Em 2018 eram eleitos, juntamente com outros elementos, para a direção da AEJ. Como surge a candidatura?

Joaquim Fial: Pelo simples facto de queremos defender o melhor para a natação e para os nossos filhos, e que, por consequência, levou também a defender um pouco o que era uma associação amada pelos atletas. Inicialmente foi esse o motivo.

Inicialmente porquê? Entretanto houve mais algum?

Joaquim Fial: Depois de cá estarmos houve a necessidade de equilibrar a AEJ e torná-la mais transparente e um motivo de orgulho, quer para a atual e futuras direções como para os próprios atletas que defendem as cores do clube. Mais do que ninguém, os atletas merecem que uma direção esteja próxima e que compreenda as suas necessidades e dos coordenadores, por forma a que as condições de treino e objetivos sejam alcançados dentro do que são as possibilidades de cada um.

Quando tomaram posse como estava o clube?

Joaquim Fial: Um caos total. Para além de não existirem livros de atas, a própria sede estava de tal forma deteriorada que colocava em risco a sua utilização. Estamos a falar não só do que competia à câmara municipal resolver atempadamente, como as infiltrações, mas também da falta de espelhos nos interruptores ou portas estragadas. Há também o facto de quando tomamos posse não nos ter sido passado, devidamente e formalmente, tudo o que era património da AEJ. Isso veio atrasar o processo de início de mandato. Só depois de termos tomado posse é que demos conta de contratos sem termo e sem uma cláusula de um período de avaliação, realizados com treinadores, que eram altamente lesivos e que levariam ao encerramento da AEJ num prazo de dois meses porque o clube não tinha capacidade orçamental para os suportar. Isso foram as nossas dificuldades iniciais, a par de outras. Neste momento queremos fazer com que esse passado fique para trás porque o importante é preparar a associação para os tempos vindouros.

“Legalmente não tínhamos a mínima ideia do que se passava com a AEJ”

Quando tomaram posse a anterior direção não vos colocou a par de nada por forma a facilitar a transição?

Joaquim Fial: Nada. A única coisa que fizeram foi entregar um molho de chaves e um talão de saldo da conta.

Então, sem qualquer noção de como estava o clube, como foi colocar tudo em funcionamento?

Joaquim Fial: Tivemos de vasculhar a sede e virá-la do avesso. Não tínhamos acesso às Finanças, Segurança Social ou conta bancária. Legalmente não tínhamos a mínima ideia do que se passava com a AEJ. Foi um abandonar da associação perante quem tomou posse, mas o abandonar já tinha sido feito anteriormente, porque ao entrar aqui não havia ponta por onde se pegar. Aliás, passou-nos pela cabeça que mais valia ter construído uma associação de raiz do que pegar na AEJ como a encontramos.

Chegaram a pensar nisso?

Joaquim Fial: Chegou a ser equacionado. O caos era tanto que andamos a pagar contas e a resolver situações, algumas delas judiciais, praticamente durante o primeiro ano de mandato. Todos os projetos que queríamos implementar e desenvolver ficaram praticamente suspensos porque andamos a apagar fogos diariamente.

Então só ao fim de praticamente um ano é que começaram a trabalhar para o clube?

Joaquim Fial: Ao fim de nove meses. E tudo isto teria sido facilmente resolvido se a anterior direção estivesse cá para fazer o que lhe competia.

Entre a cessação de funções da anterior direção e a tomada de posse da nova a AEJ perdeu a equipa de xadrez.

Joaquim Fial: O clube foi esvaziado de atletas e de material ao nível de xadrez. Neste momento, a única coisa que o clube tem são meia dúzia de tabuleiros e algumas peças de xadrez.

“O clube foi esvaziado de atletas e de material ao nível de xadrez”

Mais nada?

Miguel Cardoso: Esta direção andou a pagar relógios que foram levantados num torneio, algures no Sul, quando já estávamos em funções há três semanas, e a conta veio parar a AEJ. Há por aí algum clube criado à conta da AEJ.

E neste momento como está o xadrez?

Joaquim Fial: Está em standby. A secção não está fechada, mas não temos atletas. Seria um projeto para pegarmos este ano, com a ajuda do Rui Guerra, mas foram tantos os fogos para apagar e, entretanto, surgiu o confinamento que deixou tudo em suspenso.

Numa altura em que já se começa a pensar na próxima época, o xadrez irá fazer parte dos quadros competitivos da AEJ?

