“Mas este polícia tem sentido muito a falta deles”, confessou o “Tonecas” em relação aos alunos das escolas sanjoanenses

José Rodrigues é agente da Polícia de Segurança Pública (PSP) há 28 anos. Está na esquadra sanjoanense desde 1996 e ligado ao programa “Escola Segura” há cerca de 20 anos.

Por mais que não queira, o seu carisma acabou por fazer com que tenha mais protagonismo do que os demais agentes da esquadra sanjoanense, principalmente junto das crianças e dos jovens. “Não é a questão de ser o agente mais conhecido. Acho que é a minha maneira de ser, estar e conviver com eles”, disse o agente Rodrigues, admitindo que desde sempre foi “um miúdo brincalhão, divertido e as pessoas sentiam-se à vontade comigo”.

A pandemia da Covid-19 alterou a forma de trabalho dos agentes da esquadra da PSP de S. João da Madeira. No seu caso em particular, todo o trabalho estava mais direcionado para o programa “Escola Segura” e foi alargado a um pouco de tudo. Isto sem deixar de continuar a acompanhar e a apoiar as crianças, os jovens e as escolas. Só para termos uma noção, os agentes deste programa ajudaram as escolas a entregar computadores a alunos carenciados, a resolver situações de bullying nas redes sociais, a apurar a razão pela qual alguns alunos não estavam a acompanhar as aulas à distância, entre outras ações. “Em vez de irmos às escolas resolver os problemas, vamos a casa das pessoas e em muitos casos os pais ficam a saber o que se passa com os filhos”, explicou. Em relação aos alunos que deixaram de ir à escola e passaram a ter aulas à distância, “eles podem não ter sentido a minha falta, mas este polícia tem sentido muito a falta deles”, confessou o agente Rodrigues ao labor.

“Não é fácil privar as pessoas de andar na rua”

Para além do fardamento, os óculos, a máscara, a viseira e a desinfeção constante das mãos, do carro e do local de trabalho passaram a fazer parte do seu dia a dia. “Como não estávamos a habituados, mexeu muito connosco”, admitiu. O que também mudou foi a forma de atuar dos agentes que tiveram de passar a ser ainda mais “compreensíveis e sensíveis com as pessoas” porque “não é fácil privar as pessoas de andar na rua” como por exemplo ter de controlar as pessoas que tinham de estar em confinamento obrigatório. “Algumas recebiam-nos bem, mas outras com a lágrima no olho, com medo e receio do que poderia acontecer”. Nesses casos, “tínhamos de lhes dar força, apoio e incentivo de que tudo ia correr bem”, confidenciou o agente ao labor.

“Desde o princípio do estado de emergência, temos de dar os parabéns aos jovens porque acho que foram compreensivos e entenderam bem a mensagem da Direção-Geral da Saúde (DGS) nas primeiras três semanas. Víamos na rua as pessoas mais idosas. Ao fim de três semanas, passámos a ver o contrário, os jovens a ficarem saturados de estar em casa e os idosos mais cumpridores com consciência da gravidade da situação”, relembrou. Daqui em diante, “temos de continuar a trabalhar na prevenção. Se toda a gente cumprir os cuidados sugeridos pela DGS, vai correr tudo bem de certeza absoluta”, considerou o agente Rodrigues ao labor.

Não queria ter outra profissão que não esta em que “trato dos outros”

Mas nem só de coisas más ficará marcado este período em que os tempos foram diferentes e talvez por isso difíceis. Entre as boas memórias ficarão os momentos em que o agente Rodrigues, em nome da PSP, surpreendeu 18 pessoas, desde crianças, adultos até idosos, no seu dia de aniversário, durante o estado de emergência, em S. João da Madeira. De todos, o primeiro foi o mais marcante pelo facto de a menina ter passado o aniversário sozinha com a mãe, uma vez que o pai está no estrangeiro e a família não podia sair da cerca sanitária instalada em Ovar. E como aquilo que damos, recebemos, o próprio agente foi surpreendido no dia do seu 50º aniversário. “Quando me cantaram os parabéns, aí sim, senti o que eles sentiam quando lhes cantamos os parabéns. Senti o valor que tinha esse momento. Não o vou esquecer mais”, revelou o.

Entre as decisões mais difíceis que teve de tomar esteve a de “não poder estar com a família”, mas ao fim de tantos anos de profissão “já está habituada a que esteja na linha da frente”, assumiu o agente Rodrigues, admitindo que não queria ter outra profissão que não esta em que “trato dos outros”.

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