, por isso que “se faça o mais rápido possível”

Também Manuel Alves, da Concha Doce, assumiu que “não somos contra a obra, sabemos que ela tem de ser feita”. “Quisemos saber se havia hipótese de recuar isto (a cerca colocada ao longo da circunferência da Praça) para alargar a esplanada, mas disseram que era difícil”. Depois de ter sido obrigado a estar fechado nos últimos dois meses e de agora ter de reabrir com a esplanada reduzida e num espaço em obras, este comerciante não demonstrou estar muito otimista em relação a este ano. A obra “calhou numa altura em que tudo é mau”, por isso que “se faça o mais rápido possível”, concluiu Manuel Alves ao labor.

“Reunião devia ter sido aberta à população porque este é um projeto que afeta a todos”

Por sua vez, Carlos Santos quis saber especificamente se estava prevista alguma intervenção na Rua Júlio Dinis, onde está instalado o seu espaço comercial Carlos Santos Fotografia. Ao saber que a rua “vai continuar como está”, ou seja, não está incluída nesta obra de reabilitação do centro cívico, não se ficou a sentir “mal” porque “as pessoas vêm cá”, mas não deixou de reparar que a Júlio Dinis “está tão perto do centro da cidade, mas ao mesmo tempo parece tão distante”. Para Carlos Santos, “a reunião devia de ter sido num espaço físico, com respeito pelas devidas regras de segurança, e aberta a toda a população.

“Lamentamos os transtornos que a obra possa causar, mas é muito importante pensar no benefício a longo prazo que vai gerar para todos”

O labor voltou a interpelar o presidente da câmara sobre este assunto depois de ouvir os comerciantes. Ao que respondeu que “informámos o começo das obras quando o estaleiro foi colocado”, “articulámos a obra com o empreiteiro” e “fizemos a reunião assim que nos foi possível para comunicar o plano de trabalhos”. “Lamentamos os transtornos que a obra possa causar, que sempre causa às pessoas, mas para nós é muito importante pensar no benefício a longo prazo que a obra vai gerar para todos”, acrescentou Jorge Sequeira.

No entender do presidente da câmara “não era possível abrir a reunião a toda a população porque obviamente que as circunstâncias de saúde pública em que vivemos impossibilitavam isso”. Contudo, “não excluímos fazer outras reuniões com outros interessados”, esclareceu Jorge Sequeira ao labor.

Fase do Largo de Santo António termina em julho…

A obra da “nova” Praça Luís Ribeiro é composta por 10 zonas de intervenção, estando agrupadas em sete fases: A (Centro da Praça), B (Largo de Santo António), M (Rua 11 de Outubro), C (Rua Padre Oliveira), D (Rua da Liberdade), E e F (Rua Visconde e do Dourado) e H, R e G (Rua Durbalino Laranjeira, 5 de Outubro e Dr. Maciel).

Neste momento estão em curso as fases A e B. Os trabalhos que estão a ser levados a cabo na fase B passam por substituição do pavimento existente em microcubo e lajeado de granito; reparações e remates das caldeiras das árvores; limpeza química das cantarias existentes em granito; desmatação e limpeza das áreas verdes existentes e colocação de tapete de relva; colocação de grelhas de recolha das águas pluviais no pavimento e execução das respetivas infraestruturas; instalação de projetores de iluminação pública e execução das respetivas infraestruturas; e colocação de mobiliário urbano: bancos, aparcamentos de bicicletas, mesas e cadeiras de esplanada, papeleiras e dois Totems. A duração estimada para esta intervenção é de maio até julho deste ano.

…já a do Centro da Praça só em abril de 2021

De todas as fases, a A será a que demorará mais tempo, estando prevista a intervenção que começou em maio deste ano terminar apenas em abril de 2021. Ao longo de quase um ano vão decorrer os trabalhos de remoção de coberturas metálicas, mobiliário urbano e árvores existentes; demolição de pavimentos; execução de jatos de água na zona central; colocação de grelhas no pavimento de recolha de águas decorrentes do sistema de Fonte Seca e da pluviosidade; pavimentação do piso com lajeado e cubos de granito; execução de áreas verdes, tapete de relva e instalação de sistema de rega; limpeza química do pavimento existente em lajeado e cubo granito; instalação de projetores de iluminação; colocação de floreiras de grande porte em semicírculo em frente à facha do Parque América com plantação de árvores “Cerejeiras em Flor”incorporadas e armaduras de fita led em toda a circunferência de cada floreira; plantação de árvores “Cerejeira em Flor” na restante área envolvente da Praça; e colocação de mobiliário urbano: bancos, aparcamentos de bicicletas, mesas, cadeiras, guarda-sóis de grandes dimensões para esplanadas, papeleiras e um Totem.

As restantes fases desta obra vão ser abordadas à medida que avançarem no centro da cidade.

 

Fases da obra da “nova” Praça

Fase A (Centro da Praça): De maio de 2020 a abril de 2021

Fase B (Largo de Sto António): maio, junho e julho

Fase M (Rua 11 de Outubro): junho, julho e agosto

Fase C (Rua Padre Oliveira): setembro e outubro

Fase D (Rua da Liberdade): outubro, novembro e dezembro

Fases E e F (Rua Visconde e Rua do Dourado): janeiro 2021

Fases H, R e G (Rua Dr. Durbalino Laranjeira, Rua 5 de Outubro e Rua Dr. Maciel): fevereiro, março e abril de 2021

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