Joaquim Fial: Anda não. Se não tivesse existido o confinamento teríamos tido capacidade para tal, mas neste momento não. Aliás, optámos por dar primazia a duas modalidades que não existiam em S. João da Madeira para depois, com muita calma e ponderação, passarmos para o xadrez.

Cerca de um ano antes a AEJ já tinha sofrido um revés na natação, uma das suas modalidades mais fortes, com a saída de Ana Rodrigues e do seu treinador.

Joaquim Fial: A saída de qualquer atleta faz-nos ponderar sobre o motivo, porque é um bom feedback relativamente ao trabalho que está a der desenvolvido, tanto pela direção como pelos técnicos.

É obvio que o que a Ana Rodrigues alcançou foi à custa do seu esforço pessoal, do seu treinador e da AEJ e a sua saída é um momento negativo para o clube, mas também para a atleta, que teria no coração as cores da AEJ, mas que, possivelmente, viu-se forçada a sair por incompatibilidade com a direção anterior. Uma atleta consagrada como ela convém manter sob a alçada do clube. Para além dos resultados, é uma inspiração para os atletas mais jovens.

“Há por aí algum clube criado à conta da AEJ”

No primeiro jantar de Reis do novo corpo diretivo disse que a direção assumiu compromissos e não cargos. O que significa isso?

Joaquim Fial: Significa que em termos diretivos não olhamos aos cargos de cada um, mas aos compromissos que todos nós assumimos em prol da associação. Quando decidimos fazer a lista e avançar com a candidatura todos assumimos que éramos presidentes. Isso demonstra, à partida, qual é a nossa postura e comprometimento, independentemente da função que ocupemos em cada órgão social. Trabalhamos, efetivamente, todos em equipa. E é por isso que assumimos os compromissos de transparência e resolução de conflitos e trabalharmos em prol do clube, dos treinadores e, principalmente, dos atletas.

Neste momento como descreveria a direção da AEJ?

Joaquim Fial: Inclusiva, transparente, empenhada, trabalhadora e com capacidade de diálogo e muita imaginação para resolução de problemas. Temos, por exemplo, a limpeza dos campos de ténis, a recuperação das instalações da sede e a criação de um ginásio, em que foi a direção, juntamente com pais e coordenadores, que arregaçou as mangas e realizou o trabalho. O clube, e qualquer associação que viva dos seus atletas enquanto pagantes das suas mensalidades e dos subsídios de eventuais contratos programa, se não tiver este espírito de trabalho e de entrega não vai longe. Para conseguirmos melhorar e criar as condições para que os atletas possam trabalhar para alcançar os seus objetivos, tem que ser feito desta forma. Os atletas esforçam-se para serem melhores pelo que a direção também tem que se esforçar para conseguir o melhor para eles. Se não tivermos atletas não estamos cá a fazer nada.

A primeira novidade apresentada pela vossa direção foi a criação da secção de triatlo. Como surge a modalidade na AEJ?

Sílvio Bulhosa: Foi através de uma conversa que tive com o Luís Lima. Lancei o repto e a ideia partiu daí. Inicialmente começamos com uma pequena equipa de veteranos, mas neste momento já temos três jovens. Agora que iríamos avançar com a captação nas escolas para a modalidade surgiu o confinamento resultante da pandemia.

Com a nova secção a cidade recebeu, com sede nas instalações do clube, a Associação de Árbitros de Triatlo.

Sílvio Bulhosa: É a parceria perfeita. A câmara municipal perguntou-nos se a associação poderia ter sede aqui e nós disponibilizamo-nos de imediato.

“Todos assumimos que éramos presidentes”

Já no início deste ano a AEJ aumentou as secções com a introdução do surf. Como surge esta modalidade num clube longe da costa?

Sílvio Bulhosa: Queríamos algo diferente. Como temos um ou outro atleta que ia a Esmoriz fazer algumas aulas de surf realizamos uma parceria com a Barrinha Surf School. Ao nível do campo de férias a modalidade também nos permite ter uma oferta diferente para atrair mais jovens com a realização na piscina de aulas de adaptação à prancha.

Para além do surf, entre as novidades apresentadas no início do ano está a renovação completa do quadro técnico do clube.

