As nossas máscaras

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Máscaras! Tantas serão, as do nosso vocabulário;

Mero artefacto de cartão, pano ou cera, do que quisermos.

Invadem o quotidiano num sem fim do imaginário,

Do banal do dia a dia, que faz delas o que pudermos…!

Da nossa própria defesa contra vírus, toxinas,

Dos pós que o mundo consome, quando cria a poluição,

Aos da arte e da cultura, dissimulações peregrinas,

Que vagueiam ao nosso lado em perfeita comunhão…

É sebe, moita e árvore, abrigo contra o inimigo,

Dispositivo p´ra face, tapando boca e nariz,

Essa tal dissimulação, falsa aparência, um perigo,

Que altera a identidade com qualquer outro cariz…

As nossas máscaras são tantas, perdem-se por tempos e espaços,

Alterando exteriores, escondendo o lado interno;

Oportunas quando alternam com o real dos nossos traços,

E nos levam à mentira do efémero passar a eterno…

Fácil p´ra o Homem seu uso, traz-se no bolso de um fato,

Tanto dá para encobrir o sombrio das feições,

Como serve para enganar, quando no diário trato,

Com o nosso semelhante, adotamos posições.

O nosso quotidiano tão cheio de avatares,

Ensina-nos quantos truques p´ra esbater linhas traçadas

Entre o real dos nossos rostos e a mentira nos esgares,

Esses trejeitos, caretas, a que fomos habituados.

 

Flores Santos Leite

 

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