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Joana Raposo tem 35 anos, é natural de Minde, freguesia de Alcanena, onde começou os estudos musicais. Foi aluna, professora e diretora pedagógica do Conservatório da sua terra natal. É licenciada em Direção Coral pela Escola Superior de Música de Lisboa e mestre em Estudos da Criança, variante Educação Musical, pela Universidade do Minho. Atualmente é Diretora Pedagógica da Academia de Música de S. João da Madeira.

 

É a primeira vez que assume a gestão de um equipamento destes?

A Academia de Música (AM) de S. João da Madeira (SJM) é a segunda escola em que desempenho funções de direção pedagógica. Durante sete anos, desempenhei estas funções no conservatório da minha terra natal, em Minde.

Esta experiência e os vários anos de trabalho enquanto docente no Ensino Artístico Especializado entusiasmaram-me, com muita convicção, a enfrentar este desafio.

Foi, por isso, com grande satisfação que vi reconhecidas as minhas capacidades com o convite que acabou por acontecer de dar continuidade ao enorme projeto que a AM de SJM representa. Obviamente, que um desafio destes, numa escola cujo prestígio já conhecia, embora só do conhecimento empírico do meio pedagógico em que me movia, exige, independentemente da experiência anterior, uma adaptação ao meio, ao contexto, à equipa de trabalho e aos parceiros pedagógicos e institucionais.

O facto de ter sido muito bem-recebida, inicialmente dentro da instituição, através da direção da Associação Cultural Alão de Morais (ACAM) e da direção da academia cessante, e depois por toda a comunidade escolar e sanjoanense em geral, ajudou, de sobremaneira, a que a integração fosse totalmente pacífica e sem percalços de maior.

 

“Pude contar com o apoio inestimável do professor José Resende”

 

Como está a correr o primeiro ano de gestão?

Os dois meses iniciais deste ano letivo foram, naturalmente, um período de integração e adaptação à academia e ao seu modo de funcionamento. Felizmente, pude contar com o apoio inestimável do professor José Resende, que, neste período, esteve sempre disponível na ajuda à minha integração. Esse apoio inicial, fundamental para que me integrasse no espírito de trabalho da academia, aconteceu também por parte de todos os colaboradores, corpo docente e não docente. Com esta equipa de excelência, tudo se tornou mais fácil e posso afirmar que ao fim destes dois meses iniciais, me encontrava totalmente integrada e consciente do trabalho a desenvolver. Considero, portanto, que este primeiro ano está a ser muito positivo e, apesar de ser um ano muito atípico, o balanço não podia ser melhor. É certo que os desafios resultantes da situação de pandemia que vivemos não permitiram dar seguimento ao normal trabalho da academia e desenvolver todos os projetos que foram delineados para este ano. Foram desafios muito grandes que obrigaram a uma reformulação da estratégia pedagógica, mas que, já sendo possível fazer algum balanço, resolvemos com sucesso.

No fim do ano passado, a Academia de Música passou a ter novos logotipo e site. O que levou a esta renovação da imagem?

A imagem de uma instituição, e a de uma escola neste caso, é muito importante para a sua estratégia de comunicação interna e externa. Periodicamente, é necessário que as instituições renovem a sua imagem, modernizando-a e adaptando-a a estratégias de comunicação mais atuais. Com uma nova direção da academia, seria natural que algumas coisas se tornassem mais próximas da sua visão. Esta foi uma delas e, em cumplicidade estreita com a direção da ACAM, entendeu-se que não havia melhor altura para esta mudança do que este ano.

Esta mudança foi muito além da criação de um novo logotipo. Partindo-se desta base, toda a intervenção comunicacional da academia tem vindo a ser apresentada, desde logo, no âmbito dos diferentes cartazes que promovem as suas atividades, quer internas, quer dirigidas ao público em geral. O novo site é outra das iniciativas fundamentais para uma comunicação mais eficaz e apelativa com todos. Convido, desde já, os leitores do vosso jornal a conhecerem o nosso site através do endereço: amsjm.edu.pt.

 

“A imagem de uma instituição é muito importante para a sua estratégia de comunicação”

 

Quais os benefícios desta transformação?

Curiosamente, os resultados desta alteração foram imediatos. Sentimos que, em geral, as pessoas se reviram na nova imagem e reconheceram que esta representa a nossa academia, naquilo que ela tem de melhor: ambiente saudável para alunos, professores e funcionários, qualidade pedagógica e artística e ambição de sermos cada vez melhores e mais próximos da comunidade. Por outro lado, embora esta alteração de imagem seja muito recente e tenhamos sido confrontados com este isolamento social, já sentimos que conseguimos chegar a mais pessoas que, normalmente, não tinham contacto com a academia. Desde logo, com a abertura das inscrições para o próximo ano letivo, podemos ver resultados muito positivos e, acreditamos, que esta nova imagem e os novos canais de comunicação são um contributo fundamental para esse sucesso. Não temos dúvidas que, no futuro próximo, com esta estratégia e, em paralelo, com o contínuo desenvolvimento pedagógico e artístico, conseguiremos criar ainda melhores condições de notoriedade junto da comunidade.