Sílvio Bulhosa: Na natação o Joel teve de sair por motivos particulares e fizemos a proposta ao Luisão que assumiu as funções de coordenador. No campo de férias a situação foi semelhante com quem cá estava e a coordenação foi entregue a Andreia Costa, que tem um historial de ligação ao clube. No ténis um dos treinadores foi para Ovar enquanto outro decidiu deixar o clube. Num curto espaço de tempo encontramos uma solução e, neste momento, o coordenador é Nuno Pestana, que está a realizar um excelente trabalho.

Entre os nomes que fazem parte do quadro técnico de natação está Mariana Marques, diretora técnica nacional de natação sincronizada. Como é que a AEJ chega a este nome de peso?

Sílvio Bulhosa: Através do Fernando Moreira, que faz parte do conselho fiscal do clube. Foi ele que nos indicou o nome e que estabeleceu o contacto. A pensar no futuro também arranjamos o Gonçalo Sá, um estagiário que será uma mais valia para o futuro da natação da AEJ.

“Se não tivermos atletas não estamos cá a fazer nada”

Cerca de um ano e meio depois da tomada de posse, como está, atualmente, a AEJ?

Joaquim Fial: Limpa, arejada, preparada para o futuro e com um corpo técnico à altura para rentabilizar o que de melhor têm os atletas e limar o que é necessário e com uma forma de funcionamento da direção que espero que se mantenha nos anos vindouros.

Tal como a grande maioria das coletividades da cidade a AEJ utiliza espaços camarários, mas referiram há pouco que foi a atual direção que efetuou a limpeza dos campos de ténis. Isso não é responsabilidade da autarquia?

Joaquim Fial: Achamos que o marasmo da câmara municipal para manter e melhorar as condições dos campos era tal que estávamos a perder a capacidade de providenciar um espaço físico capaz para mantermos os nossos atletas. Temos de ter argumentos para captar e, principalmente, manter os atletas, mas como é que isso se faz se, por exemplo, nem os campos de ténis estavam limpos. Estavam cheios de lodo e sem drenagem e à mínima chuva ficavam completamente alagados. O que fizemos, com autorização da câmara municipal, foi limpar, algo que é da responsabilidade da autarquia. A câmara municipal tem o dever de manter as condições de uso e de zelar pelos seus equipamentos, que é o que se verifica nas piscinas. Porque é que isso não acontece nos campos de ténis?

Apesar de todo o trabalho o problema de fundo dos campos de ténis mantém-se, que é o mau estado do piso.

Joaquim Fial: Tem buracos e desníveis. Nós também nos propusemos fazer essas obras, mas não fomos autorizados. O facto de termos feito uma lavagem traduziu-se numa melhoria substancial em termos de aderência e de drenagem. Tornaram-se mais praticáveis e permitem uma rentabilização no tempo húmido, que antes não acontecia. À custa da limpeza conseguimos não perder aulas e as pessoas já querem vir jogar porque acham que estão novos e, neste momento, a câmara municipal está a alugar a pessoas externas à AEJ.

Mas o mau estado do piso não coloca problemas de segurança nos treinos ou jogos?

Joaquim Fial: Já tivemos um atleta externo, que veio cá jogar, que teve uma lesão grave que o obrigou a uma paragem de três meses e com algumas dificuldades para retomar a sua atividade profissional e desportiva. Obviamente que a degradação, ano após ano, leva a que o risco seja cada vez maior. Também sabemos que a partir de determinada altura, quando o atleta pretende atingir níveis mais altos as condições não o permitem e isso faz com que o jogador comece a procurar clubes alternativos, porque nós estamos de mãos atadas para melhorar aquilo que é premente.

O problema não parece estar limitado aos campos de ténis, mas também ao exterior dos mesmos.

Sílvio Bulhosa: Nos torneios que realizamos temos aqui um cartão de visita que é um esgoto que transborda e que deita um cheiro nauseabundo. As pessoas que cá vêm ficam incrédulas como conseguimos treinar nestas condições. É uma situação que não é de agora.

“A câmara municipal tem o dever de zelar pelos seus equipamentos”

Qual a relação que existe entre a autarquia e a AEJ?

Joaquim Fial: Somos pessoas de ação, de resoluções e o que defendemos procuramos levar à letra e cumprir. Possivelmente por sermos demasiado frontais e por dizermos aquilo que realmente nos incomoda é que politicamente poderá não ser tão bem aceite, porque coloca em causa determinadas pessoas face aquilo que são evidências e que podem ser constatadas aos olhos de toda a gente. E os campos de ténis são, claramente, uma das situações que carecem de obras há muito tempo e onde nunca, até hoje, foi feito nada. O estado lastimoso em que encontramos a própria sede indicia que, para além da falta de zelo de quem cá estava, houve falta de monitorização por parte da entidade camarária.

Acham, então, que há um tratamento desigual por parte da autarquia para com a AEJ em relação a outras coletividades?

Joaquim Fial: Se fosse vereador ou presidente tinha como responsabilidade tentar perceber o que está a acontecer nas instalações que estão cedidas a um clube e como é que este vai conseguir sobreviver durante um tempo de provação, que foi o que aconteceu quando ficamos sem energia elétrica na sede, impossibilitando a realização de atividades e o funcionamento da secretaria. Nem o presidente nem a vereadora tentaram perceber como estávamos a organizar o funcionamento da sede e se precisávamos de alguma ajuda. Ficamos entregues a nós próprios. Se não tivéssemos feito pressão seguramente hoje ainda não tínhamos energia elétrica.

Neste momento a pandemia ainda traz consequências ao desporto. De que forma o surto afetou a AEJ?

Joaquim Fial: A análise pode ser feita em várias vertentes. Com o confinamento e suspensão dos campeonatos tudo parou. Com isso parou também a secretaria e o clube fechou. A consequência foi a suspensão total e isso implica a não existência de modalidades ativas e, por conseguinte, a paragem do pagamento de cotas, porque é ilícito cobrar por algo que as pessoas não estão a usufruir. Todos os planos de desenvolvimento desportivo que tínhamos também ficaram suspensos, os atletas estagnaram os seus objetivos e evolução e os diversos campeonatos que tínhamos programado organizar ficaram suspensos. Face a isso, deixamos de ter receita e atividade, mas algumas contas que não pararam.

Mais grave do que isso é o aspeto humano e pessoal de cada atleta e dos coordenadores, com a perda de objetivos que tinham para a época, e também o facto de não podermos avançar com a promoção do triatlo que tínhamos planeada para o último semestre escolar.

A somar a essas perdas temos também o campo de férias, que seria uma grande fonte de receita, mas que devido ao Covid-19 e às limitações impostas pelo IPDJ achamos que não teríamos condições para o realizar. Um campo de férias é muito mais do que a realização de atividades desportivas e implica investimentos antecipados com um grande grau de incerteza de rentabilização face às contingências do momento. Realizar um campo de férias em que as crianças não podem contactar, acho que seria adulterar sua filosofia e para o bem da saúde e da confiança que os pais, ao longo de todos estes anos, depositaram em nós enquanto organizadores, não queremos correr riscos. Para o ano termos a mesma coordenadora e os objetivos que já estavam traçados, porque será um campo de férias que se vai marcar pela diferença, melhoria e inovação.

Com a pandemia tudo estagnou e, neste momento, temos quatro ou cinco meses de perda em termos de evolução e implementação do projeto. Isso traduz-se num atrasar daquilo que seriam os nossos objetivos até às eleições.

É o encerrar de um ciclo que trouxe melhorias à associação”

E como está a ser preparada a nova época.

Joaquim Fial: Com muita incerteza. Seria muito importante que houvesse sensibilidade por parte da vereação e do presidente da câmara municipal para o facto dos atletas terem estado parados e precisarem recuperar o tempo perdido para que consigam estar ao nível físico e de performance para os desafios que se avizinham.

Com um ano e meio de mandato cumprido, neste momento a AEJ está dentro do que pretendiam?

Joaquim Fial: Está a começar a encarreirar. Em termos de mandato conseguimos implementar diversas ideias que são importantes, como uma organização processual e contabilística e da secretaria e uma transparência financeira. Na tentativa de criar melhores condições para os atletas montámos um ginásio interno que nos dá autonomia para realizar treinos secos. Isso foi um objetivo concretizado, tal como a abertura das novas modalidades, que não colidem com outras associações da terra.

A cerca de seis meses do fim do mandato, o próximo ato eleitoral será o encerrar do ciclo da atual direção?

Joaquim Fial: Sabendo que ainda há muito para fazer, é o encerrar de um ciclo que trouxe melhorias à associação e que poderá ser um grande passo para que a AEJ mostre, cada vez mais, o porquê de cá estar há mais de 30 anos.

Antes das eleições, que irão decorrer em outubro, vai ser realizada uma assembleia geral para aprovação dos novos estatutos que defendem a associação, a sua forma de trabalhar e funcionamento, os próprios atletas e a sua continuidade.

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