 

Para além da nova imagem, a Academia de Música aderiu às redes socias…

Sim. Sabemos que a utilização das redes sociais é um veículo primordial da comunicação atual. A academia não podia deixar de se posicionar nestes meios para que, com isso, criasse condições de proximidade com o seu público alvo. Esse público alvo, para além da comunidade estudantil e respetivas famílias, é também a comunidade em geral que tem, ou pode vir a ter, interesse em conhecer e acompanhar o desenvolvimento da nossa ação de programação cultural, na qual queremos apostar, desde logo, com os nossos alunos e professores, mas também com os músicos do nosso panorama artístico.

 

Estão previstas mais mudanças?

A história da academia é muito longa e conta com vários anos de sucessos. Uma nova direção, integrando um projeto já de prestígio, tem como principais objetivos dar continuidade ao que de melhor se faz e aproveitar as sinergias já criadas. Naturalmente, há mudanças que são inevitáveis e resultam, por um lado, do normal percurso da instituição na sua ambição de ser cada vez melhor e, por outro, estando a ser gerida por uma pessoa diferente, que estas aconteçam de acordo com a sua forma particular de ver a educação, a cultura e a gestão. Pode-se dizer que a mudança de imagem de uma organização é uma circunstância radical. No entanto, também é, no fundo, resultado de uma evolução natural. De qualquer forma, não se esperam mais mudanças radicais a este ponto, mas poder-se-á esperar que, gradualmente, sejam implementadas alterações no modo de funcionamento diário e na visão que tenho do que deve ser o papel deste tipo de instituição pedagógica, tanto ao nível da sua intervenção local, como ao nível do seu papel enquanto instituição do Ensino Artístico Especializado, sob o ponto de vista mais nacional.

 

“O Ciclo Musicatos é um dos projetos mais importantes da academia”

 

Qual o impacto do novo coronavírus no planeamento das atividades?

A ameaça da Covid-19 alterou de forma radical o nosso funcionamento. De acordo com as orientações, todas as escolas foram encerradas e o trabalho com os alunos passou a acontecer de forma não presencial. Naturalmente que os padrões de qualidade da nossa oferta não poderiam baixar e, rapidamente, procurámos encontrar soluções pedagógicas eficazes que dessem resposta às exigências que nós próprios nos impomos, mas que são também aquelas que os nossos alunos merecem. Todo o sistema de aulas foi, por isso, alterado e adotámos a plataforma Teams da Microsoft como base para todo o trabalho síncrono e assíncrono entre os nossos professores e alunos. Também ao nível de equipamentos e, em especial, de alguns instrumentos musicais que os alunos não tinham em casa, a academia criou, de imediato, condições para facultar esses instrumentos aos alunos e, assim, reduzir as dificuldades sentidas.

Apesar de tudo, o balanço é extremamente positivo e, graças à criatividade dos nossos professores, à dedicação dos alunos e empenho dos encarregados de educação foi possível retirar desta experiência bons resultados. Quanto às atividades com alunos, apenas puderam ser realizadas aquelas que poderiam acontecer online, tendo sido canceladas as restantes, com muita pena nossa.

 

Quando regressa o Ciclo Musicatos?

O Ciclo Musicatos é um dos projetos mais importantes da academia ao nível artístico e de programação cultural. Em estreita colaboração com a câmara municipal e com a Casa da Criatividade, pretende-se que este projeto, para além de um espaço de divulgação de muitos jovens artistas das Terras de Santa Maria e da Área Metropolitana do Porto, possa ser, ainda mais, um veículo de promoção artística e cultural e que se torne uma referência. Começámos a dar os primeiros passos nesse sentido, aproveitando a mudança de imagem da academia, definimos também uma nova imagem para esta iniciativa. Infelizmente, os contratempos provocados pela pandemia não permitiram dar seguimento ao projeto nesta edição que esperamos poder retomar em meados de outubro.

 

“Haverá novos projetos que contribuirão para a projeção da nossa academia”

 

Está prevista a retoma de outros eventos relevantes realizados pela academia como o Concurso de Piano Florinda Santos ou o Concurso G Artes – Concurso de Guitarra?

Uma academia com quase 40 anos de história. Desenvolveu projetos extremamente ricos e muito importantes quer ao nível pedagógico, quer ao nível cultural e artístico. Esses são bons exemplos de dinâmicas paralelas à nossa atividade principal que devem ser desenvolvidas por uma estrutura deste tipo. Não tenho dúvidas em afirmar que, de acordo com a conjuntura e na medida das nossas capacidades financeiras e de gestão, projetos desse tipo devem ser dinamizados e impulsionados. No entanto, estes, em particular, tiveram o seu tempo de vida no seu contexto e com as suas figuras. Terminaram há demasiado pouco tempo para se pensar no seu renascimento.

Haverá, com certeza, novos projetos que contribuirão para a projeção da nossa academia, quer ao nível local, nacional e internacional, na exata medida da nossa ambição e nos propósitos que defendemos de contribuir para a nossa comunidade com projetos que a enriqueçam.

 

“Ambicionamos dotar um dos jardins internos de condições para uma zona de convívio”

 

As instalações da Academia de Música foram recuperadas e inauguradas em 2012. Precisam de alguma intervenção?

A academia tem umas excelentes instalações. Para além das salas de aula e dos espaços de apoio às diferentes atividades, possui o Auditório Marília Rocha, do qual é um privilégio poder usufruir. Ainda recentemente, este auditório foi dotado de uma plateia com cerca de 100 lugares, o que trouxe mais conforto para todos aqueles que assistem às nossas audições e concertos e, com o apoio da câmara municipal, foi instalado um sistema que permite o isolamento do auditório dos restantes espaços da academia. Aliás, no que diz respeito aos necessários aspetos da manutenção de um edifício deste tipo, temos tido todo o apoio necessário da câmara municipal. Também a nossa Associação de Pais tem procurado criar as melhores condições de conforto para alunos e professores, apoiando na criação de infraestruturas fundamentais para o nosso funcionamento. Naturalmente que há sempre novas intervenções que precisamos em resultado da dinâmica da própria academia e do normal desgaste do edifício. Neste momento, por exemplo, ambicionamos dotar um dos jardins internos da academia de condições para uma zona de convívio de alunos e professores, que também permita a realização de atividades ao ar livre.

 

Qual o objetivo que gostava de concretizar até ao fim deste ano?

Quanto a este ano letivo, ficarei muito contente que todo o esforço de professores e alunos culmine com o entendimento da comunidade educativa de que, apesar de todas as contrariedades, fomos capazes de mitigar os constrangimentos que um ensino à distância representa, em especial, numa área de formação como a nossa. Infelizmente, a conjuntura não permite ambicionar muito mais do que isso visto ser certo que não estaremos mais com os nossos alunos até ao final do ano letivo, de forma presencial.

 

“A academia deverá ser presença mais assídua na oferta cultural de SJM”

 

E ao longo dos próximos anos?

Para o futuro, para além de querer dar continuidade ao que de melhor a academia tem desenvolvido, tenho como objetivos muito claros procurar criar condições para que a oferta do Ensino Artístico Especializado possa chegar a um universo maior de alunos, em especial nas mais tenras idades. Para isso, a aposta nos nossos cursos de pré-escolar, quer na academia, quer no aprofundamento do projeto de Educação Musical que mantemos com a câmara municipal e com os agrupamentos de escola locais, no âmbito da Educação Pré-escolar; e no nosso Curso de Iniciação Musical, em paralelo com o trabalho desenvolvido no âmbito das Atividades de Enriquecimento Curricular, também em parceria com as mesmas entidades; são a base de toda uma estratégia que contribuirá para termos mais e melhores alunos nos cursos básicos e, mais tarde, no curso secundário de Música.

Paralelamente à atividade pedagógica, a nossa ação cultural e artística deve ser mais intensa e de crescente qualidade. A academia, com as suas atividades, deverá ser presença mais assídua na oferta cultural de SJM e ser incontornável na hora de se pensar uma programação local. Com a excelente equipa de professores que temos, com o talento dos nossos alunos e o apoio dos nossos encarregados de educação e organismos locais, não tenho dúvidas que o desenvolvimento do nosso trabalho encherá de orgulho a comunidade sanjoanense.

 

Ano letivo 2019/2020

27 professores

207 alunos: 9 em pré-iniciação, 30 no curso de iniciação musical, 142 no curso básico de música (regime de ensino articulado), 21 no curso secundário de música e 4 no curso livre

Instrumentos ministrados: Canto, Clarinete, Fagote, Flauta Transversal, Guitarra, Oboé, Percussão, Piano, Saxofone, Trombone, Trompa, Trompete, Tuba, Viola d’arco, Violino e Violoncelo

Agrupamentos com protocolo de articulação:

  • Agrupamento de Escolas Dr. Serafim Leite
  • Agrupamento de Escolas João da Silva Correia
  • Agrupamento de Escolas Oliveira Júnior
  • Agrupamento de Escolas Ferreira de Castro – Oliveira de Azeméis
  • CEI – Centro de Educação Integral

 

Concertos e atividades

24 cancelados e 60 realizados

Os concertos/atividades previstos para o presente ano letivo realizaram-se até 11 de março. A partir desta data, e devido à pandemia, todos os concertos/atividades foram adiados

Para a interrupção letiva da Páscoa, encontravam-se várias atividades programadas tais como o IV Estágio de Orquestra de Sopros, o I Estágio de Coros, Soundpainting e uma Masterclass de Piano, atividades estas que serão reagendadas

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